Clássicos da Poesia - I
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26 de fevereiro de 2025
Tendemos a valorizar a ficção em relação à poesia. Não há mal algum, até porque, sendo ambas literatura, são muito diferentes as impressões que nos provocam. Haverá poética na ficção, enredo num poema? É natural que sim. Mas por vezes merecemos suster o fôlego às primeiras letras de um verso e expirar apenas no fim. Será que já lemos os clássicos da poesia? Esta lista claramente não os esgota. Mas serve para aguçar o apetite para os poemas. Por enquanto, os poetas estrangeiros preferidos.
Emily Dickinson – Poemas Selecionados
Emily Dickinson (1830-1886) criou uma poesia de formato breve mas enérgico, marcada pelo uso inovador de pontuação e métrica. Daquele tipo de construções cuja complexidade está tanto na forma, como na emoção. Por cá temos este Poemas Selecionados, que revela a sua visão singular sobre a natureza, a morte e o amor e que nos fala sobre a interioridade da alma. O isolamento em que a poeta viveu traduziu-se numa escrita íntima e meditativa, que desafiou as convenções da época mas deixou um legado muito importante. O impacto de Dickinson na poesia moderna é imenso, sendo hoje reconhecida como uma das maiores vozes da literatura americana. Ler Dickinson é mergulhar na delicadeza e na profundidade de uma mente visionária, numa altura em que às mulheres, tantas vezes, não era permitido expressar a sua veia poética em toda a amplitude.
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Pablo Neruda – Poemas de Amor
Pablo Neruda (1904-1973) transformou a poesia sobre o amor. Ou terá mesmo transformado o amor? Pela sua pena foram escritos versos que exaltam a paixão e a sensualidade, nos falam de barcos que navegam para portos onde talvez não nos esperem. Poemas de Amor reúne alguns dos seus textos mais marcantes sobre o desejo, a ausência e a fusão entre corpo e alma. Reconhecido, em todo o mundo, pela sua escrita imagética, que tantas vezes se apega ao mágico, Neruda constrói metáforas que tornam o amor um espaço de descoberta, mas também de espera, tensão. A linguagem dos seus poemas, talvez por ser acessível e musical, emociona leitores de diferentes gerações. A força dos versos de Neruda ressoa para além do tempo, tornando a sua obra indispensável para quem busca a poesia da emoção esdrúxula.
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Carlos Drummond de Andrade – Boitempo
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) fala-nos de uma brasilidade que a todos nos remete para um território imaginário comum. O autor explorou com mestria a memória e a passagem do tempo ao longo de todo o seu trabalho poético. O preferido por aqui é Boitempo, um retrato lírico da infância e das transformações do Brasil, onde o poeta revisita afetos e paisagens do passado. A linguagem não traz grandes problemas, o que nos deixa espaço para usufruir de uma escrita repleta de subtilezas. Em Drummond entrelaça-se o pessoal e o coletivo, o quotidiano e o filosófico. Mas tudo de uma forma tão bonita que nos deixa sempre uma certa leveza, um ritmo que associamos à música brasileira. Esta obra, em particular, evidencia a capacidade do autor de capturar a fugacidade da vida com emoção contida e um olhar muito presente. Boitempo é um revisitar do passado com a consciência do presente.
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Safo – Poemas e Fragmentos
Safo (c. 630 a.C. – c. 570 a.C.) é bastante conhecida como sendo uma das primeiras mulheres poetas de que há memória. Mas devia ser mais conhecida ainda, pois trata-se de uma das vozes mais antigas da poesia lírica ocidental. Não seria nada má ideia tornar os seus versos mais estudados, por exemplo, na escola secundária. Poemas e Fragmentos reúne o que resta da sua obra, revelando uma escrita onde o desejo e já a saudade, sentimento que consideramos tão nosso, se entrelaçam. Os versos têm um ritmo delicado, celebram o amor e a feminilidade com uma profundidade que atravessa séculos. Mesmo em fragmentos, a sua poesia mantém uma força contemporânea, que nos fala ao ouvido e nos conta, também, quem somos.
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