Quer saber por que falham as nações?

Por Vera Dantas
16 de janeiro de 2025
Por que motivo existem nações tão prósperas, e outras são tão pobres? Serão a geografia, o clima, ou a cultura os fatores determinantes? Segundo Daron Acemoglu e James A. Robinson, laureados com o Nobel da Economia em 2024, ao lado de Simon Johnson, a resposta não é tão simples.
Após uma investigação de 15 anos, os autores chegaram a várias conclusões. Quando os europeus colonizaram grandes partes do globo, alteraram as instituições de muitas sociedades. Mas, se nalguns locais o objetivo era explorar a população indígena e extrair recursos para benefício dos colonizadores, noutros criaram sistemas políticos e económicos inclusivos para benefício a longo prazo dos migrantes europeus. Estes último acabariam por desenvolver a prosperidade dessas populações. No entanto, alguns países ficam presos numa situação de instituições extractivas e de baixo crescimento económico, simplesmente porque estas proporcionam ganhos a curto prazo para as pessoas no poder. E, enquanto o sistema político garantir que ali permanecem, o país não sai da estagnação.
A prosperidade de uma nação, depende, sobretudo, das instituições políticas e económicas que o país construiu ao longo da sua História. Com exemplos variados – do Império Romano à China atual – os autores mostram como as instituições inclusivas promovem inovação e bem-estar social, enquanto as extractivas limitam o desenvolvimento.
Mas, então, como surgem as instituições inclusivas? Acemoglu e Robinson defendem que não existe um processo natural pelo qual a prosperidade crescente numa autocracia evolua para a inclusão. Só é do interesse da elite ceder o poder a instituições inclusivas se for confrontada com algo ainda pior, como a perspetiva de uma revolução. Os fundamentos da prosperidade, alegam, são a luta política contra o privilégio.


UM POUCO MAIS SOBRE OS AUTORES

Daron Acemoglu é Professor de Macroeconomia, Economia Política, Economia do Trabalho, Economia do Desenvolvimento, Teoria Económica no Massachussets Institute of Technology.
James A. Robinson é professor na Universidade de Chicago. Perito na América Latina e em África, é ainda diretor do Instituto Pearson para o Estudo e Resolução de Conflitos Globais.
 

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