Hubert Reeves, o poeta das estrelas
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19 de outubro de 2023
Ficou conhecido como o poeta das estrelas, esses astros que adorava e dos quais, como tantas vezes lembrava, todos somos originários. Hubert Reeves, o reconhecido astrofísico e divulgador científico canadiano morreu no passado dia 13 de outubro, aos 91 anos. O seu nome está, literalmente, gravado nas estrelas – o asteroide (9631) 1993 SL6 tem, há já um quarto de século, o seu nome.
Nascido em Montreal a 13 de julho de 1932, Hubert Reeves desenvolveu desde muito cedo uma paixão pela ciência. Ainda criança, à noite, na sua casa no Quebeque, saía com a sua família para admirar o céu, onde aprendeu a reconhecer as constelações. Desde o dia em que um professor levou a sua turma a observar as manchas solares refletidas num cartão, quando tinha 10 anos, ficou rendido à astronomia. Doutorou-se em Astrofísica e, no início dos anos 60, foi conselheiro científico da NASA e professor universitário de Física Nuclear. Dirigiu o Centro Nacional de Investigação Científica de França e foi conselheiro da Comissão de Energia Atómica do país.
Nascido em Montreal a 13 de julho de 1932, Hubert Reeves desenvolveu desde muito cedo uma paixão pela ciência. Ainda criança, à noite, na sua casa no Quebeque, saía com a sua família para admirar o céu, onde aprendeu a reconhecer as constelações. Desde o dia em que um professor levou a sua turma a observar as manchas solares refletidas num cartão, quando tinha 10 anos, ficou rendido à astronomia. Doutorou-se em Astrofísica e, no início dos anos 60, foi conselheiro científico da NASA e professor universitário de Física Nuclear. Dirigiu o Centro Nacional de Investigação Científica de França e foi conselheiro da Comissão de Energia Atómica do país.
Huber Reeves, Foto ©Rama, Licença CC BY-SA 2.0
Reeves era também um fervoroso defensor do ambiente, apelando diretamente à ação dos políticos. Para este cientista, a astronomia e a ecologia eram «duas facetas do mesmo tema», que é o da nossa existência. Como escreveu, «A astronomia, ao contar-nos a história do universo, diz-nos de onde viemos, como chegámos até aqui. A ecologia, ao dar-nos a conhecer as ameaças ao nosso futuro, tem como objetivo dizer-nos como nos mantermos nele».
Movido pelo desejo de partilhar as maravilhas do universo com o mundo, Reeves escreveu mais e 40 livros e realizou numerosos filmes e documentários que chegaram a grandes audiências em todo o mundo. Algumas das mais simples e bonitas meditações deste grande contador de histórias e divulgados científico encontram-se nas pásginas de O Banco do Tempo que Passa. Se soubermos olhar, até numa simples peça de fruta podemos encontrar a perenidade.
O PODER DA PERENIDADE
«
Esta manhã, ao pequeno-almoço, tirei um pêssego de um cesto. Com uma faca, cortei-o. Senti sob os meus dedos a resistência do caroço. A sua presença dura e áspera no centro das camadas tenras da polpa recordou-me o seu papel no futuro da sua linhagem. Enterreio-o num vaso. Talvez dele nasçam descendentes. Florirão por seu turni e colorirão as primaveras com as suas enternecedoras flores róseas de pessegueiro. Outras pessoas deliciar-se-ão com os seus frutos.
(…) Um aspecto notável da vida é a sua capacidade de durar, de se perpetuar em condições por vezes extremamente hostis. Aquilo a que podemos chamar a sua capacidade de perenidade. Os grandes fetos que se encontram na minha sala são os descendentes de uma linhagem que se reproduziu com sucesso milhões de vezes. Ao longo dos cerca de três mil milhões de anos da sua existência, a vida na Terra sofreu uma série de crises e de perturbações geológicas, climatológicas, meteoríticas que teriam podido aniquilá-la inúmeras vezes. Isto não aconteceu. (…) a vida desenvolve-se cada vez mais e as flores da vegetação desabrocha, fielmente cada Primavera. Os agentes desta força envolvem-me esta manhã, ao pequeno-almoço.
Para me incluir neste grande movimento cósmico, reguei as begónias.
Hubert Reeves
(…) Um aspecto notável da vida é a sua capacidade de durar, de se perpetuar em condições por vezes extremamente hostis. Aquilo a que podemos chamar a sua capacidade de perenidade. Os grandes fetos que se encontram na minha sala são os descendentes de uma linhagem que se reproduziu com sucesso milhões de vezes. Ao longo dos cerca de três mil milhões de anos da sua existência, a vida na Terra sofreu uma série de crises e de perturbações geológicas, climatológicas, meteoríticas que teriam podido aniquilá-la inúmeras vezes. Isto não aconteceu. (…) a vida desenvolve-se cada vez mais e as flores da vegetação desabrocha, fielmente cada Primavera. Os agentes desta força envolvem-me esta manhã, ao pequeno-almoço.
Para me incluir neste grande movimento cósmico, reguei as begónias.
Hubert Reeves
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