Masculinos disseram os meus braços

Um poema de Ana Luísa Amaral
17 de janeiro de 2020

Masculinos disseram os meus braços,
mas o modelo não dizia mais
e eu não tinha modelos
sem punhais
ou masculinos braços

Mas modelei a dor como sabia
e a vingança
e o horror

E fomos muitas a rasgar a carne,
eu em duas partida,
e a outra: elas e eu em conjunção,
como matéria negra

Não se distingue
a quem pertence a quem
a mão que evoca o sangue
dessa ferida

Bem sei, mas qual de nós
pode contar
da vida em tela que assim
foi forjada?

Ana Luísa Amaral, Ágora

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