WOOK LÊ Isabel Rio Novo

Fotografia de Vera Carmo | Direitos reservados
BIOGRAFIA
NOME: ISABEL RIO NOVO
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO: 1972, Porto
WOOK FAZ? Escritora
CURIOSIDADE: «Aos três anos de idade, sabia de cor umas quantas histórias infantis, sem falhar uma vírgula, uma conjunção ou um virar de folha. Costumava exibir-me para as visitas de casa, pondo o livro sobre os joelhos e debitando as palavras, página após página, muito direitinha, perante o assombro geral. Até que os meus pais desmontavam o prodígio. O certo é que, por volta dos quatro anos, já não precisava de fingir.»
OS SEIS LIVROS DA SUA VIDA
MEMORIAL DE AIRES
MACHADO DE ASSIS
«É o último romance de Machado de Assis, um dos maiores escritores de todos os tempos, e por sinal de língua portuguesa. Mas podia ser qualquer livro do autor. A narrativa caminha lentamente, ou pelo menos é isso que nos parece, até percebermos que tudo correu a um ritmo vertiginoso e já estamos na borda do precipício. Só que se trata de uma vertigem interior, contida, silenciosa, sem banda sonora, como eu costumo dizer. E por isso mais perigosa.»
MADAME BOVARY
GUSTAVE FLAUBERT
«Muita gente vive atormentada com a quantidade de livros que nunca irá ter tempo para ler na vida. Pela minha parte, sou uma releitora compulsiva, regressando obsessivamente a livros que já conheço. Li Madame Bovary na faculdade. Reli-o aos trinta e poucos anos, já depois de ter sido mãe, e o destino da pequena Berthe, personagem que me passara completamente despercebida da primeira vez, ficou a ressoar em mim.»
O ESTRANGEIRO
ALBERT CAMUS
«Um pequeno enorme livro que incomoda, perturba, desestabiliza. Gosto de livros que me atinjam as emoções e os nervos. Gosto de sentir que também eu poderia matar, como Mersault. Tem mais efeito sobre mim uma página de Camus do que um livro inteiro de Sartre.»
MEMÓRIAS DE ADRIANO
MARGUERITE YOURCENAR
«Um romance que confirma a minha convicção de que, bem melhor do que classificar livros e querer que eles encaixem em géneros ou categorias, é lê-los e fruí-los. É um romance histórico? Não é histórico? É ficção? É não ficção? Que importa. A escrita de Yourcenar flui como uma carícia luxuriante, ora sensual, ora quase dolorosa. E, no posfácio, está aquela frase em que a autora descreveu perfeitamente, como se as duas tivéssemos discutido o assunto, o meu gosto por fazer amigos à distância: «duas dúzias de pares de mãos descarnadas, alguns vinte e cinco velhos bastariam para estabelecer um contacto ininterrupto entre Adriano e nós.» Emociono-me quando leio isto.»
OS MAIAS
EÇA DE QUEIROZ
«Não me sinto tão próxima de Eça como de Camilo, e o romance não me deslumbra tanto como me deslumbrou na adolescência, mas continua a ser uma obra magistral e um dos livros da minha vida. As páginas em que João da Ega, depois da revelação do doutor Guimarães, carrega sozinho o terrível segredo de Carlos e Maria Eduarda redimem alguns excessos de verve e de ironia que atestam o talento extraordinário do autor, mas, em mim, provocam sempre algum distanciamento.»
AMOR DE PERDIÇÃO
CAMILO CASTELO BRANCO
«Romantismo, sentimentalismo, a força da paixão, a penumbra da tragédia, e depois a linguagem concisa, cortante, irrepreensível. Como disse Manoel de Oliveira, sacode-se o livro e não cai de lá nada: nenhuma palavra está a mais.»

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