Emilio Ortiz: «Sempre quis escrever um romance»
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Foi um sucesso de vendas.
8 de fevereiro de 2018
Pode-nos contar um pouco sobre aquilo que vamos encontrar no seu livro «Através dos Meus Pequenos Olhos»?
«Através dos meus pequenos olhos» é a história de Mario, um jovem cego que faz o seu caminho no mundo atual com as mesmas dificuldades que qualquer outra pessoa da sua idade, mas com a peculiaridade de que ele também é cego. Tudo isso é narrado pelo seu cão-guia Cross, que dá ao livro um ponto bastante original e permite ao leitor entrar na pele e pensar como um ser de outra espécie.
«Através dos meus pequenos olhos» é a história de Mario, um jovem cego que faz o seu caminho no mundo atual com as mesmas dificuldades que qualquer outra pessoa da sua idade, mas com a peculiaridade de que ele também é cego. Tudo isso é narrado pelo seu cão-guia Cross, que dá ao livro um ponto bastante original e permite ao leitor entrar na pele e pensar como um ser de outra espécie.
Emilio Ortiz
Sabemos que o livro não se baseia na sua vida, mas o Emilio também tem, desde 2010, um cão-guia muito parecido com o protagonista do seu romance, correto? Lembra-se da experiência do seu primeiro contato com ele?
Para mim, foi uma experiência inesquecível. Eu ouso compará-lo com o nascimento de uma criança. Eu estava consciente, naquele momento, que quando eu senti e acariciei pela primeira vez o pelo macio de Spock, que é o nome do meu Golden Retriever, eu percebi que ele ia alguém muito importante na minha vida. Nós seríamos inseparáveis a partir daí.
Como surgiu a ideia de escrever um romance narrado pelos olhos de um cão-guia?
Sempre quis escrever um romance. Eu estava muito confortável e bem encaminhado nos contos, mas queria dar um salto ao género de narrativa e poder contar aos meus leitores as questões que me preocupam sem ter que medir o espaço das páginas. Eu tive o tema, a incompreensão que sinto para com o estilo de vida da humanidade, o sistema político-económico, ou outros ... Só faltavam a história e o narrador. Um dia, estava com Spock num jardim e pensei que um ser como ele seria o narrador ideal que eu procurava e, além disso, a vida de um cão-guia é muito romântica. Eu tive que procurar o tom e o ritmo do livro e, com o tempo, eu consegui. Uma das coisas que o leitor valoriza mais neste livro "Através dos meus pequenos olhos" é o ponto de vista como a Cross vê o nosso mundo.
Acha que um escritor escolhe os temas dos seus livros ou são os temas que o escolhem?
Eu acho que na maioria dos casos são escritores que são atacados pelos temas. Sobem por ti e sequestram-te, e enquanto não lhes dás o que eles querem, desenvolvendo um trabalho ou mesmo vários , depende da ambição que o sujeito tem, eles não te deixam sossegado.
Qual é a sua rotina de escrita?
Quando escrevo um conto ou micro-conto, a ideia pode surgir-me como um flash e tenho que anotá-la rapidamente no smartphone. Se é não-ficção, tenho que, pelo menos, guiar-me por um esquema básico. Ao escrever um romance, sou mais caótico, costumo escrever uma primeira versão que me faz sentir mais confiança com as personagens e os cenários, e depois vou aperfeiçoando. É semelhante a esculpir uma escultura. Primeiro trato da forma e depois dos detalhes. Gosto muito de escrever de manhã no meu escritório, nos comboio e nos hotéis, sempre depois de um café.
Wook está na sua mesa-de-cabeceira?
“El cura de la aldea”, de Balzlac.
De todos os livros que leu, com qual se identifica mais?
É quase impossível optar por um único livro. São muitos os momentos e muitos os livros. Também de acordo com os critérios que escolhemos. No entanto, existe um livro que tendo a reler com relativa frequência. Talvez porque não é extenso, por causa da sua leveza e simplicidade, e porque encerra questões tão simples e profundas ao mesmo tempo em apenas cem páginas. É "O Principezinho".
Nomeie uma coisa que não gosta que lhe digam.
Guerra, violência, racismo, desigualdade, intolerância, machismo. São muitas coisas, mas acima de tudo não gosto que ninguém sinta inveja ou pena de mim. Não têm motivos para fazê-lo e isso acontece com frequência.
Imagine que pode jantar com um escritor, vivo ou morto. Quem escolheria?
Tive a sorte de partilhar bons momentos nos últimos meses com autores que admiro há muitos anos. Se eu escolhesse um autor para jantar, teria que ser alguém que no momento não esteja ao meu alcance e que eu admiro como é o caso de Márgaret Atwood. Ou alguém contra quem não tenho nada, mas certamente teremos uma conversa polémica, enriquecedora, controversa e interessante, como é o caso de Arturo Pérez-Reverte, com quem tenho opiniões muito diferentes em muitas ocasiões, mas ao mesmo tempo reconheço que muitas das suas teses são bem fundamentadas. Também adoro ter amigos e conhecidos que não pensam como eu, sempre aprenderemos algo novo com eles.
Se tivesse um superpoder, qual seria?
Voar, digo-o sem dúvida alguma. Desde pequeno que sempre o quis, mas eu poderia desistir apenas no caso de ter que usar algumas das minhas cuecas tão horríveis quanto as da Super Man.
Gostaria de ver o seu romance no cinema?
Sim, gostaria de qualquer adaptação artística do meu trabalho. Do mais convencional, teatro, cinema, pintura ou mais moderno, vídeojogo ou comic. Sempre e enquanto for feito com talento e respeito pelo público.
E no seu próximo livro, todos os protagonistas serão humanos?
Espero que não, porque já estamos todos cansados de nós mesmos. Eu, desde logo.