Rubem Fonseca (1925-2020), um exímio burilador de palavras
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17 de janeiro de 2020
Rubem Fonseca fez-se um escritor de um calibre ágil, invulgar e cinematográfico. Morreu aos 94 anos, vítima de enfarte
Morreu Rubem Fonseca (Minas Gerais, 1925 – Rio de Janeiro, 2020), uma das vozes maiores da literatura em língua portuguesa, o escritor que, sem pudor ou moralismo, cruzava no seu universo ficcional os mais distintos universos, desde a sórdida realidade da corrupção, o submundo da prostituição, as astúcias do crime até às cruas derrotas das vidas humanas, olhadas com finura, por vezes implícita ternura, mas sem nunca perder a visão desencantada.
As suas obras, como o magistral Agosto, são ainda um espelho das tramas políticas brasileiras, as suas traições e injustiças, as suas clientelas, as suas elites preconceituosas e cruéis. Rubem Fonseca, nunca filiado politicamente, mantinha na escrita um compromisso ético de denúncia da crueldade dos poderosos, anunciando um profundo respeito pela liberdade. Em 1976, o livro Feliz Ano Novo é censurado pela ditadura militar. Uma das estórias retratava um milionário que tinha por hábito atropelar pessoas de noite.
As suas obras, como o magistral Agosto, são ainda um espelho das tramas políticas brasileiras, as suas traições e injustiças, as suas clientelas, as suas elites preconceituosas e cruéis. Rubem Fonseca, nunca filiado politicamente, mantinha na escrita um compromisso ético de denúncia da crueldade dos poderosos, anunciando um profundo respeito pela liberdade. Em 1976, o livro Feliz Ano Novo é censurado pela ditadura militar. Uma das estórias retratava um milionário que tinha por hábito atropelar pessoas de noite.
«CADA PALAVRA É SEMPRE NOVA»
A economia de escrita (frases curtas, afiadas, precisas) acentuavam a ironia subtil e cirúrgica e a dimensão tragicómica do quotidiano, povoado de personagens que se viriam a tornar lendárias, ganhando vida própria, como o advogado Mandrake, mulherengo, cínico e com alma de detetive, possivelmente inspirado no seu anterior ofício de comissário de polícia com formação em Psicologia Criminal.
Talvez por isso tenha sido tão ténue a fronteira com o género cinematográfico. Alguns dos seus livros, pela proximidade da escrita com os guiões de cinema, foram adaptados com êxito à sétima arte.
Acima de tudo, fazia da invenção e da imaginação os motores primordiais da escrita.
Tenso, rude, divertido. Traduzido em todo o mundo, ganhou seis Prémios Jabuti e o Prémio Camões, em 2003, pelo conjunto da obra.
Nunca para um escritor – dizia – existem sinónimos. Cada palavra é sempre nova.
Talvez por isso tenha sido tão ténue a fronteira com o género cinematográfico. Alguns dos seus livros, pela proximidade da escrita com os guiões de cinema, foram adaptados com êxito à sétima arte.
Acima de tudo, fazia da invenção e da imaginação os motores primordiais da escrita.
Tenso, rude, divertido. Traduzido em todo o mundo, ganhou seis Prémios Jabuti e o Prémio Camões, em 2003, pelo conjunto da obra.
Nunca para um escritor – dizia – existem sinónimos. Cada palavra é sempre nova.
Considerada a sua obra-prima e uma das maiores obras da literatura brasileira da segunda metade do século XX. Entre o Brasil e o deserto boliviano, as altas esferas sociais e o bas-fond carioca, as sumptuosas mansões e as boîtes decadentes, o advogado Mandrake envolve-se no submundo do crime para resolver o misterioso assassinato de duas prostitutas. Um livro perfeito.
1 de agosto de 1954. Um vaivém entre romance policial e intriga política no momento histórico em que Getúlio Vargas é encurralado pela elite mais conservadora e pelo exército brasileiro, culminando no seu suicídio.
O último livro publicado pelo homem que, literalmente, morreu a escrever.
Histórias de violência, solidão e amor numa prosa inconfundível que reflete com perspicácia o horror e a beleza do quotidiano. São 26 contos em carne viva repletos de sátira, humor e momentos insólitos.