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A Flor da Rosa

by João Miguel Fernandes Jorge
Publisher: Relógio D'Água, April of 2000 ‧
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Este novo livro do poeta João Miguel Fernandes Jorge diz no frontispício "Ficção/Arte". JMFJ já há muitos anos que vem escrevendo sobre arte, quer colaborando em jornais (actualmente, de novo, n' "Independente") ou revistas, com textos para catálogos, etc.. Esses textos aparecem, e ainda bem para nós leitores, mais tarde publicados em livro. Acontece assim desde "Paisagem com muitas Figuras" (1984). Em 1988 JMFJ publica a sua primeira obra de ficção, "Nem Vencedor nem Vencido". Este livro aparece referido, como dizíamos, "Ficção/Arte". O autor explica no preâmbulo à edição: ""A Flor da Rosa" é um livro em que se reúnem múltiplas descrições. Umas vêm do acidente das coisas quando essas coisas guardam o artifício de uma pequena viagem, (...) outras, sob a forma de pequenas ficções, tecendo-se ao redor de pinturas de Caravaggio, Angussola, Van Dyck, La Tour, Sebastiano del Piombo ou Domingos Sequeira. Outras, ainda, estabelecem o artifício da arte ao redor da fotografia de Albano Silva Pereira, da imagem fílmica de Pedro Costa e da pintura de Bento Coelho ou Francisco Henriques.
" Há também algumas páginas sobre o tempo que encontramos em "Naturezas Mortas". Um tempo que se deixa repetir como aquele que poderemos ouvir nas "Variações sobre um tema de Corelli" de Sergei Rachmaninov. Outros espaços deste livro entram pelo falseado tempo de acidente de uma história. Assim acontece com "A Casa das Mudas" ou "Sumatra Cum Laude". " Tempo desaparecido são estas descrições. É o que tem lugar em "Azazel"-uma história de natal - ou em "Rostos" ou ainda em "Paula Rego/Agustina Bessa-Luís"." Pelo meio dos textos aparecem algumas das imagens referidas.

A Flor da Rosa

by João Miguel Fernandes Jorge

Property Description
ISBN: 9789727085897
Publisher: Relógio D'Água
Release Date: April of 2000
Language: Portuguese
Dimensions: 136 x 210 x 11 mm
Cover: Softcover
Pages: 192
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Art > Styles and Influences
Books in Portuguese > Fiction > Other Literary Forms
EAN: 9789727085897
Recommended Minimum Age: Not applicable

ABOUT THE AUTHOR

João Miguel Fernandes Jorge

1943, Bombarral. Poeta, prosador e crítico artístico, licenciado em Filosofia, desenvolveu também a atividade docente. Estreia-se na poesia com o volume Sob Sobre Voz, onde joga, de forma inquietante, com a não referencialidade de uma palavra que se situa na contiguidade com o indizível. Ou seja, nas palavras de Joaquim Manuel Magalhães, a perturbação gerada na leitura da sua poesia decorre da nossa formação ocidental, pela qual se torna "difícil de abdicar de um real para o qual as palavras não apontem" ("alguns descobriram que dizer barco não é arrastar à palavra um barco ou dizer aos outros que um barco está ali, mas revelar um local onde um barco não está, onde a memória dele se tornou uma música de fonemas em que desaparece o barco e o homem descobre a solidão que é dizer barco sem um barco ser. Este trabalho silencioso de captação da ausência percorre a obra de João Miguel Fernandes Jorge." (cf. MAGALHÃES, Joaquim Manuel - Os Dois Crepúsculos, Lisboa, A Regra do Jogo, 1981, pp. 224-225), ou, nas palavras do próprio autor: "O que me faz escrever este poema/não são as coisas: terra céu astros./A saber: estendo a mão: e/o mundo reconhece-a encontra a/memória onde repousa e se transforma./... Não sonho palavra sonho barco." ("Para outro texto", in Vinte e Nove Poemas, Lisboa, 1978). Confirmadas nos volumes que integram a sua Obra Poética, estas linhas de leitura remetem, segundo Fernando Guimarães, para um processo de "microrrealismo", pelo qual a "linguagem tende a testemunhar a evidência do conhecimento", ao mesmo tempo que as imagens ou metáforas se constituem como "núcleos de natureza conceptual": "João Miguel Fernandes Jorge parece fazer apelo à possibilidade de a linguagem se afastar de dois caminhos, o da metáfora e o da imagem, em que a poesia moderna tanto se fixou desde os finais do séc. XIX, privilegiando, antes, os caracteres apagadamente distintivos dos "sinais" ou, se se quiser, dos signos (...)", o poema fragmentando-se "através de múltiplas reminiscências, de uma linguagem desfocada, de uma disponibilidade subjetiva nem sempre previsível, de uma visão fluida da realidade e da natureza, de uma dispersão de significados às vezes percorridos por referências culturais ou de índole meramente circunstancial que, apesar de um descritivismo a que não raro se mantém fiel, se tornam dificilmente reconhecíveis. (...) A linguagem torna-se dispersiva, residual, e a consciência de que ela é inquestionável ou opaca a um possível significado" (GUIMARÃES, Fernando - A Poesia Portuguesa Contemporânea e o Fim da Modernidade, Lisboa, Caminho, 1989, pp. 113-114). A publicação de Crónica, em 1977, inaugura na sua bibliografia uma outra estratégia discursiva, que parte da colagem de textos e motivos históricos com acontecimentos reais e míticos e com conteúdos subjetivos.

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