Philip Roth, a vida e obra de um dos maiores romancistas do nosso tempo

O escritor norte-americano morreu no dia 22 de Maio, em Nova Iorque.
Recorde a sua obra.
Philip Roth
Apesar de afirmar que passava os dias a ler, mais do que a escrever, Philip Milton Roth fez uma carreira notável, tornando-se num dos mais influentes escritores do séc. XX.
Natural de Newark, Nova Jérsia, e filho de um jovem casal de judeus, o romancista começou por ser conhecido na cena literária com «Adeus, Columbus» (1959). Tinha 26 anos. Seguiram-se-lhe «O Complexo de Portnoy», uma década mais tarde, a «Pastoral Americana» (1997) ou «A Mancha Humana» (2000). 
Em 2012, anunciou que «Némesis» seria o seu último livro… mas não foi. Acabou ainda por à estampa um livro de contos, escritos entre 1960 e 2003. Pouco depois, as coisas mudaram: «Escrever é uma frustração», dizia Roth. «Sei que não vou escrever tão bem como escrevia.» Há seis anos abandonou definitivamente o ofício.
«A FAMA É UMA DISTRAÇÃO SEM VALOR»
Numa carreira prolífica onde se contam três dezenas de livros, ganhou tudo, menos o Nobel. Na sua estante há dois National Book Awards, dois National Book Critics Circle awards, três PEN/Faulkner Awards, um Pulitzer Prize, um Man Booker International Prize e um Príncipe das Astúrias de Literatura, só para citar alguns. Um feito verdadeiramente impressionante.

O que se sabia do autor era exatamente o que ele queria que se soubesse.
Em «Os Factos» (1988), o livro autobiográfico pós-depressão do autor, discorreu sobre a sexualidade, religião (era ateu), os pais, a vida no bairro, os dois casamentos. Falou também sobre a morte, à qual já se mostrava «resignado».

Numa entrevista que deu ao New York Times, definiu a sua vida como um vaivém de sentimentos bons e maus. Inspiração e incerteza. Abundância e vazio.
Era muitas vezes incómodo - sobretudo no seio da sociedade americana - mas sempre coerente numa quase luta diária pela «prosa utilizável» e definitivamente alheio aos prémios e reconhecimentos vários que pautaram a sua vida.
Pode já não ser o maior romancista americano, mas deixou-nos alguns dos maiores romances da história.

Selecionámos agora três livros, uma injustiça perante a dimensão e qualidade da sua obra. Em breve, deverá ser publicada uma biografia autorizada pelo próprio.
OS FACTOS
PHILIP ROTH
Livro autobiográfico irresistível, criativo e franco, que foge aos padrões estereotipados da convencionalidade.
A MANCHA HUMANA
PHILIP ROTH
Uma obra-prima de imensa humanidade e humanismo. Um retrato da América dos anos 90, moralmente hipócrita, dividida e traumatizada, profusamente examinada numa escrita genial.
O COMPLEXO DE PORTNOY
PHILIP ROTH
A famosa confissão de Alexander Portnoy, um advogado nova-iorquino, impelido ao longo da vida por uma sexualidade insaciável, mas ao mesmo tempo refreado pela mão de ferro de uma infância inesquecível. Tudo isto com diálogos sublimes.

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