Viagens aos Açores

Por Álvaro Curia/ Ludgero Cardoso
@literacidades
12 de julho de 2023
Nota-se muito que viemos agora mesmo dos Açores? E que não podíamos ter gostado mais do que por lá encontrámos? Estes são cinco livros que podem ser uma grande inspiração para quem viaja até àquela que se acredita ser a antiga Atlântida.

 
Top 10 Açores
Nada como o bom e confiável guia de viagem para que nada falhe. E este é dos bons. Está certo que a magia das viagens está na dose certa de equilíbrio entre planeamento e improvisação. Mas, acreditem, há alturas nos Açores em que não há rede que nos possa salvar e, como tal, convém ter material analógico à mão, para que não corramos o risco de cometer loucuras como, por exemplo, descer (e subir!) a ladeira do Farol do Arnel de carro. Uma estrada com trinta e cinco por cento de inclinação, a pique em direção ao mar do Nordeste. Felizmente existiam sinais que nos avisavam do perigo e só por isso não nos aventurámos rua abaixo com o nosso carro citadino. Havia de ter sido bonita a subida de regresso! Não obstante, a magia do lugar justifica a caminhada!
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Nos trilhos dos Açores
Nos Açores, uma das principais preocupações é a manutenção do frágil equilíbrio entre o meio ambiente e a ação do homem. O arquipélago é um espaço único no mundo, com algumas paisagens que se pensa terem sobrevivido, por exemplo, à Idade do Gelo. Este livro destina-se precisamente a promover a cidadania ativa para a proteção ambiental. Qualquer amante das viagens com forte componente de passeios pela natureza vai adorar este autêntico guia, com sugestões incríveis de trilhos e percursos rodeados da tão especial paisagem açoriana. Com sorte, talvez se aviste um cagarro, essa ave tão frágil, que, abandonada no ninho pelos seus pais, tem, ainda bebé, de aprender sozinha o seu caminho rumo a um desfiladeiro, de onde se atirará para aprender a voar.
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Mau tempo no canal
Se pudesse ter escolhido um livro para ler na disciplina de Português do 12º ano, teria sido este, ao invés de outros propostos no programa escolar. É um clássico português no seu melhor. Uma primeira frase em aberto, «Mas voltas logo?», fala-nos já de forma tão absoluta sobre a vida no arquipélago. A incerteza, a contemplação, o isolamento, mas também a vida agarrada pelos cabelos, as paixões ao rubro e a história a borbulhar nas páginas. Vitorino Nemésio fala-nos também de várias tradições açorianas e da vida de trabalho dos pescadores, num retrato da insularidade a que não temos acesso se não através de grandes livros como este.
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A Décima Ilha
A diáspora açoriana é aqui abordada por esta jornalista, vencedora do Prémio Pulitzer. E qual é a décima ilha? É precisamente todo o lugar onde existe uma comunidade açoriana de expatriados. Califórnia, Costa Leste, Canadá… a autora apercebe-se ao longo do seu relato que ser açoriano é muito mais um estado de espírito do que a pertença a um lugar. Mas é para a Terceira que Diana viaja várias vezes e se apaixona por praticamente tudo em que põe os olhos. É um relato muito interessante de aspetos da cultura açoriana, particularmente nas ilhas da Terceira e de São Jorge, e da forma de ser dos habitantes do arquipélago emerso a meio do Atlântico Norte.
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Arquipélago
Mais do que ilhas, os Açores são personagens. Parece que têm a sua própria personalidade, que nos é apresentada aos poucos, mas que nos deixa rendidos assim que a começamos a desvelar. Neste livro, Joel Neto conta-nos a história de uma criança desaparecida e de um homem que não sente os terramotos. Um mistério inexplicável, metáfora de tanta imaginação, que o acompanha vida fora. Com ecos do mito da Atlântida, a ideia do inescrutável e da ilha enquanto personagem perpassam ao longo de todo este romance, que nos chega com a mestria de um livro pronto a tornar-se um clássico.
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