Entrevista a Ildefonso Falcones

Natural de Barcelona, Ildefonso Falcones é um apaixonado por História e, desde que resolveu dedicar-se ao romance histórico, tem levado a cabo uma intensa investigação sobre a sociedade catalã do século XIV. O resultado é um fabuloso quadro vivo da Barcelona medieval. Tivemos a oportunidade de conversar com o escritor, que considera a literatura algo bastante sério, mas acredita que o problema são os literatos que se envolvem num manto de seriedade mística. Descubra tudo o que o autor de «A Catedral do Mar» nos contou.
Wook está na sua mesa de cabeceira?
El Monarca de las Sombras, de Javier Cercas e A Viúva Negra, de Daniel Silva.

Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro, Os Herdeiros da Terra?
Que o ofereceu a alguém; que gostou de o ler; e que a pessoa a quem o ofereceu também gostou.

Sabemos que o Ildefonso não acredita na inspiração, apenas no trabalho. Qual é a sua rotina de escrita?
Escrevo das 9h00 às 13h00 e das 17h00 às 20h00.

E há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Ficção científica, talvez seja um género que ainda não aprofundei o suficiente.
Entrevista a Ildefonso  Falcones
Ildefonso Falcones | Fotografia: JoanTomas
Inspirou-se em alguém da vida real para criar as personagens dos seus livros?
Não conscientemente. Mas acredito que todos temos a nossa carga pessoal e isso acaba por refletir-se nas personagens que criamos, ainda que involuntariamente.

Há muitas personagens femininas com um papel muito importante nos seus romances. Considera que é mais difícil entrar na psicologia de uma personagem feminina?
Para um escritor masculino, creio que sim, mas no final, em caso de erro, sempre contamos com a ajuda das mulheres (no meu caso, esposa, editora…).

Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas”. Concorda?
Os melhores livros são aqueles que permitem ao leitor participar no processo criativo do escritor; que contam com ele para que defina as situações e delineie as personagens que o autor deixa em aberto, Nesse sentido, estou de acordo com o provérbio.

Acredita que a literatura se leva a si mesmo demasiado a sério?
A literatura é algo bastante sério, incluindo a literatura de humor (bastante mais difícil que a dramática), pois cumpre uma função social. O problema são os literatos que se envolvem num manto de seriedade mística.

Já sentiu que não vai ser capaz de terminar um livro?
Não, mas já duvidei se valia a pena terminá-lo.

O que lhe dá a História para que se sinta tão bem a escrever sobre ela?
A História proporciona-me um marco, um contorno, que me permite descobrir factos desconhecidos e oferecer ao leitor situações atípicas, afastadas da realidade quotidiana. O resto, a trama, a ficção, geralmente é transponível à realidade atual.

A Catedral do Mar chegou ao écrã, numa série de televisão de 8 capítulos. O resultado final agradou-lhe?
Acredito que vou gostar. Ainda não tive oportunidade de vê-la, mas os profissionais que a realizaram são de um prestígio, por isso é de esperar uma grande série.

Wook não gosta de ouvir?
O som do choro.

Se o dinheiro não fosse uma limitação, onde optaria por fazer a investigação do seu próximo livro?
Para mim a limitação não é tanto o dinheiro – também, claro -, mas sobretudo os idiomas. Trabalho com muitos livros e se não conheço o idioma…

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Julio César.

Se tivesse um poder, qual seria?
O de fazer a minha família feliz.

O Ildefonso estudou nos Jesuítas de Sarriá. Chegou a cruzar-se com Carlos Ruíz Zafón nessa altura?
Acredito que sim, mas ele é mais novo que eu, ou seja, dificilmente teríamos a oportunidade de nos conhecer.

Que projetos tem para o futuro?
Continuar a escrever. Continuar a viver.
Booktrailer do livro Os Herdeiros da Terra, de Ildefonso Falcones

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