Andrea Camilleri, o escritor que transformou violência em humor

Andrea Camilleri (1925-2019)
Autor de mais de 100 livros e criador do famoso comissário Montalbano, Andrea Camilleri (Porto Empedocle, Sícilia, 1925) morreu esta quarta-feira, aos 93 anos.
O escritor encontrava-se hospitalizado desde junho, na sequência de uma paragem cardíaca.

Andrea Camilleri é um autor de policiais popular em todo o mundo, mas é também um exemplo concreto de que quando nasce um livro não nasce um escritor.
«AS PALAVRAS? AS PALAVRAS AREJAM AS COISAS»
Camilleri iniciou-se tardiamente na escrita. Publicou a primeira obra aos 53 anos, mas o insucesso fez com que só regressasse de novo aos escaparates em 1994, aos 70 anos, com o romance que o celebrizou: A Forma da Água.

É neste livro que o mundo conhece Salvo Montalbano, o inspetor que viria a dominar muitos dos policiais subsequentes. Na verdade, foram mais de 30 obras que tiveram o famoso inspetor como protagonista. Vendeu 30 milhões de exemplares em todo o mundo e deu origem a uma série de TV - que se estreou, em 1999, na italiana RAI TV, e chegou a Portugal pela antena da RTP. Ao longo de 25 anos, Camilleri e Montalbano mudaram o nosso imaginário, convertendo um cenário de mafiosos e de violência num paraíso alegre, próximo, humorístico e obcecado por comida, na cidade imaginária de Vigàta. Em que outro enredo vimos uma Sicília assim?

Autor ainda de O Cheiro da Noite, O Ladrão de Merendas (Prémio Ostia 1997), A Voz do Violino ou O Cão de Barro, Camilleri perdeu a visão nos últimos anos, mas continuava o ofício da escrita, tendo publicado em maio deste ano Il Cuoco dell’Alcyon (O Cozinheiro de Alcyon - tradução livre), que se tornou de imediato um bestseller.

Andrea Camilleri era um dos maiores escritores de policiais italianos e era também um espantoso e atento crítico social, que usava a escrita para analisar, questionar e denunciar as sociedades nas quais se inseria.
«SOU CEGO, MAS PERDER A VISTA FEZ COM QUE TODOS OS MEUS OUTROS SENTIDOS GANHASSEM VIDA. (…) A MINHA MEMÓRIA MELHOROU, E EU LEMBRO-ME DE MAIS COISAS DO QUE ANTES, COM MUITO MAIS LUCIDEZ, E AINDA ESCREVO.»

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