Backman: da Suécia para o mundo

Por Ana Bárbara Pedrosa 
17 de janeiro de 2020
Do nada, Fredrik Backman conquistou leitores. O autor sueco iniciou-se com Um Homem Chamado Ove e, para além de ter vendido milhões de exemplares, já viu parte da sua obra adaptada para série ou filme.
 
UM HOMEM CHAMADO OVE
Ove é desagradável, e o que pode ser melhor do que isso para conquistar leitores? Com 59 anos, vê-se viúvo, depois de ter vivido um grande amor com uma mulher que era a sua antítese – ela otimista, ele realista; ela sonhadora, ele pragmático; ela luz, ele noite. Já na viuvez, a vida para Ove sabe a coisa pouca, custa-lhe roubar alegria aos dias, e por isso o leitor depara-se apenas com mau feitio e intransigência. Sendo Ove tão inteiramente inflexível, os momentos de graça percorrem toda a narrativa, e o incómodo alheio tem um carácter lúdico.
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A MINHA AVÓ PEDE DESCULPA
Aqui, Backman dá-nos um tom infantil que não desfasa do resto da sua obra. Afinal, os seus romances são muito voltados para a ação, a escrita é pragmática, o texto é funcional. Assim, existem pela história que contêm, e que entretém o leitor. Neste caso, começamos por saber mais do que Elsa, de sete anos, que não sabe que a avó está doente. Ao morrer, esta deixa para trás uma série de cartas sobre os seus arrependimentos, que passam a ser seguidos pelo olhar pueril da neta. A narrativa é rápida, o tom é contemporâneo.
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BRITT-MARIE ESTEVE AQUI
Neste livro, Backman repete com sucesso a fórmula do seu primeiro romance. Como Ove, também Britt-Marie é desagradável, padecendo de alguma obsessão-compulsão. Não sabe viver em sociedade e, ao mesmo tempo que lhe seguimos os espaços, temos as reações alheias. Ao contrário de Ove, que enfrenta a morte de um amor perfeito, Britt-Marie ultrapassa a infidelidade do ex-marido. Num e noutro caso, temos a remodelação da vida após o fim de uma relação de muitos anos. Britt-Marie traz humor e situações inesperadas, o que para o leitor funciona como bom entretenimento.
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GENTE ANSIOSA
Gente Ansiosa é o mais recente livro de Backman, tendo sido recentemente adaptado para uma série da Netflix. Como os livros anteriores, também se baseia num tom leve e numa matiz cómica. Aqui, um assaltante incompetente tenta roubar um banco – e então descobre que não há dinheiro. Na fuga, dá por si com uma série de reféns, apanhados numa visita a um apartamento para venda. Os polícias que seguem o caso não estão habituados a lidar com coisas sérias. Tateiam enquanto tentam descobrir o que fazer, e Backman vai delineado vários fios de ação sem deixar que a narrativa se perca. Pelo caminho, há sempre absurdo, e portanto há sempre humor.
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