Quatro poemas de Adília Lopes
Partilhar:
20 de julho de 2022
Adília Lopes nasceu em Lisboa, em 1960. Publicou o seu primeiro livro de poesia, Um Jogo Bastante Perigoso, em 1985. Da sua extensa obra poética, destacam-se os títulos Irmã Barata, Irmã Batata (2000) e Dobra (2021), uma antologia. Tem colaborado em diversos jornais e revistas com poemas e artigos.
Acaba de lançar Pardais, um livro de poemas em que regressa às reflexões do quotidiano.
Poemas selecionados do livro Pardais:
Quando andava na Faculdade de Ciências, estudava astronomia, as leis de Kepler, mas não andava à noite a ver as estrelas e a Lua.
Quando andava na Faculdade de Letras, estudava a cantiga de amigo «Bailemos nós já todas três, ai amigas, / so aquestas avelaneiras frolidas», mas não dançava.
A minha vida estava errada, mas estudar foi bom.
Vive e trabalha em Lisboa. Vive em Lisboa, trabalha em Madrid. Hoje em dia usa-se muito a fórmula vive e trabalha nos curricula. Mas assim parece que a pessoa onde trabalha não vive, que quando trabalha não vive. Dá vontade de dizer que um astronauta vive em Nova Iorque e trabalha na Lua.
Gostava que os meus poemas fossem pardos, modestos, pequenos, lisboetas como os pardais e que tivessem o som do piar dos pardais.
Aprendo a escrever com os pardais.