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O Homem Dos Sonhos eBook

Literatura

de Mário de Sá-Carneiro
idioma: português do brasil
Editor: Pop Stories, maio de 2022 ‧
1,99€
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Ebook para wook reader
"O homem dos sonhos" acompanha o momento em que um narrador recebe a visita de uma figura inquietante, quase fantástica, cuja presença parece deslocada do ritmo comum da vida. A chegada desse visitante rompe a calma da noite e introduz uma atmosfera onde tudo se torna instável, como se as fronteiras entre pensamento, sensação e realidade começassem a se dissolver. O narrador observa cada gesto, cada inflexão de voz, percebendo que aquela aparição traz algo que não se ajusta ao mundo cotidiano e provoca uma espécie de fascínio desconfortável. À medida que conversam, o visitante descreve experiências que ampliam essa sensação de estranhamento. Suas palavras criam imagens intensas, marcadas por impulsos descontrolados, lampejos de desejo e uma interioridade turbulenta que parece escapar à lógica. O narrador é levado por essa corrente de confissões fragmentadas, em que o homem dos sonhos revela episódios que misturam delírio e lucidez, como se transitasse por dimensões que não obedecem aos limites do real. A própria sala onde estão parece se carregar de tensão, transformando o diálogo em uma travessia emocional. Quando o encontro termina, o narrador permanece com a impressão de ter sido tocado por um universo que não se explica. A figura do homem dos sonhos deixa uma marca difícil de nomear, algo entre inquietude e assombro, como se sua presença tivesse revelado o quanto a mente humana pode ser vasta, obscura e imprevisível. A lembrança daquela noite permanece viva, não pelo que foi resolvido, mas pelo que despertou, ecoando a força sensorial e visceral que caracteriza o universo literário de Mário de Sá-Carneiro.

O Homem Dos Sonhos

Literatura

de Mário de Sá-Carneiro

Propriedade Descrição
ISBN: 9786584542525
Editor: Pop Stories
Data de Lançamento: maio de 2022
Idioma: Português do Brasil
Páginas: 12
Tipo de produto: eBook
Formato e Compatibilidade:
Coleção: Minipops
Classificação Temática: eBooks em Português > Literatura > Ficção
eBooks em Português > Literatura > Contos
EAN: 9786584542525
Acessibilidade: Ver características de acessibilidade indicadas pelo editor

SOBRE O AUTOR

Mário de Sá-Carneiro

Poeta e ficcionista, com Fernando Pessoa e Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro constitui um dos principais representantes do Modernismo português. Partindo para Paris, em 1912, para cursar Direito, estudos que abandonaria pouco depois, a figura de Mário de Sá-Carneiro assume uma importância basilar para a compreensão do modo como o Modernismo português se foi formando com caracteres próprios na recepção das correntes de vanguarda europeias, processo de que a correspondência que estabeleceu com Fernando Pessoa dá um testemunho documental precioso e que culminaria com a publicação de Orpheu, em 1915. Os poemas que edita no primeiro número de Orpheu, destinados a Indícios de Oiro, são, a este título, significativos da sua adesão às estéticas paúlica e sensacionista, que na correspondência entre os dois grandes poetas fora gerada, glosando, então, em moldes muito devedores do simbolismo-decandentismo, a abjecção de um eu em conflito com um outro, reverso da sua frustração e insatisfação ("Eu não sou eu nem o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro", "7"), ao mesmo tempo que a publicação de "Manucure", no segundo número de Orpheu , revela uma incursão por uma forma poética mais próxima da escrita da vanguarda futurista, no que contém de autonomização do significante. Já antes de Orpheu, a colaboração de Mário de Sá-Carneiro na revista Renascença (1914) - onde Fernando Pessoa publica Impressões de Crepúsculo -, com a publicação de Além (apresentado como uma tradução portuguesa de certo Petrus Ivanovitch Zagoriansky), instituíra a sua experiência poética na charneira entre a herança simbolista e as tentativas paúlicas e interseccionistas. Mário de Sá-Carneiro constitui ainda um paradigma da prosa modernista portuguesa pela publicação das narrativas Céu em Fogo e A Confissão de Lúcio, construídas frequentemente a partir do estranhamento de um narrador insolitamente introduzido em situações onde o erotismo, o onirismo, o fantástico, se associam aos temas obsessivos do desdobramento e autodestruição do eu. O seu suicídio, com 26 anos, parecendo vir selar aquele sentimento de inadaptação à vida, de permanente incompletude, de narcísico auto-aviltamento e, sobretudo, de consciência dolorosa da irremediável cisão do eu, consubstanciada na dramática tensão entre um eu, vil e prosaico, e um outro, seu duplo ideal, que alimentaram tematicamente a obra, nimbou-o para a posteridade de uma aura de poeta maldito, que deixaria um forte ascendente sobre a poesia contemporânea de gerações posteriores à sua. Com efeito, a mensagem poética do autor de Indícios de Oiro ecoa postumamente na literatura presencista da geração de 50 e até surrealista, passando por nomes absolutamente diversos como Sebastião da Gama, Mário de Cesariny ou Alexandre O'Neill, entre muitos outros.

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