Vai um «Banho de Natureza?»

A Natureza Cura
Capa do livro A Natureza Cura, de Florence Williams
A Natureza torna-nos mais felizes, mais saudáveis e mais criativos.
Quais os custos, para nós, do afastamento progressivo entre Homem e Natureza? E quais os benefícios? Florence Williams, jornalista e autora do livro, viajou pelo mundo para conhecer os cientistas de topo que investigam a influência da natureza no nosso cérebro. E as conclusões impressionam.
"O efeito da biofilia"
Quando imaginei o shinrin-yoku, o »banho de floresta», pensei na Bela Adormecida na sua fase de sono profundo, rodeada por árvores primordiais, aves canoras e feixes de luz solar. Sabíamos que ela, de algum modo, estava a absorver tudo e que acabaria por acordar rejuvenescida, iluminada e preparada para o seu príncipe garboso. Esta imagem, porém estava distante da verdade em muitos aspectos. Em primeiro lugar, o Japão já não tem muitas florestas viregsn e, em segundo, temos de nos esforçar nesta prática, embora os momentos de inércia não sejam desencorajados. (…) O shinrin-yoku centra-se no desenvolvimento dos nossos sentidos para que estes se abram à floresta. Não se trata meramente da vida selvagem, mas sim do híbrido natureza/civilização que os japoneses têm vindo a cultivar desde há milhares de anos. Podemos deambular um pouco, escrever um haiku, partir um galho de loureiro e inspirar o seu intenso aroma a madeira.
“Cérebro de pássaro”
Durante o verão, tentei encontrar um pouco de sossego. Passei parte do tempo com um eletroencefalógrafo portátil ligado à cabeça em diferentes cenários, tentando obter uma ideia dos sítios onde mais facilmente conseguiria atingir o Santo Graal dos estados mentais: o estado de «calma aberta» apreciado pelos mestres zen, surfistas e poetas. Andava em busca das ondas alfa. Quando os impulsos elétricos nas ondas alfa dominam partes do cérebro, é um sinal de que não estamos a ser importunados por pequenas distrações, resoluções de problemas ou, no meu irritante caso, planeamento de refeições. A parentalidade – como qualquer tipo de cuidados prestados aos outros – é uma procissão de pequenas e intermináveis decisões. Por demasiadas vezes, assumo a função executiva de toda a família e quase consigo ouvir a minha mente a expulsar as ondas alfa ociosas. É o som do cérebro a fritar.
(…)
«Devemos pensar nas paisagens sonoras como sendo medicinais», disse ele. «São como um comprimido. Podemos receitar sons ou um passeio pelo parque da mesma maneira que receitamos o exercício físico: 20 minutos por dia, todos os dias, numa abordagem a longo prazo, ou especificamente como forma de combater uma reação aguda ao stresse. Quando estamos tensos, devemos procurar um lugar calmo».
Na verdade, Smith considera que estas rápidas intervenções baseadas na natureza podem ajudar mais pessoas com maior eficácia do que muitas outras mais afamadas, como a meditação.
“Deambulando”
(…)
Não é fácil permanecer todos os dias ao ar livre. Muitos dos voluntários do estudo de Nisbet acabaram por preferir as comodidades do ar condicionado ou decidiram simplesmente não responder ao questionário de acompanhamento. Dos 2500 residentes, a maioria era como eu: mulheres na casa dos 40 anos. Os investigadores adoram-nos porque (suspiro) cumprimos os nossos compromissos e queremos ser prestáveis. Há, contudo, recompensas: falei com Nisbet alguns meses mais tarde, depois de ela analisar os dados recolhidos. «Quanto mais tempo os participantes passam na natureza, maior é o bem-estar relatado», disse ela. Uma das descobertas mas interessante foi a de parecermos gostar tanto da natureza que, no final do mês, tínhamos duplicado o tempo semanal de permanência em espaços verdes (de cinco para dez horas). Com o decorrer do mês, também reduzimos o tempo gasto em veículos, mensagens de texto e correio eletrónico. Que progresso!


Wook espera?
Quero ler mais »

Livros relacionados

Wook está a dar

Subscreva!