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Capítulo Vi (Inédito) eBook

Manuscritos De 1863-1867, O Capital, Livro I

de Karl Marx
idioma: português do brasil
Editor: Boitempo Editorial, dezembro de 2022 ‧
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No 31º volume da Coleção Marx-Engels, a Boitempo publica a primeira tradução brasileira diretamente do original em alemão do célebre Capítulo VI do Livro I de O capital. Única parte do primeiro manuscrito da obra-prima de Marx a chegar até nós, o texto intitulado "Resultados do processo imediato de produção" encerraria o volume I e serviria de ponte para o volume II. Nele são apresentados de maneira substancial pontos centrais da reflexão marxiana: "Marx refere-se à mercadoria de maneira bastante concreta, não somente como um pressuposto para a produção capitalista, mas como resultado de seu processo produtivo. [...] Por outro lado, analisa as formas diversas do fetichismo típicas da sociedade do capital, expressão da peculiar divisão social do trabalho mediada pelas coisas, mostrando os reflexos desse fetichismo nas interpretações dos economistas burgueses", contam Ricardo Antunes e Murillo van der Laan no texto de apresentação. Produzido numa fase decisiva do desenvolvimento intelectual de Marx, o Capítulo VI condensa alguns dos principais momentos da argumentação do autor em O capital, que na versão final da obra, concebida como um "todo artístico", se espraiam por várias seções. Por isso, oferece um ponto de vista privilegiado para temas a operação concreta da mercadoria, presente sobretudo no Livro III, ou para a reflexão sobre a subsunção formal e a subsunção real do trabalho ao capital, ponto crucial da elaboração e do procedimento metodológico de Marx, que encontra aqui formulação direta e autônoma. O volume traz ainda, como apêndice, o "Questionário para trabalhadores", mais conhecido como "Enquete operária". Nele sobressai a preocupação de Marx com o cotidiano da classe trabalhadora. Redigido para La Revue Socialiste e propagada entre os trabalhadores franceses, o questionário tinha como objetivo evidenciar, de maneira metódica, as contradições e os privilégios do capital e apresentar aos trabalhadores as possibilidades de resistência frente à exploração à qual eram submetidos. A enquete serviu, ainda no século XIX, de modelo para outros questionários semelhantes na Europa. Ao longo do século XX foi inspiração para movimentos socialistas e pesquisadores em diferentes países e, no século XXI, continua a demonstrar sua vitalidade, no contexto dos processos de trabalhos uberizados e plataformizados.

Capítulo Vi (Inédito)

Manuscritos De 1863-1867, O Capital, Livro I

de Karl Marx

Propriedade Descrição
ISBN: 9786557171950
Editor: Boitempo Editorial
Data de Lançamento: dezembro de 2022
Idioma: Português do Brasil
Páginas: 184
Tipo de produto: eBook
Formato e Compatibilidade:
Classificação Temática: eBooks em Português > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia
EAN: 9786557171950

SOBRE O AUTOR

Karl Marx

Filósofo alemão nascido em Trèves (Renânia) em 1818. Acerca dele se afirmou: «No século dezanove foi o pensador que teve, de longe, a influência mais direta, deliberada e poderosa sobre a Humanidade» (Isaiah Berlin). Sensível aos problemas sociais da época, foi influenciado pelas doutrinas do socialismo utópico de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen e pelas teorias da economia política de Adam Smith e David Ricardo, que tentou superar.
O pensamento de Marx define-se essencialmente em oposição ao idealismo hegeliano, embora dele retome a conceção dinâmica da realidade e os princípios da dialética, reinterpretando-os à luz de uma conceção materialista. A crítica fundamental que faz a Hegel é a de que este apenas se apercebeu do desenvolvimento espiritual abstrato, quando a ideia não é mais que «a matéria, trasladada e transformada na cabeça do homem», provocando, simultaneamente, uma inflexão no agir filosófico, afastando-o do domínio puramente teorético para o inserir na esfera da intervenção prática - «até ao presente, os filósofos só se têm preocupado com a interpretação do mundo segundo várias óticas. Todavia, o problema está em ser capaz de o transformar».

Recusando a transposição hegeliana do facto empírico para o plano metafísico, defende que não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas o seu ser social que determina a consciência. É a partir dessa premissa que Marx constitui o sistema do materialismo histórico, segundo o qual os processos económicos estão na base de toda a evolução da humanidade, considerando todas as restantes manifestações socioculturais como meras superestruturas ideológicas, estritamente determinadas pelas relações de produção vigentes.
A história das sociedades é encarada como um longo processo dialético em que as classes oprimidas, vítimas de relações de produção desiguais, se revoltam contra as classes dominantes, instaurando uma nova ordem económica. A luta de classes percorre, portanto, todo o devir da humanidade, desde a antiguidade (sociedade esclavagista em que se opõe ao homem livre o escravo), passando pela sociedade feudal (oposição entre suserano e servo), até à sociedade capitalista, na qual a revolução do proletariado, através da abolição da propriedade privada e da coletivização dos meios de produção, suprimirá todos os antagonismos, instaurando o comunismo e a sociedade sem classes.

Marx debruçou-se em particular sobre a formação e a essência do capitalismo considerando que este se fundamenta numa apropriação indevida da mais-valia gerada pelo trabalho numa lógica de acumulação e concentração de riqueza que deixa completamente de lado a função social do trabalho e reduz o proletariado a um estado de alienação em que o trabalho deixa de ser um fator de realização pessoal. A religião, que classifica como «ópio do povo», associa-se a esse processo de alienação, prometendo aos proletários uma satisfação extramundana em troca da sua submissão à ordem estabelecida.
Marx morreu em Berlim em 1883. O seu sistema, desenvolvido em grande parte em colaboração com Friedrich Engels (1820-1895) e imbuído de objetivos sociais reformistas e emancipadores, marcou decisivamente toda a filosofia política contemporânea.

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