Eclipse solar de 12 de agosto: 5 livros para compreender melhor o espaço
Muito antes dos telescópios, os eclipses despertavam receios, alimentavam mitos e eram vistos como um sinal dos deuses. Hoje sabemos que tudo resulta de um extraordinário alinhamento entre o Sol, a Lua e a Terra, o que não lhe retira encanto. Pelo contrário: perceber a ciência por detrás de um eclipse torna-o ainda mais impressionante.
Seja para responder às perguntas dos mais novos, compreender melhor como funciona o Universo ou simplesmente aproveitar este momento para descobrir mais sobre astronomia, reunimos 5 livros que ajudam a transformar alguns minutos de observação numa viagem muito mais longa pelo cosmos.
- Um eclipse solar acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol.
- Os eclipses são raros porque a órbita da Lua está inclinada relativamente à da Terra.
- Existem eclipses totais, parciais e anulares.
- Nunca devemos observar o Sol diretamente sem proteção certificada.
- Os eclipses continuam a ser um dos fenómenos naturais mais estudados e fotografados do mundo.
Um eclipse solar ocorre quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol, projetando a sua sombra sobre uma parte da superfície terrestre. Apesar de o Sol ser cerca de 400 vezes maior do que a Lua, encontra-se aproximadamente 400 vezes mais distante da Terra. Esta coincidência faz com que ambos tenham praticamente o mesmo tamanho aparente quando vistos do nosso planeta, permitindo que a Lua consiga ocultar parcial ou totalmente o disco solar.
Durante um eclipse total, o céu escurece durante alguns minutos, a temperatura pode descer ligeiramente e tornam-se visíveis estruturas normalmente escondidas pelo intenso brilho solar, como a coroa do Sol. Nos eclipses parciais, apenas uma parte do disco solar fica encoberta, enquanto nos eclipses anulares a Lua encontra-se um pouco mais afastada da Terra e não consegue tapar completamente o Sol, deixando visível um impressionante "anel de fogo".
Embora a Lua complete uma volta em torno da Terra todos os meses, os eclipses não acontecem em todas as luas novas. A razão é simples: a órbita lunar está inclinada cerca de cinco graus relativamente ao plano da órbita terrestre. Na maior parte das vezes, a Lua passa ligeiramente acima ou abaixo do Sol visto da Terra. Apenas quando estes três corpos se alinham quase na perfeição é que um eclipse acontece.
Os eclipses ajudaram os cientistas a fazer algumas das descobertas mais importantes da história da astronomia. Foi durante um eclipse total, em 1919, que o físico e matemático Arthur Eddington conseguiu confirmar experimentalmente uma das previsões da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, demonstrando que o campo gravítico de um corpo luminoso suficientemente denso conseguiria deslocar o comprimento de onda da luz emitida no sentido de comprimentos de onda maiores, a tal ponto de esse efeito ser observável da Terra como um “avermelhamento” da luz. Por outras palavras, observou que a gravidade desvia a luz das estrelas.
Os eclipses serão sempre oportunidades únicas para observar o céu, despertar a curiosidade científica e recordar que fazemos parte de um sistema muito maior do que realidade que vemos diariamente.
O ECLIPSE SOLAR DE 12 DE AGOSTO VAI ATINGIR OS 100% DE OCULTAÇÃO?
Como se pode constatar na página online do Planetário do Porto, em Portugal continental, a percentagem de ocultação oscilará entre os 99,9% (em Bragança) e os 92,8% (em Faro). A faixa de eclipse solar total (100% de ocultação) que durará cerca de 20 segundos ocorrerá apenas numa pequena área do Parque Natural de Montesinho, que estará inacessível.
A faixa principal de totalidade atravessará o norte da Península Ibérica – desde o litoral da Galiza até às Ilhas Baleares –, onde a fase total alcançará até cerca de 1m30s de duração.
COMO OBSERVAR UM ECLIPSE SOLAR EM SEGURANÇA?
Um eclipse solar é um espetáculo extraordinário, mas nunca deve ser observado diretamente a olho nu, mesmo quando grande parte do Sol parece estar coberta. A radiação solar pode provocar lesões permanentes na retina sem causar dor imediata.
A forma mais segura de acompanhar o fenómeno passa pela utilização de óculos certificados especificamente para observação solar ou através de métodos de projeção indireta. Binóculos e telescópios apenas devem ser utilizados com filtros próprios colocados à frente da objetiva. Nunca se deve improvisar com óculos de sol, radiografias, CDs, películas fotográficas ou outros materiais que não oferecem proteção adequada.
Para quem pretende observar o eclipse em família, esta pode ser também uma excelente oportunidade para despertar o interesse das crianças pela ciência.
CINCO LIVROS PARA CONTINUAR A EXPLORAR O CÉU
Fábio da Silva assume-se como um "astronauta da curiosidade", movido pelo desejo de compreender o Universo e de partilhar o fascínio que o cosmos desperta. Depois de conquistar dezenas de milhares de leitores com o projeto de divulgação científica Universo Perpendicular no Instagram, reúne neste livro as cem perguntas, temas e curiosidades que mais interesse suscitaram junto do público. Mais do que apresentar respostas definitivas, convida o leitor a explorar o espaço através de novas perspetivas, transformando a ciência numa viagem acessível, inspiradora e repleta de maravilhamento. E, como ele diz, «continua a dar espaço», sobretudo neste eclipse!
