Sepúlveda (1949-2020): um revolucionário que cozinhava romances de amor
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17 de janeiro de 2020
Sepúlveda é o autor chileno mais lido da atualidade
Morreu, aos 70 anos, o escritor Luis Sepúlveda (Ovalle, Chile, 1949 – Oviedo, Espanha, 2020), vítima de infeção pelo novo coronavírus.
Autor de policiais, fábulas, romances, contos, crónicas, histórias infantis, muitos dos quais autobiográficos – a memória como um ato de justiça, porque «ninguém consegue subtrair-se à perseguição da sua própria sombra – deixou-nos mais de uma trintena de títulos, praticamente todos eles publicados pela Porto Editora.
Notável contador de histórias, Sepúlveda foi fruto de uma época.
Atravessou 17 anos de ditadura de Augusto Pinochet no Chile, a descolonização em África, a revolução cubana em 59, o maio de 68, o fim da União Soviética. Desde sempre, e de algum modo, fez parte das convulsões sociais da segunda metade do século XX.
Autor de policiais, fábulas, romances, contos, crónicas, histórias infantis, muitos dos quais autobiográficos – a memória como um ato de justiça, porque «ninguém consegue subtrair-se à perseguição da sua própria sombra – deixou-nos mais de uma trintena de títulos, praticamente todos eles publicados pela Porto Editora.
Notável contador de histórias, Sepúlveda foi fruto de uma época.
Atravessou 17 anos de ditadura de Augusto Pinochet no Chile, a descolonização em África, a revolução cubana em 59, o maio de 68, o fim da União Soviética. Desde sempre, e de algum modo, fez parte das convulsões sociais da segunda metade do século XX.
Socialista convicto, ativista político, amigo pessoal de Salvador Allende, esteve preso e exilado. Homem de ideais, de lutas e de geografias diversas, estabeleceu morada em diferentes países do globo.
Atualmente, vivia nas Astúrias, Espanha, com a mulher, mas era a Lisboa que regressava sempre, ou, pelo menos, uma vez por ano: raramente perdia uma Feira do Livro. E foi lá, num dia soalheiro, que nos concedeu esta entrevista especial, minutos antes de começar a autografar livros aos magotes. As longas filas que ali se formavam eram, certamente, a melhor de todas as recompensas.
Despedimo-nos como quem atira um ‘até breve’.
Numa absorta e pueril ideia de felicidade, talvez agora Sepúlveda possa reencontrar o cão Leal.
Atualmente, vivia nas Astúrias, Espanha, com a mulher, mas era a Lisboa que regressava sempre, ou, pelo menos, uma vez por ano: raramente perdia uma Feira do Livro. E foi lá, num dia soalheiro, que nos concedeu esta entrevista especial, minutos antes de começar a autografar livros aos magotes. As longas filas que ali se formavam eram, certamente, a melhor de todas as recompensas.
Despedimo-nos como quem atira um ‘até breve’.
Numa absorta e pueril ideia de felicidade, talvez agora Sepúlveda possa reencontrar o cão Leal.
ENTREVISTA
«DESCOBRI MUITO JOVEM O MEU CAMINHO»
«DESCOBRI MUITO JOVEM O MEU CAMINHO»
LUIS SEPÚLVEDA EM ENTREVISTA AO WOOKACONTECE NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA, 2019
ALGUNS TÍTULOS ICÓNICOS
Provavelmente um dos livros mais amados de Luis Sepúlveda. Num lugar remoto da Amazónia vive o velho Bolívar Pranõ, um leitor tardio mas apaixonado por romances de amor. Uma história inesquecível sobre a solidão, o respeito pela natureza e o amor aos livros.
No País do Dente-de-Leão, um caracol não se conforma e parte em busca dos motivos da sua própria lentidão. Afinal, por que andam todos tão devagar? Sepúlveda lança um convite aos leitores, miúdos e graúdos, para que entrem (muito lentamente, claro!) nesta fábula sobre a verdadeira coragem e o papel da memória.
Eis a história de Zorbas, «um gato grande, preto e gordo» que se vê na delicada missão de criar Ditosa, uma pequena cria de gaivota. Um livro repleto de ternura, para todas as idades, sobre valores intemporais como a amizade, a esperança e a lealdade.