As Três Mortes de Lucas Andrade eBook
SINOPSE
Por outro lado, trata-se da saga de um jovem pobre que vive em conflito com os códigos masculinos da pobreza, da rua, da fábrica. Visto através das personagens que rodeiam o anti-herói, sobretudo mulheres, o livro de Henrique Raposo é um retrato novo e revolucionário da pobreza, fixando-se na nossa segunda metade do século XX, retratando as migrações do campo para a cidade, os choques entre a cidade e a periferia - e o nascimento dos subúrbios dos anos 60 e 70.
Para isso, convoca o elemento invisível na ficção portuguesa de agora: a pobreza, o choque entre classes e, sobretudo, os conflitos dentro de cada classe - sempre refletindo sobre a violência e o mal e colocando uma pergunta recorrente: como se mantém a decência no meio do caos, da pobreza e do mal?
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789897229510 |
| Editor: | Quetzal Editores |
| Data de Lançamento: | outubro de 2023 |
| Idioma: | Português |
| Páginas: | 640 |
| Tipo de produto: | eBook |
| Formato e Compatibilidade: | |
| Classificação Temática: |
eBooks em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789897229510 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Excelente drama ficcional
Ana Lúcia Loureiro
É um retrato ficcional bem realista de como viviam em Lisboa aqueles que nas primeiras décadas da segunda metade do séc. XX iam de outras pontos do país viver para a capital, acreditando numa vida melhor. A vida melhorava? Encontravam-se novos mundos? A que preço? Lisboa de então estava verdadeiramente dividida e nesses submundos era necessário aprender a viver ou a sobreviver, nem que para isso outras vidas se tivessem que deixar para trás. Excelente e recomendado.
Uma obra-prima única que sem pruridos dá a conhecer cintura de Lisboa
Carlos Faria
Um retrato corajoso e minucioso do que era a vida dura e violenta dos jovens e família vindos da província nos subúrbios de Lisboa nos anos a seguir ao 25 de Abril. Apesar de ser a anatomia de um suicídio anunciado logo no primeiro parágrafo, não é um romance deprimente, antes pelo contrário, descreve a resistência perante as dificuldades da vida com momentos emocionantes, situações de arrebatamento e outras de derrota. É uma obra do melhor que se escreveu em Portugal no primeiro quartel século XXI que no futuro deverá ter o seu reconhecimento merecido e ser alvo de estudos académicos pela sua qualidade narrativa, e forma original de análise social de um Portugal silenciado. Soberbo romance!
realidade dura e crua
Ana
Não costumo deixar reviews mas este livro de facto merece. Tendo tambem mudado do campo para a cidade no início dos anos 90, ainda presenciei muitas das situaçoes descritas. O livro descreve a sociedade e, entre outras coisas, a falta de escolha das mulheres desse tempo, que embora a mim já não me tenho afectado, ainda está presente na geração da minha mãe e de certa forma demasiado próxima.No sentido que as mulheres existiam para servir os outros e não tinham direito a opinião, vontade própria e até ao próprio corpo. O livro descreve a realidade de então com uma linguagem chocante e completamente adequada, usando as palavras do calão que muitas vezes seriam ditas apenas em contexto familiar. E no meio de tanto mal como também há bem, decencia e esperança. O livro desperta muitas emoções e chorei imenso. Está extremamente bem escrito. Recomendo!
Grande Livro!!
Mónica G.
Identifiquei-me bastante com esta história , o tempo em que cresci, a diferença entre classes, o mistério de se escolher ser decente em meios que nada o favoreciam. Gostei imenso, muito bem escrito !!! A sensação de acabar um livro muito bom, que me vai acompanhar durante muito tempo !
Um hino
Joana
Este livro é daqueles fenómenos que raras vezes avistamos durante a nossa vida, o olho de um furacão sensorial com uma narrativa poderosa e um hino à língua portuguesa e à nossa cultura. É tão difícil explicá-lo por poucas palavras, mas gostava que todos o lessem porque é talvez dos melhores livros que já li em toda a vida. Merece 6 estrelas.
Soberbo
Susana Jorge
Comecei lentamente, li outros pelo meio, porque estava a gostar tanto que queria prolongar a leitura o mais possível, mas depois houve uma altura em que fiquei de tal maneira embrenhada nele que queria mais e mais... Começo por dizer que este foi o romance de estreia de Henrique Raposo e que estreia esta! Ao longo do livro, a crónica de um suicida, são abordados diversos temas, assim como se fala de livros, de acontecimentos marcantes no país como as cheias de 1967 e o caso do estripador de Lisboa. Começamos com o êxodo das aldeias para as grandes cidades (neste caso Lisboa), a integração destas pessoas em bairros problemáticos, marcados pela prostituição, delinquência e pela toxicodependência, a adaptação dos seus filhos nos meios escolares, sofrendo bullying e constante insegurança, para regressarmos a temas como o abuso sexual, assédio em contexto laboral, abortos ilegais, adoção ilegal, .... João Miguel vê-se arrastado pelos pais para Lisboa, deixando a sua vida na serra. Passa a viver no bairro do Janeirinho, um bairro marcado pela insegurança e criminalidade. É neste contexto que João Miguel prossegue com a sua vida, dando-nos a conhecer a sua família, amigos e moradores do bairro, de uma forma eximia. Um livro tão bem escrito que faz de nós um expectador em tudo o que acontece nesta história. Uma história coerente, com personagens ricas e bem construídas, com temas que todos nós conhecemos melhor ou pior. Um livro daqueles que vale a pena! Parabéns Henrique! Se ainda não leram, façam um favor a vocês próprios e comecem já!!!
Avassalador
Ler, um prazer adquirido
Não é um pequeno livro e a escrita fluída, honesta e limpa, bem como a história realista e tocante (sem nada de lamechas) é um murro no estômago em muitos excertos. "A miséria sem filtros soa a fábula negra aos ouvidos de quem nunca teve fome, frio e febre. " O êxodo do interior como fuga à tensão e crítica de quem na pobreza tinha o arrojo de sonhar ser diferente como a mãe de João Miguel. Ela não lê mas sabe que o filho tem que ler. Enquanto ela renasce nas periferias de Lisboa, o filho mortifica naquele mundo hostil. *Quem diz que o dinheiro não traz felicidade nunca foi miserável. " Um livro que prende com muitas das memórias coletivas ou individuais que temos. Crua análise socio-económica num primeiro romance bem conseguido. Violência, desamparo, adaptação e suicídio. Sem dúvida, que o retrato de época e de um certo estrato social não é apenas ficcional. "A mulher pobre era vista como um objeto, uma escrava sexual ás ordens dos senhores, uma barriga de aluguer às ordens das senhoras."
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