A Mulher do Médico – leia aqui a nossa sugestão da semana na RFM!

Por Vera Dantas
3 de outubro de 2024
No nosso 25º aniversário, continuamos a chegar a cada vez mais gente. A partir desta semana, a WOOK lança, em parceria com a RFM, WOOK vais ler esta semana, o espaço de sugestões semanais de leitura na RFM.
Ao longo de seis semanas (de 30 de setembro a 10 de novembro), todas as segundas-feiras, os locutores do programa da Manhã da RFM, em parceria com a WOOK, irão sugerir um livro aos ouvintes e leitores.
Esta semana, o destaque vai para A Mulher do Médico, de Daniel Hurst, e há boas razões para isso. Neste thriller, a escrita desenrola-se depressa, mas não sem dar ao leitor, ao ritmo certo, detalhes suculentos que o puxam para dentro de um trama a que vai querer assistir. Com loops entre o passado e projeções das personagens no futuro, descobrimos Fern, a “mulher do médico”, e Drew, o médico “respeitável” que, desde as primeiras páginas, descobrimos ser um manipulador – embora não se veja tanto assim. Fala do facto de ter uma amante desta forma: «Da maneira como eu via, não era culpa minha nem da Alice termo-nos conhecido depois de já estarmos comprometidos.» Pois é… Ele é o médico perfeito, em que todos confiam, menos ela… O casal decide mudar-se de uma grande cidade para uma remota aldeia no norte de Inglaterra, onde compra uma casa maravilhosa em frente ao mar. Fern vê esta nova fase como uma oportunidade de enterrar os problemas do passado e começar uma nova vida com o seu marido. Mas o que ela está para descobrir vai despertar em si uma fúria que desconhecia possuir. E é assim que, sob a fachada de um relacionamento perfeito, sustentado por uma vida social invejável, cresce a tensão e o descontentamento que se acumulam em silêncio dentro da protagonista. Um thriller psicológico absolutamente arrebatador, repleto de reviravoltas que nos deixa a pensar: até onde estariamos dispostos a ir em nome da nossa felicidade?
Quer ler já este thriller? Comece com o prólogo do livro. O resto da história, encontra-a aqui.

PRÓLOGO de A Mulher do Médico, de Daniel Hurst:

    «Enquanto a mulher observava da janela o que se passava na praia, sabia que o corpo na areia iria ser um acontecimento que transformaria a vida naquela pacata aldeia costeira num frenesim de atividade durante os dias seguintes. Normalmente, aquele lugar isolado só era frequentado pelos habitantes locais, os motoristas de entregas das cidades vizinhas e os ocasionais turistas a caminho de ou a regressar da Escócia. Agora iria fervilhar com a presença de peritos forenses, jornalistas e mirones tomados de uma curiosidade mórbida.
    Era o que acontecia sempre que um corpo aparecia num lugar inesperado.
    Exigia atenção.
    E recebia-a sempre.
    Isso nunca foi mais evidente do que no dia em que foi descoberto o corpo de Drew Devlin estendido na extensão de areal que ladeava este pitoresco trecho de costa no norte de Inglaterra.
    A T-shirt branca e molhada que se lhe colava ao torso torcido era da mesma cor que o céu nublado, e o corpo estava tão frio como o tempo nesta parte do país varrida pelo vento e assolada pela chuva. Os calções pretos que lhe cobriam as coxas pálidas e sem vida eram quase tão escuros como o céu na linha do horizonte, onde outra tempestade se preparava para desabar sobre uma aldeia que já sofrera tanto e tinha desafios ainda mais desesperantes pela frente. A sapatilha cinzenta no pé esquerdo ia perdendo lentamente o seu aspeto imaculado à medida que a maré crescente que rebentava contra o corpo ia depositando nela partículas de sujidade e grãos de areia de forma contínua e, quase se diria, desrespeitosa.
    Faltava a sapatilha do pé direito; se alguém a procurasse, certamente vê-la-ia a balouçar no mar a vários metros de distância, como um navio sem tripulação, à deriva na água e sem rumo, e que muito provavelmente voltaria a terra em alguma altura, mas que por enquanto estava à mercê da corrente gelada.
    No entanto, ninguém andava à procura da sapatilha. Toda a gente olhava para a pessoa à qual a sapatilha pertencia, incluindo a mulher postada à janela. Continuou a observar enquanto os serviços de emergência chegavam para levar a cabo a sua tarefa deprimente, e continuou a observar enquanto o Sol começava a pôr-se neste dia terrível. Porque o corpo ali estendido na areia era o de um homem que ela tinha amado em tempos. Porém, ela não era a única pessoa desta aldeia que havia amado o falecido. Ele era popular entre o sexo oposto, talvez demasiado popular.
    E essa era uma das razões pelas quais agora estava morto.»
 

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