Vozes do Brasil Contemporâneo – 2ª Parte
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Ilustrações de Autora Sant'Ana
12 de julho de 2023
Continuamos com autores brasileiros que são a nossa ponte transatlântica, escritores e escritoras que dão vida à nossa língua comum.
Na primeira parte deste artigo, demos destaque a André Diniz, Andréa del Fuego, Giovana Madalosso, Itamar Vieira Júnior e Luiz Ruffto. Agora, é a vez de outras vozes deste novo Brasil.
Este artigo foi originalmente escrito para a revista Wookacontece nº9. Pode lê-lo na íntegra clicando neste link.
Na primeira parte deste artigo, demos destaque a André Diniz, Andréa del Fuego, Giovana Madalosso, Itamar Vieira Júnior e Luiz Ruffto. Agora, é a vez de outras vozes deste novo Brasil.
Este artigo foi originalmente escrito para a revista Wookacontece nº9. Pode lê-lo na íntegra clicando neste link.
Marcelo Quintanilha
Regressando à arte gráfica, temos agora um nome maior. Marcelo Quintanilha é conhecido pelas bandas desenhadas cujas abordagens de temas sociais como a violência, corrupção e desigualdade lhe valeram já inúmeros prémios e a presença em mercados editoriais diversos. Escuta, Formosa Márcia conta a vida de uma mãe solteira que vive numa favela do Rio de Janeiro e enfrenta os dias com uma gentileza enternecedora, apesar de estes não lhe serem nada favoráveis. Noutro dos títulos publicados em Portugal, Vistam Todas as Flores, Quintanilha expressa-se sobre a conjuntura sociopolítica brasileira dos séculos XX e XXI, num enredo perturbador onde se chega à conclusão de que «No final não há outra alternativa, não há outro caminho: os nossos corpos recobertos de flores são a única resposta possível à perturbação global».
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Martha Batalha
É conhecida por abordar temas como feminismo, relacionamentos e identidade. O seu livro de estreia, A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, foi adaptado para filme e recebeu diversos prémios, tendo feito grande sucesso no Brasil e em Portugal. Um Castelo em Ipanema traz-nos uma saga familiar carioca. A família Jansson, ao longo de 110 anos, vai ver a sua vida transformada por algo que acontece em duas festas de fim do ano, mostrando a forma como alguns eventos específicos podem transformar o percurso de toda uma geração. Batalha é uma das vozes prementes da literatura contemporânea brasileira, autora focada em temas como a memória e as mudanças impercetíveis, mas por vezes tão definitivas, que acontecem na vida de todos nós.
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Patrícia Campos Mello
Falemos agora de não ficção. Patrícia Campos Mello é uma jornalista brasileira conhecida pelas suas reportagens sobre política e direitos humanos. É correspondente do jornal Folha de São Paulo em Washington e já recebeu diversos prémios. Mello também é autora do livro A Máquina do Ódio, que expõe a rede de desinformação e ataques virtuais que ocorreram durante as eleições presidenciais de 2018 no Brasil. Por tratar de assuntos polémicos, que mexem com as elites estabelecidas e questionam a veracidade dos factos, a autora ganhou o reconhecimento de muitos brasileiros, mas também inimigos poderosos, já que, no seu livro, mostra a forma como as redes sociais são manipuladas por líderes populistas. Uma investigação que não passa apenas pelo Brasil, mas também pelos EUA, Índia, Venezuela, Hungria ou Nicarágua.
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Rafael Gallo
O mais recente vencedor do Prémio Literário José Saramago é um escritor brasileiro nascido em São Paulo, em 1981. Rafael Gallo é autor de diversos contos e romances, sendo reconhecido pela sua capacidade de explorar temas complexos de forma sensível e poética. Entre as suas obras mais conhecidas, destacam-se Rebentar e Dor Fantasma, com a qual venceu aquele importante prémio. Aqui, Gallo apresenta-nos Rómulo Castelo, pianista que todas as manhãs ensaia a mesma peça de Liszt, procurando tornar-se o maior intérprete mundial daquele compositor. Já se sabe que quando a certeza é muita, a vida prega partidas e nada corre como planeado…
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Tatiana Salem Levy
Nada melhor do que terminarmos este desfile de autores brasileiros em plena produção literária com uma brasileira nascida em Lisboa. Tatiana Salem Levy é neta de judeus de origem turca que foram exilados durante a ditadura militar no Brasil e que apenas puderam regressar ao país no ano em que Tatiana nasceu. O seu primeiro romance, A Chave de Casa, é um bestseller traduzido para 10 idiomas. O segundo, Dois Rios, recebeu o Prémio São Paulo de Literatura. Além de escritora, Tatiana é professora universitária e trabalha com literatura comparada. Vista Chinesa é um dos seus mais impactantes livros, onde a identidade, a memória e o exílio aportam uma narrativa forte à qual nenhum leitor fica alheio.
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