Caminhar é uma arte - e a prova disso está aqui

«Caminhar tornou possível que nos tornássemos no que somos.»
A Arte de Caminhar
A Arte de Caminhar
Se já leu Silêncio na Era do Ruído sabe perfeitamente quem é Erling Kagge; caso contrário, vamos às apresentações.
Kagge é um dos maiores aventureiros e um exploradores do nosso tempo. Foi a primeira pessoa a atingir, sozinha, o Polo Sul, após uma travessia solitária da Antártida (sem comunicações) durante 50 dias. Dois anos antes, tinha chegado ao Polo Norte, viajando cerca de 800 quilómetros pelo gelo do Ártico, sem qualquer apoio exterior. Em 1994, subiu ao Evereste – tornando-se a primeira pessoa a alcançar os três polos: Norte, Sul e o Pico Everest.
É norueguês, tem 63 anos e é dos autores mais inspiradores que temos na nossa estante.

Neste novo livro, o autor explora o conceito da caminhada, num misto de narrativa pessoa e reflexão filosófica.

Na história da Humanidade, primeiro aprendemos a caminhar; depois a fazer fogo e a preparar comida; finalmente desenvolvemos a linguagem: «Caminhar tornou possível que nos tornássemos no que somos.»
O AUTOR
Erling Kagge
EXCERTO
«Tudo se move mais devagar quando caminho; o mundo torna-se mais suave e, durante um curto espaço de tempo, não me encontro a realizar tarefas domésticas, nem numa reunião, nem a ler manuscritos. Um homem livre tem tempo. (…) Ao caminhar torno-me o centro da minha própria vida, mas pouco depois esqueço-me completamente de mim.
(…) Quando estou com pressa quase não consigo prestar atenção a nada. Quando estamos num carro a conduzir em direção a uma montanha, vislumbrando rapidamente por todos os lados pequenos lagos, encostas, rochas musgo e árvores, a vida fica reduzida; torna-se mais curta. Não nos apercebemos do vento, dos cheiros, nem do tempo nem da luz que vai mudando. Os nossos pés não ficam doridos.
(…)
Contudo, se fizermos a pé este mesmo percurso (…) a pouco e pouco, a montanha vai surgindo à nossa frente e tudo o que nos rodeia parece ganhar mais espaço.
(…)
Os nossos olhos, ouvidos, nariz, ombros, estômago e pernas falam com a montanha, e a montanha responde-lhes. O tempo expande-se, sem depender de horas ou minutos.
E é precisamente este o segredo que detêm todos aqueles que andam a pé; a vida prolonga-se quando andamos a pé. Caminhar expande o tempo em vez de o fazer colapsar.»

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