À conversa com Colson Whitehead

Colson Whitehead não foi o primeiro a escrever sobre escravatura e racismo. Esse caminho já tinha sido trilhado por nomes como Toni Morrison, Edward P. Jones e Harriet Beecher Stowe. E, no entanto, Colson Whitehead acaba de escrever um livro onde cabem todos os negros e ainda sobra espaço para a América: a antiga e a contemporânea.
Ken Follett
Capa do livro A Estrada Subterrânea, de Colson Whitehead
Por certo já ouviu falar n’ A Estrada Subterrânea, o romance vencedor do Prémio Pulitzer e National Book Award, altamente elogiado por Oprah Winfrey e Barack Obama.
A Estrada Subterrânea parte da história de Cora, uma jovem negra na América esclavagista de meados do século XIX. Trata-se de um livro com 384 páginas, durante as quais Colson Whitehead nos mostra, com a perícia de escritor experiente, como a vida é um inferno para todos os escravos, mas particularmente difícil para Cora (que sofre pela sua dupla condição de escrava e mulher). “Abandonada pela mãe, ela cresce no meio da mais difícil solidão, a dos que são marginalizados pelos seus iguais”, lê-se na sinopse do livro.
Quando Cora conhece Caesar, um jovem escravo recém-chegado do Estado vizinho da Virgínia, este fala-lhe da estrada subterrânea e propõe-lhe fugirem da plantação, rumo ao Norte que, naquele tempo, era sinónimo de Liberdade. Trata-se de um ato corajoso de quem, afinal, já nada tem a perder.
No entanto, “a primeira vez que Caesar propôs a Cora fugirem para o Norte, ela respondeu-lhe que não”, assim começa o sexto livro de Colson Whitehead.
À conversa com Colson Whitehead
Whitehead partiu da imagem da estrada subterrânea do século XIX, que era uma rede de passagens secretas para os escravos em fuga, e transpô-la para o seu livro sob a forma de um comboio verdadeiro. Depois de a personagem principal dizer que não a Caesar, sucedem-se páginas, caminhos, paisagens, novos personagens e Cora, que começou por ser um objeto, vai recuperando, passo a passo, linha a linha, aquilo que faz dela (e de todos nós) um ser humano.
O wookacontece esteve à conversa com Colson Whitehead que, neste momento, tem na sua mesa de cabeceira o Quarteto Napolitano, de Elena Ferrante. Em conversa com o autor do livro, descobrimos que a música desempenha um papel muito importante no seu processo de escrita. Colson Whitehead escreve ao som dos seus artistas preferidos, dos quais destaca o Prince e os Sonic Youth. O escritor norte-americano começou a escrever A Estrada Subterrânea em 2015 e terminou no mesmo ano, mas a pesquisa já tinha começado muito antes. “Escrever”, contou-nos ele, “dá energia e tira energia - simultaneamente”.
Psicologicamente, como foi escrever este livro?, perguntamos-lhe. E Colson responde: “escrever foi fácil; fazer a pesquisa é que foi mais complicado, mergulhar tão profundamente na história da escravatura americana (…) baseei-me principalmente em fontes primárias, como narrativas de escravos e histórias orais de ex-escravos”.
Até à publicação de A Estrada Subterrânea, Colson Whitehead era um perfeito desconhecido para os leitores europeus, mas atualmente o livro está publicado em mais de 40 países. Depois deste sucesso, o que terá mudado na vida do autor? "É mais difícil manter a minha depressão, difícil, mas não impossível”, confessa ele.
Por norma, Colson Whitehead escreve cerca de oito páginas por semana e, embora tenha arriscado vários géneros literários no passado – publicou a história de um apocalipse zombie e também um romance sobre a vida nos Hamptons - , Colson admite que cada história é complicada à sua própria maneira.
Versátil por natureza, neste momento Colson Whitehead está a escrever um romance que tem como pano de fundo a Florida nos anos 60.

Wookacontece: Se tivesses um superpoder, qual seria?
Colson Whitehead: Como assim, "se tivesse"?
Colson Whitehead tem muitos superpoderes e a prova está aqui.
Espreite também o booktrailer do livro!
Booktrailer do livro A Estrada Subterrânea, de Colson Whitehead

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