O Caso Alan Turing

Por Vera Dantas
19 de março de 2025
Muito do que damos por adquirido no mundo moderno foi construído com base nas realizações de Alan Turing. O genial matemático, criptoanalista e cientista da computação britânico decifrou o código da máquina de criptografia “Enigma”, usada pelas forças alemãs durante Segunda Guerra Mundial – calcula-se que tal tenha encurtado a guerra em dois anos, salvando a vida de 14 milhões de pessoas – e estabeleceu conceitos fundamentais na informática e na inteligência artificial. Sem ele, os Aliados poderiam não ter ganho a guerra e talvez não existisse uma máquina capaz de mostrar este artigo. Recorde, ou conheça, o pai da computação, cuja vida é agora homenageada numa fabulosa banda desenhada.
O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande (argumento) e Éric Liberge (ilustração) apresenta um retrato biográfico de Turing. A narrativa começa nos últimos meses da vida de Turing.
Ao longo das páginas, os autores levam-nos a transitar entre o julgamento de Turing, as conversas com o seu psiquiatra e as suas reflexões pessoais. Esta é uma história introspetiva, que explora os pensamentos e o sofrimento interior de Turing, mas que também aborda os eventos históricos cruciais da sua época, como o trabalho de Turing para decifrar o código da Enigma, a máquina das forças alemãs utilizada tanto para criptografar como para descriptografar códigos de guerra, que teve um papel decisivo durante os anos avassaladores da Segunda Guerra Mundial.
Turing é retratado como um homem complexo, simultaneamente brilhante e vulnerável: génio visionário, sofreu terrivelmente com a injustiça social da Inglaterra dos anos 1950, para a qual a homossexualidade de Turing, crime à época, pesou mais na balança do que o seu contributo para a Humanidade, por muito que nos custe aceitar e compreender tal visão.
Quando Turing foi condenado por indecência grotesca, o governo britânico obrigou-o a escolher entre a castração química e a prisão; ele escolheu a castração, o que significava tomar comprimidos de estrogénio. Os comprimidos tornaram-no impotente e fizeram-lhe crescer seios, causando-lhe um sofrimento atroz e uma depressão gravíssima. Vítima de uma degradação mental e física insuportáveis, a 7 de junho de 1954, Alan Turing, fã da Branca de Neve de Walt Disney, comeu uma maçã que supostamente tinha sido injetada com cianeto, o que lhe causou a morte. O gabinete do médico legista local considerou a sua morte um suicídio, e é essa a tese prevalecente até hoje. Tinha apenas 41 anos.
Com um estilo realista e profundamente expressivo, as ilustrações de Éric Liberge acrescentam uma profundidade emocional a esta obra tocante e poderosa que presta homenagem a um génio científico inigualável.

 
 

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