Louise Glück é a Prémio Nobel da Literatura 2020

«And the Nobel goes to...»
17 de janeiro de 2020
Louise Glück é uma poeta norte-americana. Tem 77 anos
Sem atrasos no relógio, às 12h00 portuguesas, eis o anúncio mais esperado do dia: Louise Glück é a Prémio Nobel da Literatura 2020.

Numa cerimónia online transmitida a partir de Estocolmo, Anders Olsson, presidente do comité do Nobel, proferiu o nome da poeta norte-americana para espanto de muitos de nós e sem que nenhuma das casas de apostas o previsse.

«A sua inconfundível voz poética que com austera beleza torna universal a existência individual» justificou a escolha do júri. Louise, de 77 anos, é poeta e ensaísta, dá aulas de Língua Inglesa na Universidade de Yale e vive atualmente em Cambridge, Massachussets.
«UMA BUSCA DE CLARIDADE»
«Nos seus poemas ‘o eu’ foca-se no que resta dos seus sonhos e ilusões e ninguém é mais duro ao confrontar as suas próprias ilusões. Mas mesmo que Glück nunca tenha negado o significado do contexto autobiográfico não deve ser encarada como uma poeta confessional.
Glück procura o universal e nessa procura inspira-se nos mitos e nos temas clássicos presentes na maior parte dos seus trabalhos. As vozes de Dido, Perséfone e Eurídice – as abandonadas, as castigadas e as traídas – são máscaras para ‘um eu’ em transformação, tão pessoal quanto universalmente válido», disse Olsson.

Louise Glück estreou-se em 1968 com a coletânea de poemas Firstborn. Publicou o último livro em 2014, numa obra que, até à data de hoje, conta com 12 volumes de poesia e alguns ensaios sobre poesia - mas virá por aí um «soberbo» livro.
Segundo a Academia Sueca, «é uma das mais proeminentes poetas da literatura contemporânea americana», e a lista de distinções confirma-o: na sua estante, há um Pulitzer, conquistado em 1993 com a obra The Wild Iris e um National Book Award com Faithful and Virtuous Night (2014). Em 2015, recebeu, pelas mãos do então presidente Barack Obama, a Medalha Nacional de Artes e Humanidades pelo conjunto da obra.
SEMPRE UMA SURPRESA, ATÉ PARA A PRÓPRIA
A poeta, que prefere manter-se afastada da vida pública (porque «perturba as coisas»), reagiu à atribuição do Nobel durante uma curta entrevista: «É demasiado novo, não sei mesmo o que significa». Em «termos práticos», revelou que ia usar o dinheiro para comprar uma casa em Vermont.

O anúncio do Prémio Nobel da Literatura é sempre uma surpresa. Por mais apostas que se façam, a Academia Sueca surpreende sempre.
No Nicer Odds, site que agrega tendências das casas de apostas, Maryse Condé, de Guadalupe, território francês no Caribe, era a favorita. A russa Lyudmila Ulitskaya ocupava o segundo lugar e o japonês Haruki Murakami o terceiro, ficando o top cinco completo com a canadiana Margaret Atwood e o queniano Ngugi Wa Thiong'o.

Louise Glück é a 16ª mulher a vencer o Nobel da Literatura desde a sua criação, em 1901, e uma das três norte-americanas a recebê-lo.

Em Portugal, o nome é desconhecido para muitos e a sua obra não está sequer traduzida. Quem sabe, agora…

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