Entrevista a Eugénio Lisboa

Eugénio Lisboa não gosta que lhe digam que está cada vez mais novo. Ensaísta e crítico literário português, é considerado o maior especialista em José Régio. Estivemos à conversa com com esta grande figura da cultura portuguesa a propósito de uma paixão que temos em comum: os livros!
Wook está na sua mesa de cabeceira?
Uma biografia de Edgar Poe, por Peter Ackroyd, e um livro intitulado The Secret Anarchy of Science.

Pense numa pessoa. Wook diria essa pessoa sobre o seu último livro?
Que o leu com prazer de ponta a ponta.
Entrevista a Eugénio Lisboa
Eugénio Lisboa
Considera que o seu último livro é o melhor que escreveu até hoje?
Mais modesta e cautelosamente, diria que é um dos melhores.

Escolhe os temas dos livros ou os temas escolhem-no a si?
Ora uma coisa, ora a outra.

Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
Não gosto de escrever sobre assuntos que não domine bem. E não gosto de ler prosa pretensiosa, mal amanhada e opaca.

Há um provérbio sueco que diz: “Quando o livro é bom, o melhor está nas entrelinhas.” Concorda?
Mas convém não esquecer o que dizem as linhas. Para evitar especulações delirantes.

Já alguma vez sentiu que não vai acabar de escrever um livro?
Não. Mas já tive medo e pena de poder não acabar um livro. Por exemplo: um romance que ando a escrever e trago no ventre, há muito tempo.

Qual é o seu poema favorito?
Talvez o soneto de Camões sobre a mudança.

Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
Não gosto que me digam que estou cada vez mais novo.

Qual é a pior e a melhor parte de ser escritor?
Ser uma actividade extremamente solitária; ser uma actividade extraordinariamente portadora de felicidade. É-se feliz, mesmo a escrever sobre coisas tristes (desde que não demasiado recentes).

Se o dinheiro não fosse uma condicionante, onde optaria por fazer a pesquisa do seu próximo livro?
Em casa.

Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
Obviamente, Oscar Wilde. O seu espírito cintilante ilumina qualquer festa.

Se tivesse um superpoder, qual seria?
O de trazer de novo à vida um ser amado que tivesse perdido.

Wook gostaria de ler sobre si?
Que falei sempre franco e sem medo de ir contra a corrente. E que fui claro no que disse.

Consegue nomear três autores que o inspiram?
Camões, Stendhal, Montherlant.

Wook mal pode esperar para ler?
Cada novo romance policial de Robert B. Parker. Infelizmente, entretanto, morreu.

Wook tem vergonha de nunca ter lido?
A Chanson de Roland e A Divina Comédia. Se perdi ou não grande coisa, isso já é outra história…

Projectos para o futuro?
Uma reedição (aumentada) da minha poesia, um epílogo para as minhas memórias (que ando a redigir), um romance já começado (O Espanto) e um ou dois volumes de ensaios. Dada a minha idade, não é pequena ambição.

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