Odeio a Internet.

Odeio a Internet
Capa do livro Odeio a Internet., de Jarett Kobek
UM LIVRO MUITO ÚTIL SOBRE COISAS IMBECIS DA INTERNET
Não venha ao engano: apesar do título, este livro não é literatura light. Não é uma história que tenha a poção mágica para se livrar do Facebook, que maldiga Mark Zuckerberg (bom, isso talvez…), que lhe diga o caminho para recuperar a sua intimidade e, no limite, a sua vida tal como a conhecia antes da era cibernética.

Jarett Kobek escreveu o seu primeiro romance e isso já seria, por si só, motivo de destaque, mas este é um daqueles casos que nos diz respeito a todos.
Tendo São Francisco, em 2013, como pano de fundo, Odeio a Internet é um relato cínico e hilariante sobre a vida das pessoas no boom digital.
"breve excerto"

A Internet era ótima a captar imagens sexualizadas de mulheres e ainda melhor a captar imagens desumanizadoras dos pobres e de pessoas com eumelanina na camada basal da epiderme.
A Internet constituía um montão imenso de ideologias, declaradas e implícitas, que refetiam os valores sociais dos seus vários criadores. Alguns desses homens acreditavam na liberdade de expressão. Outros tinham medo dos russos. E outros acreditavam apenas no dinheiro.
O sistema foi concebido com o único propósito de maximizar a quantidade de tretas que as pessoas teclavam nos computadores e nos telefones. Quanto maior a interconectividade, maiores seriam os proveitos. Era um feudalismo ao serviço das marcas, que assentava em induzir o seres humanos a dar largas aos piores comportamentos possíveis.

Tinha sido nesse mundo que Adeline tinha entrado sem saber muito bem como.
(…)

O que podia Adeline fazer? Como é que se argumenta com gente que acredita que Thor é real? Como é que se argumenta com gente que se põe com discursos sobre a dignidade humana em máquinas fabricadas por escravos na China? Como é que se argumenta com gente cuja principal forma de expressão já vem com a marca do Twitter?

Por isso, ela entrou no jogo. Andava a tweetar. A primeira semana correu bem. Os miúdos nadavam a pedir-lhe conselhos. E foi então que o miúdo mais importante a contactou. O Emil telefonou-lhe.


«EIS, FINALMENTE, UMA EXPLANAÇÃO DA INTERNET COM O DETALHE MAIS CRU POSSÍVEL.»


    O Facebook é fantástico porque compreendemos finalmente porque é que temos cidades natais, porque é que nos envolvemos em relacionamentos, porque é que comemos os nossos jantares estúpidos, porque é que temos nomes porque é que somos donos de carros idiotas e porque é que tentamos impressionar os amigos. Porque é que aqui estamos, porque é que fazemos estas coisas todas? Podemos, por fim, avançar com uma solução.
    Estamos na Terra para fazer enriquecer ainda mais o Mark Zuckerberg.

Continue a ler »

Livros relacionados

Wook está a dar

Subscreva!