«Cebola Crua com Sal e Broa»

Cebola Crua com Sal e Broa
Capa do livro Cebola Crua Com Sal e Broa de Miguel Sousa Tavares
UM TESTEMUNHO DA INFÂNCIA PARA O MUNDO
Miguel Sousa Tavares partilha num novo livro as suas memórias mais remotas – da infância, da família e do mundo que viu. Da sofrível separação dos pais aos seis anos, da primeira viagem a Madrid, como enviado especial da RTP, da vida familiar, caótica e sem regras, das viagens pelo mundo e dos amores. Mas também do mar gelado a Norte e do que limpa a alma a Sul, do colégio dos Jesuítas frequentado oito anos num longo e profundo ódio, da Faculdade de Direito, da política. De Chico Buarque, Jorge de Sena, Ruy Belo, visitas frequentes numa casa onde sempre se respirou liberdade.

«Não é impunemente que um tipo cresce a comer arroz de feijão todos os almoços e cebola crua com sal e broa todos os lanches.»

Leia um excerto do livro:
A ESCOLA ALTERNATIVA. UMA CASA DIFERENTE, JAMAIS POSTA EM SOSSEGO.
«Mas sim, tive sempre uma escola alternativa, que era a casa dos meus pais. Aquilo era um universo anárquico, irracional por vezes, fascinante muitas outras. Mas não era um mundo fácil para se crescer como adolescente: ou se aproveitava o que era fascinante e se ultrapassava o resto, ou se sucumbia.
(…)
Crescemos e aprendemos a viver num ambiente que era estranho e incompreensível a todos os meus amigos de então. Era uma casa sem horários, sem rotinas, sem nada daquilo que dá segurança às crianças. Nunca se sabia quando é que o meu pai vinha jantar, quando é que a minha mãe deixaria de recitar poesia ou de dançar como uma bailarina pela noite fora ou de entrar pelo meu quarto adentro a meio da noite, para ver se não haveria um ladrão debaixo da minha cama.
VERÃO. OS MARES DO NORTE. O ALGARVE E A DESCOBERTA DO PARAÍSO. O MEU MELVILLE
«Comparado com a Granja, o Algarve era um absoluto deserto de oportunidades de namoro e paixão.
Fui um privilegiado: conheci o Algarve em 1961, antes de tudo acontecer. Depois, fui vendo tudo acontecer. Mas depois, já sabem o resto da história. O Algarve foi envelhecendo à minha vista, sem que eu nunca deixasse de o amar, como suponho que acontece a um homem que ama a mesma mulher uma vida inteira. Mas também fui envelhecendo ao sol do Algarve. Todos os anos, assim que volto a vê-lo, corro ao seu encontro e mergulho na sua água transparente para lhe dizer que estou de volta, que não esqueci nada e para que ele me lave de mais um ano vivido. Porque tudo a água lava.
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