Entrevista exclusiva a Dorothy Koomson

17 de janeiro de 2020
É uma das autoras negras de ficção mais vendidas do Reino Unido, mas começou tarde como novelista.
Dorothy Koomson escreveu o primeiro romance aos 13 anosThere’s A Thin Line Between Love And Hate (Há uma fina linha entre o amor e o ódio) – mas só em 2003 é que se dedicou oficialmente à escrita. Antes disso, teve vários empregos dos quais se destacam a carreira como jornalista.

Em Portugal, A Filha da Minha Melhor Amiga foi o romance de estreia, um livro simultaneamente trágico e alegre, que comoveu todos os leitores. E, desde então, não mais lhe perdemos o rasto.

Não se sabe muito Dorothy Koomson – a informação é escassa onde quer que se procure – pelo que nos propusemos a descobri-la um pouco melhor. No entanto, a autora garante: a melhor forma de a conhecermos é através dos livros que escreve.

Não perca esta entrevista exclusiva.
Dorothy Koomson
Dorothy Koomson é uma das maiores referências do romance feminino
 
«AS PROTAGONISTAS DOS MEUS LIVROS TÊM VIDAS BASTANTE MAIS INTERESSANTES DO QUE A MINHA»
First things first.
Quando procuramos por si na Internet, ao contrário daquilo que acontece com outros autores da sua dimensão, não encontramos um «livro aberto»: não há muitas entrevistas, nem informação pessoal, nem sequer a sua data exata de nascimento. Preza muito a sua privacidade?

Ao longo dos anos, fui dando algumas entrevistas, mas suponho que não sou uma pessoa que goste assim tanto de falar de si própria. Os protagonistas dos meus livros têm vidas bastante mais interessantes que a minha. Além disso, prefiro que sejam os meus livros a falar por mim.

Embora tenha escrito o seu primeiro livro aos 13 anos, só em 2003 é que deu oficialmente início à sua carreira de escritora com o romance O Amor Está no Ar.
O que aconteceu neste longo intervalo?

Nesse período continuei a escrever livros que apenas os meus amigos da escola liam, e escrevi muitos, muitos contos. Acabei o curso, trabalhei alguns anos e terminei o meu mestrado em jornalismo. Depois disso, tive uma série de trabalhos temporários como secretária, rececionista e no backoffice de um banco. Enquanto tentava uma carreira de jornalista continuei sempre a escrever contos. Trabalhei como freelancer num jornal nacional e, finalmente, consegui um emprego a tempo inteiro num semanário negro.(*)
Depois, trabalhei numa revista feminina e fui freelancer durante muitos anos. Durante todos estes anos, nunca parei de escrever nos meus tempos livres.
(*jornais de e para pessoas negras)

Na sua carreira literária, que conta com 15 livros publicados, há claramente um antes e depois. Numa fase inicial dedica-se, em exclusivo, ao romance e, mais recentemente, aventurou-se num novo género - o thriller. Porquê?
O afastamento dos livros estritamente emocionais que escrevia na altura e a adição de um elemento de crime começou no meu sexto livro, The Ice Cream Girls. Não foi intencional – a história que eu queria contar precisava de algo que separasse as duas protagonistas por 20 anos e que lhes desse uma forma de se voltarem a reunir sentindo uma ligação profunda, mas sem laços de amizade. Uma forma de fazer isso foi acusando ambas de homicídio; uma seria ilibada e a outra iria para a prisão. Desde esse livro passei a escrever o que chamo thrillers emocionais – histórias cujo crime é central ao enredo, mas que se focam principalmente nas emoções das pessoas envolvidas. Adoro escrever thrillers emocionais, mas continuo a aventurar-me pelos romances ficcionados de vez em quando.

Há um preconceito enraizado em relação ao romance no feminino como sendo literatura leve, de entretenimento. Mas na verdade, no seu caso, é tudo menos isso. Esse estigma incomoda-a?
Não me incomoda tanto como dantes. Muitos livros escritos de e para mulheres são leituras leves, mas, como grande parte dos meus, tratam assuntos sérios.
Nos meus livros, debruço-me sobre temas como assédio sexual, alcoolismo, doenças mentais, barrigas de aluguer e divórcio, mas também toco em assuntos leves. Ainda assim, mesmo que um livro seja superficial e divertido, isso importa? Não é possível que algo tenha valor independentemente de ser «leve» ou não?

O processo criativo que envolve essas histórias angustiantes tem um preço para si?
Escrevo sobre assuntos difíceis e é difícil largar algumas das coisas que ouço e leio, mesmo depois de o fazer. Por norma, essas coisas ficam comigo muito depois de ter terminado de escrever o livro, mas fazem parte do meu trabalho e, deste modo, suponho que é algo necessário. Quando sinto um peso demasiado grande, faço um esforço para fazer uma pausa e me divertir.

Que livros estão na sua mesa-de-cabeceira?
One Moment, de Linda Green, The House By The Sea, de Louise Douglas, e 40,001 Baby Names (eu uso-o para descobrir nomes para as minhas personagens.)

Neste momento, está a trabalhar num novo livro?
Recentemente, dei por concluídos todos os processos relacionados com o meu 16º livro, All My Lies Are True, a sequela de The Ice Cream Girls, por isso ainda não consegui começar um novo livro. Ainda assim, estou a trabalhar numa série de projetos que irei revelar nos próximos meses.

Que momentos na sua vida lhe dão conforto?
Quando estou a ler, escrever, ver filmes e televisão ou apenas a pensar.

Descreva-nos um dia perfeito.
Wow! Isso é pedir muito!
É muito variável. Em alguns dias, seria acordar, ter tempo para executar todas as tarefas administrativas e, depois, cozinhar um grande e agradável jantar.
Noutros dias, seria ter a possibilidade de passar dia e noite a escrever, e dormir o dia seguinte todo. Poderia ainda ser ir à praia e passar o dia a ler. Encontro prazer em tantos tipos diferentes de dias que não consigo descrever apenas um.

Livros relacionados

Wook está a dar

Subscreva!