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Há poucos divulgadores científicos portugueses tão associados à astronomia como o físico Máximo Ferreira. No seu livro O Céu é o Máximo!, o autor e diretor do Centro Ciência Viva de Constância - Parque de Astronomia escreve com a clareza de quem conhece profundamente o céu, sem nunca perder a capacidade de comunicar com leitores de todas as idades. Por que existem eclipses? Como se orientam os astrónomos? De que forma identificamos planetas e constelações? Estas e muitas outras perguntas encontram a resposta certa neste livro que torna acessíveis temas que muitas vezes parecem reservados aos especialistas. É uma excelente escolha para quem, depois de observar um eclipse, sente vontade de perceber realmente o que aconteceu diante dos seus olhos e continuar a explorar o céu pela vida fora.
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Sabe por que motivo a Lua tem diferentes fases? Ou porque existem estações do ano? E o que distingue um planeta de uma estrela? O que Se Passa Acima das Nossas Cabeças responde às muitas perguntas que surgem naturalmente quando começamos a observar o céu. A astrofísica e investigadora Elisabete da Cunha incentiva a observação direta do céu e demonstra que a astronomia não depende apenas de telescópios sofisticados: basta saber o que estamos a ver. Uma obra que faz uma introdução fascinante ao funcionamento do Sistema Solar, dos movimentos da Terra e dos fenómenos astronómicos que podemos acompanhar ao longo do ano. Vai ver que, depois de encontrar uma resposta, vai querer saber muito mais!
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Observar um eclipse é perceber que fazemos parte de um mecanismo cósmico muito maior do que a nossa experiência quotidiana. É precisamente essa mudança de perspetiva que Trinh Xuan Thuan propõe em A Vertigem do Cosmos. Astrofísico de renome internacional, o autor conduz o leitor desde a origem do Universo até às grandes questões que continuam por responder: como nasceram as galáxias, porque existe matéria em vez de vazio e qual poderá ser o destino do cosmos. A cada descoberta reforça a sensação de espanto perante a escala do Universo e perante o lugar, simultaneamente insignificante e extraordinário, que nele ocupamos. Depois do espanto que é viver um eclipse, este é talvez o livro ideal para quem percebe que olhar para o céu é também uma forma de pensar sobre a nossa própria existência, eternamente ligada ao Cosmos.
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Este pequeno e colorido livro ilustrado conta a história da vida do astrofísico Neil de Grasse Tyson, acompanhando-o desde que descobriu a sua paixão pela astronomia, ainda na infância. Uma ida em família ao planetário – do qual se viria a tornar diretor – mudou a sua vida. Passeou cães durante dois anos para juntar dinheiro para comprar um telescópio; ganhou uma viagem no Oceano Atlântico para ver um eclipse solar total, e viveu tantas outras aventuras sempre com os olhos nas estrelas. Neil acredita que todas a pessoas se devem deslumbrar pelo menos uma vez ao dia e este eclipse solar é uma oportunidade de ficar deslumbrado por muito tempo…
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Um eclipse lembra-nos que vivemos num Universo em permanente movimento. A Terra roda sobre si própria, percorre uma órbita em torno do Sol e é acompanhada por uma Lua que nunca deixa de viajar à sua volta. Durante alguns minutos, estes movimentos alinham-se com uma precisão extraordinária e oferecem-nos um espetáculo que junta na mesma equação milhões de quilómetros de distâncias, velocidades incríveis e a poderosa gravidade.
Ao mesmo tempo, um eclipse devolve-nos uma experiência rara no quotidiano moderno: parar. Durante alguns instantes, desligamos os ecrãs, levantamos os olhos e partilhamos o mesmo céu com milhares de pessoas. Não importa a idade, a profissão ou o conhecimento científico de cada um. Todos observamos o mesmo fenómeno e fazemos, inevitavelmente, as mesmas perguntas.
Cada eclipse, chuva de meteoros ou nova impressionante imagem captada por telescópio de alta tecnologia recorda-nos que ainda conhecemos apenas uma pequena parte do Universo e ajuda-nos a recuperar uma sensação cada vez mais rara: a de pertencermos a algo muito mais vasto do que a Humanidade.
O que é um eclipse solar?
É o fenómeno que ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, ocultando parcial ou totalmente o disco solar.
Por que não há mais eclipses?
Se a Lua estivesse numa órbita perfeitamente circular e no mesmo plano orbital que a Terra, haveria eclipses solares totais em cada lua nova. Em vez disso, como a órbita da Lua está inclinada cerca de 5 graus em relação à órbita da Terra, a sua sombra normalmente não atinge a Terra.
É seguro olhar para um eclipse?
Apenas utilizando óculos certificados para observação solar ou outros métodos de observação apropriados. Nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.
Qual a diferença entre um eclipse parcial, total e anular?
Num eclipse parcial apenas parte do Sol fica coberta. Num eclipse total, a Lua cobre completamente o Sol. No eclipse anular, a Lua está mais distante da Terra e deixa visível um anel luminoso em torno do disco lunar.
Que livros ajudam a compreender melhor os eclipses e a astronomia?
Qual é o Nosso Lugar no Universo, de David Sobral, O Céu é o Máximo!, de Máximo Ferreira, A Vertigem do Cosmos, de Trinh Xuan Thuan, O que Se Passa Acima das Nossas Cabeças, de Elisabete da Cunha, e Olha para o Céu Comigo, de Jennifer Berne e Lorraine Nam, são excelentes pontos de partida para diferentes idades e níveis de conhecimento.