Wook diz Miguel Araújo sobre o Porto?

Penas de Pato
Miguel Araújo lançou um livro de crónicas
Num mundo onde toda a gente discute as grandes questões, Miguel Araújo detém-se nas pequenas, nos detalhes. «Penas de Pato» é o novo livro do músico e compositor responsável por algumas das canções que, muitas vezes, já acordamos a trautear.

É, pois, uma reunião onde o autor disseca sobre os problemas mundanos, tais como a sua inépcia para lidar com as finanças, o amor aos filhos, mas também os nomes dos cafés ou a preguiça extrema – o seu estado natural, diz.

Partilhamos consigo um excerto sobre o Porto e os seus gentios:
PORTO
«Eu não nasci propriamente no Porto. Quer dizer, nasci em Águas Santas, Maia, numa altura em que a cidade da Maia ainda estava a nove anos de se ver elevada a tal. Por isso, nasci na cidade do Porto, para todos os efeitos.
Além disso, a minha família Araújo é portuense há várias gerações. Venho de uma família de comerciantes do Largo de São Domingos. O negócio de família, uma papelaria chamada «Araújo & Sobrinho», fundada em 1829, ainda existe. Foi entretanto transformada em hotel, mas ainda lá está. (…)

Um amigo meu brasileiro passou uma temporada no Porto e deixou-se andar por lá à solta. Só no terceiro dia é que compreendeu a simpatia grosseira que prende forasteiros a esta cidade. É que nós, os nativos, os indígenas, os autóctones por trás dos balcões, nas ruas e nas esquinas, somos grosseiros como o raio. (…) Esse meu amigo brasileiro pediu açúcar para acompanhar o café e a senhora de um café na ribeira disse-lhe qualquer coisa como: 'Olha-me este, já me quer lixar… ó criatura, não vês aí os pacotinhos?'»

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