Outono, poesia e melancolia
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21 de outubro de 2025
Outono. Para muitos, sinónimo de melancolia com uma conotação negativa. Mas tanto a tristeza como a melancolia fazem parte da vida. Engane-se quem deseja (ou espera) viver somente a exaltação do verão ou o fervilhar da primavera. Todas as emoções humanas são necessárias, tal como todas as estações do ano.
Na Natureza, o outono é a preparação para o descanso invernal. Infelizmente, os seres humanos desaprenderam esses ritmos da Natureza. Mas a Poesia resgata-os: ora suave ou dura, ora incisiva ou reflexiva, a poesia obriga-nos a pausar, a descobrir novos significados nas palavras, nas frases, a descobrir emoções que se prolongam além das páginas.
Que este outono lhe devolva o gosto da melancolia de uma tarde contemplativa, sem culpas, em torno de um livro — de poesia. Deixo-lhe cinco sugestões irrepreensíveis.
Na Natureza, o outono é a preparação para o descanso invernal. Infelizmente, os seres humanos desaprenderam esses ritmos da Natureza. Mas a Poesia resgata-os: ora suave ou dura, ora incisiva ou reflexiva, a poesia obriga-nos a pausar, a descobrir novos significados nas palavras, nas frases, a descobrir emoções que se prolongam além das páginas.
Que este outono lhe devolva o gosto da melancolia de uma tarde contemplativa, sem culpas, em torno de um livro — de poesia. Deixo-lhe cinco sugestões irrepreensíveis.
Não Desfazendo, de Rita Taborda Duarte
Não Desfazendo reúne os vinte e cinco anos de poesia de Rita Taborda Duarte, que nasceu em 1973, na ditadura, mas cresceu e escreveu em liberdade. Essa liberdade sente-se nos seus poemas pela diversidade de abordagens e de perspetivas. Nesta coletânea, encontrará estranheza, refúgio, reflexão, riso e até um capítulo dedicado aos gatos (e «Demais Fauna»). São poemas que respiram uma rima própria ou uma ausência dela, mas dos quais não sairemos incólumes.
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Adrenalina, de Filipa Leal
Em Adrenalina, Filipa Leal revisita muitas das suas vidas, dos seus espelhos do passado, 20 anos depois de ter publicado o seu primeiro livro de poemas. Nesta obra, encontramos uma voz madura, reflexiva na busca de apaziguar as agitações do quotidiano. Há espaço para as minudências da vida (como o poema dedicado à sobrinha Mariana de sete meses), para o amor, para a tristeza ou para o humor. São menos de 110 páginas nas quais cabem toda a riqueza e a complexidade da vida humana. Vale a pena sentir esta Adrenalina de Filipa Leal.
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Poesias Completas & Dispersos, de Alexandre O' Neill
Se não conhece a poesia de Alexandre O’Neill, este é um livro imperdível para juntar à secção de poesia da sua estante literária. Se ainda não tem uma secção dedicada a obras poéticas, é chegado o momento de a criar. E esta obra deverá, sem dúvida, lá constar.
O’Neill foi um poeta de palavras simples, mas diretas; de ideias estranhas, mas belas e repletas de criatividade. Os seus poemas transformaram a língua portuguesa conferindo-lhe carisma, imaginação e profundidade. Porque…
Há palavras que nos beijam. / Como se tivessem boca. / Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca.
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O’Neill foi um poeta de palavras simples, mas diretas; de ideias estranhas, mas belas e repletas de criatividade. Os seus poemas transformaram a língua portuguesa conferindo-lhe carisma, imaginação e profundidade. Porque…
Há palavras que nos beijam. / Como se tivessem boca. / Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca.
Poesia Grega de Hesíodo a Teócrito, de Frederico Lourenço
Poetas como Álcman, Semónides, Mimnermo, Safo, Íbico, Anacreonte, Teógonis, Píndaro, Baquílides e Teócrito são parte dos alicerces da nossa civilização e influenciaram diretamente centenas de outros poetas. Folhear este livro é uma imersão profunda e intensa na cultura grega: trata-se de uma edição luxuosa, bilingue. Uma obra ideal para estudiosos e curiosos que desejam descobrir a riqueza e a diversidade da poesia da Grécia Antiga. Uma pérola.
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Atirar para o Torto, de Margarida Vale de Gato
Ler Atirar para o Torto, de Margarida Vale de Gato, é um mergulho no desconhecido, na surpresa. Nas páginas deste livro, encontramos mulheres anónimas, amigos e amigas da poeta, memórias coletivas, Sophia de Mello Breyner, geografias conhecidas, estados de espírito, circunstâncias ou confissões. Com rigor sintático, um «formalismo informal» e uma escrita cuidada, original, feita de encontros felizes entre palavras, ideias e conceitos burilados ao pormenor, Margarida Vale de Gato surpreende.
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O outono convida-nos a recolher, a abrandar. Entre as sombras e a claridade, a poesia torna-se abrigo e revelação. Talvez seja isso a melancolia: a beleza serena de aceitar todas as estações, dentro e fora de nós.
Que estas leituras lhe tragam abrigo e a intensidade que só a poesia sabe oferecer.
Que estas leituras lhe tragam abrigo e a intensidade que só a poesia sabe oferecer.