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Idade da Perda eBook

de Daniel Jonas
Livro eBook
Editor: Assírio & Alvim, setembro de 2025 ‧
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Seja a visão do drone intrometendo-se na de Deus, seja a paisagem histórica de uma velha cidade-museu europeia devorada pela rapidez da máquina-locomotiva e pela visão de uma bela adormecida, ou somente as manchas do tempo sobre este amigo, aquele amor — as memórias embaciadas, talvez oxidadas pela natureza —, a pedra destes poemas parte-se, pesarosa ou rindo sarcasticamente para dentro, com a perícia conhecida de Daniel Jonas. Por ora, escolhemos escarnecer:


NO MUSEU


No museu, posto o cansaço

Se faz banal o singular.

E mais Tintoretto menos Tintoretto

Estamo-nos nas tintas

Para o extraordinário

Idade da Perda

de Daniel Jonas

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-2450-9
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: setembro de 2025
Idioma: Português
Páginas: 112
Tipo de produto: eBook
Formato e Compatibilidade:
Coleção: Poesia Inédita
Classificação Temática: eBooks em Português > Literatura > Poesia
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável
Acessibilidade: Ver características de acessibilidade indicadas pelo editor

Entre a pedra e a perda

Ricardo

Daniel Jonas apresenta-se aqui com um conjunto de poemas que mantêm a sua capacidade de se adaptar a diferentes registos: da riqueza lexical à ironia, da erudição à simplicidade da clareza. Alguns poemas e alguns versos surgem com uma força capaz de criar um lugar só seu na história da poesia portuguesa contemporânea.

Caminhos para abolir o eu

JF Guimarães

Em 2021, Daniel Jonas publica Cães de chuva. O título chama logo a atenção: Cães de chuva leva-me para Cães de palha (1971) de Sam Peckinpah. Sendo um filme onde a fronteira entre vida e morte é extremamente ténue, há três versos que ligam filme e livro: «Um poema / é o fim depois do fim / após a morte, antes da terra» (p. 36). Ou seja: o poema está agora suspenso entre um «fim depois do fim» e uma cosmogonia, entre a morte e o «antes da terra». No limite, o poema é aparentemente ilegível, porque não há sequer leitor possível, ou seja, o poema não existe. Daí, lê-se na página 37: «É triste sermos nós até para nós», ou seja, a ipseidade implica a tristeza. A questão da ipseidade, do «sermos nós até para nós», atravessou o pós-modernismo. Daniel Jonas afasta-se do pós-modernismo. Continuando a ler o poema da página 37 temos a resposta: «É tudo triste em vez de ser só ser». Por outras palavras: o poema é tão-só poema que é sendo, ao ser. Já não o animal de Aristóteles e de Pessoa. Já não a tristeza do romantismo (pré e pós). Apenas é sendo, ao ser. E estamos no romantismo alemão. «Quanto mais poético mais verdadeiro», escreveu Novalis (1772-1801). Daí, Idade da perda (2025). Que também podia ser idade da pedra - o tal «antes da terra» de Cães de chuva, o apontar para uma cosmogonia. E em Idade da perda destaco dois poemas: A unidade da treva (p. 35) e Virá atrás de ti (p. 47), para além de versos esparsos notáveis. Eis um exemplo: «(...) Eu ando sempre atrás de quanto em mim persiste adiante. / Persigo a sombra que a mim faça do futuro, / e ando por andar, longe a longe, errante / de quanto hoje pense e já de si se afaste. / Atrás do que dispense, do que não pense já se exista ou não, / eu sigo pela sombra de mim (...)» (p. 37). Ou, e não resisto a citar na íntegra o poema da página 47, atrás referido: Virá atrás de ti quem tu te sejas Aquele que um dia te desejas (aquele que em ti dentro te ecoa) A ave nada do ninho da tua palma (que a sombra de asas também voa) O punho com que gritas a loucura! Mas ânimo, ó meditativa alma! Para ter sombra é preciso ter altura. Se neste poema o eco de Hölderlin (1770-1843) é notório, no excerto anterior o eco é de John Donne (1572-1631), um dos representantes da poesia metafísica inglesa. Todavia, Idade da perda é também atravessado por ecos da poesia trovadoresca e do maneirismo. E, além do mais, é um livro que agarra o leitor de poesia.

SOBRE O AUTOR

Daniel Jonas

Daniel Jonas é poeta, dramaturgo e tradutor. Enquanto poeta, publicou, entre outros, Sonótono (Cotovia, 2006), que lhe valeu o prémio PEN de Poesia, (Assírio & Alvim, 2014), galardoado com o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes da APE, e Cães de Chuva (Assírio & Alvim, 2022), vencedor do Prémio Literário Fundação Inês de Castro. Foi ainda um dos sete poetas nomeados para o Prémio Europeu da Liberdade, pelo seu livro Passageiro Frequente (Língua Morta, 2013), traduzido em polaco por Michal Lipszyc. Antes tinha sido distinguido com o prémio Europa David Mourão-Ferreira, da Universidade de Bari/Aldo Moro, pelo conjunto da sua obra. Traduziu vários autores, entre os quais John Milton, Shakespeare, Waugh, Pirandello, Huysmans, Berryman, Dickens, Lowry, Henry James e William Wordsworth. Como dramaturgo, publicou Nenhures (Cotovia, 2008) e escreveu Estocolmo, Reféns e o libreto Still Frank, todos encenados pela companhia Teatro Bruto.

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