Um poema de Luís Quintais
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17 de janeiro de 2020
Escreve-se contra a vida, tu dizes.
Respondo que a métrica é a vida,
que às sombras sobram mapas, raízes.
Que aí, nesse chão, caem rima e dúvida.
São frutos de morte e dor indelével
o que essa voz dissonante persegue.
São vaga-lumes de tinta ilegível
sobre campos de hierático sangue.
Escreve-se contra a vida, tu dizes.
Eu recolho-me, fio o meu casulo,
abasteço-me de sonhos vorazes,
anoto a ambição negativa, a rosa
escurecida que é do crepúsculo
a cinza e a frágil arte rumorosa.