Romances sobre famílias disfuncionais
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17 de janeiro de 2020
Todas as famílias são disfuncionais, defende o grande romancista norte-americano Jonathan Franzen, mas a verdade é que umas são mais do que outras. Vamos lá a alguns exemplos das piores.
QUEM MATOU O MEU PAI
Tem tom de perdão, mas o problema está lá desde o início. No registo da autoficção, Louis usou a morte do seu pai para fazer uma rememoração da própria vida. Ali, podemos encontrar o regresso à sua terra natal, mas sobretudo a uma infância marcada pela dor e pela solidão. O pai, exemplo da masculinidade violenta, não aceitava que o filho rompesse esse padrão, maltratando-o pela delicadeza, pela inteligência ou até pelo que em si julgava efeminado. Em fins de vida, desamparado e frágil, conta com o olhar do filho sobre tudo o que passou.
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A GUERRA DOS TRONOS
Aqui, tantas vezes parece que a família só serve para decidir a hierarquia e a transmissão do poder. Não nos devemos atar apenas numa. Afinal, quase todas têm os seus problemas – e dos gigantes. Nos Lannister, temos traições, incesto, mentiras, psicopatia, ditadura, malvadez, machismo, indiferença, sobranceria. Não raras vezes, viram-se uns contra os outros. Nos Baratheon, infidelidades, filhos escondidos, devassidão, maus-tratos. Nos Tully, uma mulher que maltrata um rapaz desde bebé por achar que é filho do marido. Nos Arryn, uma criança amamentada até já bem depois de ter dentes. Nos Greyjoy, uma vida que se erige na vingança. Nos Targaryen, loucura que aparece de mansinho. Nos Stark, uma mentira que existe para proteger um rapaz que nem é Stark nem Snow.
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AS VIRGENS SUICIDAS
Deve ser difícil definir o que é uma família disfuncional, mas, quando um grupo de irmãs se começa a suicidar com o intervalo de um ano, é fácil concluir que estamos perante um bom exemplo. Aqui, as irmãs Lisbon dizem adeus à vida. O dia é escolhido a dedo, as marcas que deixam são feridas. Os jovens rapazes da vizinhança, que as viam ao longe, manifestam o choque e a estupefação. Já em adultos, tentam reconstituir os acontecimentos e a estranheza, ainda marcados pelo sofrimento.
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THE STEP CHILD
Até dói ler, principalmente se não conseguirmos esquecer que a autora é a narradora. Neste livro, temos a história verídica de uma criança abandonada pela mãe biológica. Quem julga que o mal é esse, engana-se. O verdadeiro mal estava para vir: a nova madrasta fez da criança alvo de inúmeras crueldades, e os maus-tratos físicos não excluíram os sexuais. As humilhações perpetradas provocam asco ao leitor, e o silêncio do pai não ganha simpatia.
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