Autor da semana: Fiódor Dostoiévski

Escrever uma biografia de Fiódor Dostoiévski é lembrar que a sua literatura mudou para sempre a biografia de muitos leitores. E está prestes a mudar a sua.
20 de outubro de 2017
Fiódor Dostoiévski
O autor, Fiódor Dostoiévski
UM
Em 1821 nascia o escritor Fiódor Dostoiévski, que é hoje considerado um dos maiores escritores russos e uma das mais importantes referências literárias na história.
DOIS
Dostoiévski foi um dos escritores que mais esquadrinhou a mente humana. Como um samurai. Com um poder de observação acima da média, Fiódor ofereceu-nos personagens tão reais que, ainda hoje, conseguimos ouvi-las, vê-las e tocá-las como se estivessem ali mesmo, ao nosso lado, a segurar-nos a mão, enquanto viramos a página.
TRÊS
Filho de Maria Feodorovna e de Mikhail Dostoiévski, um médico militar com quem o escritor nunca teve uma boa relação e que o forçou, aos 15 anos, a mudar-se para S. Petersburgo, com vista a estudar na Escola Militar de Engenharia. A sua mãe tinha, então, acabado de falecer.
QUATRO
À dor causada pela morte da mãe junta-se a dor de perder o pai três anos depois. Dostoiévski tinha então 18 anos e experimentava sentimentos ambíguos: tristeza por ter perdido o pai e culpa por ter desejado a sua morte. Desta ambiguidade de sentimentos, nasce, posteriormente, uma das suas obras mais importantes: Os irmãos Karamazov. Mas não nos vamos apressar na história de vida deste grande nome da literatura universal.
CINCO
Pese embora a sua forte tendência para as letras, Dostoiévski consegue terminar o curso de engenharia na Escola Militar, mas, findo o curso, deixa tudo e dedica-se a fazer traduções para ganhar a vida.
SEIS
Em 1846 Fiódor Dostoiévski estreia-se com o seu primeiro romance, Gente Pobre, uma história que tem lugar num dos bairros mais miseráveis de S. Petersburgo, onde um funcionário de meia-idade troca correspondência com uma jovem costureira. Demasiado pobres para se casarem, o seu amor passa todo e apenas por estas cartas, onde contam um ao outro os pequenos acontecimentos do seu dia a dia.
SETE
O escritor fez parte do círculo de Petrashevski, um grupo de discussão literária formado por intelectuais progressistas que se opunham ao czarismo. Fruto da ligação a este grupo, o escritor é, em 1849, condenado à morte por suspeita de conjura revolucionária.
OITO
A pena, no entanto, foi-lhe comutada para trabalhos forçados na Sibéria. Durante estes duros anos de degredo, Dostoiévski desenvolve uma doença no cérebro (até hoje não confirmada): epilepsia ou uma doença histérica como afirmou Freud. Desta experiência surge Cadernos da Casa Morta (1862).
Autocontrolo, de Augusto Cury
Capa do livro Cadernos da Casa Morta, de Fiódor Dostoiévski
NOVE
Dostoiévski escreveu com intuição poética e alcance filosófico, mas desengane-se quem acredita que o autor foi reconhecido no seu tempo. O escritor russo vivia endividado e escrevia a uma velocidade impressionante, ameaçado por prazos e dificuldades económicas. Chegava mesmo a não ter tempo para rever o texto que ditava à datilógrafa. Por fim, acabou por viciar-se no jogo (dependência bem patente na sua obra O Jogador).
DEZ
Dostoiévski influenciou largamente os trabalhos de muitos pensadores ocidentais, entre eles Friedrich Nietzsche e Jean-Paul Sartre, e deu início a um estilo literário posteriormente perseguido por escritores como Albert Camus, George Orwell, Marcel Proust, Franz Kafka e Ernest Hemingway. Simultaneamente Fiódor Dostoiévski foi um precursor do pensamento de Sigmund Freud, sobre quem o psicanalista comentou: “Os Irmãos Karamázov é o romance mais magistral que alguma vez se escreveu, e nunca seremos capazes de apreciar devidamente o episódio do Grande Inquisidor, que é uma das maiores realizações da literatura mundial.”
ONZE
Dostoiévski imprimiu grande espessura e densidade psicológica às suas personagens, cujas motivações, conscientes ou inconscientes, são exploradas de forma verdadeiramente inovadora. Não são figuras confinadas à vida russa do século XIX, mas antes um reflexo das mais profundas inquietações humanas. Raskolnikoff, Aliocha, Dmítri, Ivan, o príncipe Míchkin… personagens tão reais que sangram e, ao fazê-lo, abrem as nossas próprias feridas.
DOZE
Alguém escreveu em tempos que “ler Dostoiévski é como descobrir o amor ou ver o mar pela primeira vez, marca um momento importante na nossa vida”. Sim, ler Dostoiévski é isso mesmo!


Fonte: www.online-literature.com | www.fyodordostoevsky.com | culturainquieta.com

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