Leia já um excerto do novo livro de José Tolentino Mendonça
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28 de setembro de 2017
Capa do novo livro de José Tolentino Mendonça
NOVO LIVRO DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
À semelhança do que já nos foi habituando nos seus livros, José Tolentino Mendonça convida-nos a caminhar por entre as páginas de um livro singular e corajoso e a seguir as pistas que nos vais deixando nesse caminho das grandes perguntas. No final, resta-nos o entendimento de que são as perguntas (e não as respostas) que nos deixam mais perto do sentido.
De seguida partilhamos um excerto do Pequeno Caminho das Grandes Perguntas.
De seguida partilhamos um excerto do Pequeno Caminho das Grandes Perguntas.
PORQUE ERA ELE, PORQUE ERA EU
O QUE APROXIMA OS AMIGOS, o que os liga entre si é a descoberta de uma afinidade interior, puramente gratuita, mas suficientemente forte para fazer persistir no tempo o afeto, a cumplicidade e o cuidado. Se quisermos explicar que afinidade é essa, nem saberemos. E isto é verdade tanto na amizade anónima que, por exemplo, dois miúdos do mesmo bairro estão agora a iniciar, como nas amizades célebres, como a de Montaigne por Étienne de La Boétie, que levou o primeiro a escrever: «Na amizade, as almas mesclam-se e fundem-se uma na outra em união tão absoluta que apagam a sutura que as juntou, de sorte a não mais a encontrarem. Se me intimam a dizer porque era seu amigo, sinto que só o posso exprimir respondendo: porque era ele, porque era eu.» Não há razões que expliquem uma amizade duradoura para além deste «porque era ele, porque era eu». O resto não tem importância.
A amizade é uma espécie de fraternidade que elegemos. São irmãs e irmãos para a vida; presenças de todas as horas; baluartes discretos, mas inamovíveis; companheiros de viagem, mesmo quando não estão fisicamente ao nosso lado. Os amigos falam uma língua só deles: bastam meias-palavras. Às vezes até um olhar é suficiente para compreendermos tudo o que se passa connosco.
O QUE APROXIMA OS AMIGOS, o que os liga entre si é a descoberta de uma afinidade interior, puramente gratuita, mas suficientemente forte para fazer persistir no tempo o afeto, a cumplicidade e o cuidado. Se quisermos explicar que afinidade é essa, nem saberemos. E isto é verdade tanto na amizade anónima que, por exemplo, dois miúdos do mesmo bairro estão agora a iniciar, como nas amizades célebres, como a de Montaigne por Étienne de La Boétie, que levou o primeiro a escrever: «Na amizade, as almas mesclam-se e fundem-se uma na outra em união tão absoluta que apagam a sutura que as juntou, de sorte a não mais a encontrarem. Se me intimam a dizer porque era seu amigo, sinto que só o posso exprimir respondendo: porque era ele, porque era eu.» Não há razões que expliquem uma amizade duradoura para além deste «porque era ele, porque era eu». O resto não tem importância.
A amizade é uma espécie de fraternidade que elegemos. São irmãs e irmãos para a vida; presenças de todas as horas; baluartes discretos, mas inamovíveis; companheiros de viagem, mesmo quando não estão fisicamente ao nosso lado. Os amigos falam uma língua só deles: bastam meias-palavras. Às vezes até um olhar é suficiente para compreendermos tudo o que se passa connosco.
José Tolentino Mendonça
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