Ler em liberdade
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@literacidades
5 de janeiro de 2023
Celebra-se no dia 21 de janeiro o Dia Internacional da Liberdade religiosa. Não é feriado, mas talvez devesse ser. As perseguições religiosas não são apenas episódios históricos: em todo o mundo, centenas de milhares de pessoas não podem praticar a sua fé em total liberdade, como deveria sempre ser garantido a todos. Estes são livros de diferentes religiões, mas onde há uma mensagem de tolerância e de compreensão para com todos os credos.
Os Evangelhos Apócrifos
A diversidade de pensamento é uma das principais características do cristianismo, antes da imposição de uma doutrina de pensamento único, no séc. IV. Jesus Cristo foi, assim, descrito de várias formas por Tomé, Pedro ou Filipe, sendo essas interpretações da figura de Jesus tidas todas em conta, lidas e debatidas, no início da propagação da fé cristã. Palavras como «discípula» surgem no Evangelho de Pedro e é a Maria Madalena, como a própria explica no seu Evangelho, o único escrito por uma mulher, que Jesus confia a sua doutrina. Os Evangelhos Apócrifos são textos que permaneceram durante séculos longe do olhar dos crentes e também dos estudiosos. Livros que apresentam um cristianismo ponderado, reflexivo, inclusivo. Foi com espanto que constatámos que a leitura deste livro, na tradução de Frederico Lourenço, constitui uma agradável surpresa quanto à forma como nos prende, não se tornando nunca difícil nem monótona. Pelo contrário, faz-nos pensar na génese de uma religião cujas sucessivas interpretações poderão ter desvirtuado as ideias iniciais de Jesus Cristo e dos apóstolos. Leia por si, com toda a liberdade. Para nós, tem vindo a ser uma descoberta incrível sobre noções de bondade, compreensão e uma ideia de futuro muito interessante. Ao contrário de nos mostrar apenas passado, comos seria de esperar, alguns excertos destes Evangelhos Apócrifos têm-nos apontado futuro e esperança.
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O Livro Tibetano da Vida e da Morte
Aqui está um livro que tem uma base profundamente religiosa, ligada ao budismo, mas que é lido por pessoas de vários credos e, diríamos até, por qualquer pessoa que procure realizar uma caminhada de reflexão, em busca de um fortalecimento das suas capacidades de amor ao próximo, compreensão ou afeto. Não é um livro de autoajuda, mas a sua leitura vai decerto ajudar o leitor a prosseguir com mais tranquilidade na sua vida quotidiana e a tentar usar em seu proveito momentos de paz e de atenção à realidade do que o rodeia. Sendo um livro de caráter religioso, encontramos, claro, várias considerações relacionadas com a prática do budismo, mas também com temas que são universais, como a morte, por exemplo. A abordagem mais religiosa nota-se na quase omnipresença de ideias como a reencarnação ou o carma. Mas o leitor poderá, e aqui se nota a grande tolerância que este livro transmite, escolher para si o que lhe serve melhor ao longo da leitura, se a parte mais filosófica ou a parte mais prática que o livro contém. O autor baseia-se no Livro Tibetano dos Mortos, clássico do budismo, com raízes na tradição milenar tibetana, mas também numa investigação contemporânea, que representa quase uma revisão desses conceitos à luz da atualidade.
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Introdução ao Pensamento Islâmico
Não é por acaso que a obra mais académica que aqui sugerimos é a que se prende com os conceitos fundamentais do islamismo. Somos constantemente atordoados com informação que utiliza termos como «islão», «muçulmano», «árabe» e «fundamentalismo» como se houvesse uma relação obrigatória entre todos, ou como se ambos se misturassem para dar lugar a uma amálgama de conceitos nublosos, onde raramente sabemos distinguir as partes. Esta é uma obra introdutória para quem quer começar a saber um pouco mais sobre o pensamento islâmico. Não apenas no que se refere à religião propriamente dita, mas também às suas grandes áreas, como o direito ou a profunda tradição intelectual. O pensamento místico ou teológico são também parte integrante e fundamental da investigação de Abdullah Saeed, mostrando, ao contrário do que muitas vezes somos levados a acreditar pela caracterização do Islão nos meios de comunicação ocidentais, uma religião pacífica, com tradição secular de paz. É claro que o autor não se esquiva a falar de temas controversos, como os direitos humanos, nomeadamente das mulheres e dos homossexuais, nos países árabes, o fundamentalismo de alguns grupos terroristas ou a marginalização das comunidades islâmicas no Ocidente. Fá-lo de forma muito contemporânea, incluindo esses e outros temas, como o da globalização ou o dos desafios tecnológicos.
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Quando Deus e a Medicina se encontram
E por falar em liberdade religiosa, vamos a uma das questões mais difíceis. Se há mundos que tendemos a ver separados, são o da religião e o da Medicina tradicional. Mas muitas vezes se tocam. Por exemplo, na objeção de consciência dos médicos baseada em valores religiosos, na proibição de determinadas intervenções médicas que algumas religiões advogam ou na ideia de que a cura e o milagre são forçosamente dimensões opostas, uma pertencendo ao mundo da ciência e outra ao mundo da religião.
Neste livro, assistimos a uma interessante conversa entre a médica britânica Brit Cooper e Neale Donald Walsch, um mestre espiritual. Ambos falam sobre o espaço que Deus ocupa na medicina ocidental tradicional, aquela que os estudantes aprendem nos cursos de Medicina. São abordadas muitas questões controversas, como a possibilidade de Deus operar milagres através de um médico, a eutanásia, a interrupção da gravidez e os problemas ideológicos que estas questões levantam sobretudo a quem é crente. Por outro lado, a medicina entra cada vez mais no tratamento daquilo que nas religiões se considera ser a alma. É possível tratar uma alma? É uma conversa corajosa, mas onde todos os assuntos são tratados com o respeito que merecem, seja o conhecimento científico, seja a crença religiosa. Talvez ambos se possam relacionar pacificamente e não seja tudo uma questão de «isto ou aquilo». A tolerância exercida de ambas as partes.
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Neste livro, assistimos a uma interessante conversa entre a médica britânica Brit Cooper e Neale Donald Walsch, um mestre espiritual. Ambos falam sobre o espaço que Deus ocupa na medicina ocidental tradicional, aquela que os estudantes aprendem nos cursos de Medicina. São abordadas muitas questões controversas, como a possibilidade de Deus operar milagres através de um médico, a eutanásia, a interrupção da gravidez e os problemas ideológicos que estas questões levantam sobretudo a quem é crente. Por outro lado, a medicina entra cada vez mais no tratamento daquilo que nas religiões se considera ser a alma. É possível tratar uma alma? É uma conversa corajosa, mas onde todos os assuntos são tratados com o respeito que merecem, seja o conhecimento científico, seja a crença religiosa. Talvez ambos se possam relacionar pacificamente e não seja tudo uma questão de «isto ou aquilo». A tolerância exercida de ambas as partes.