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Qual é o Nosso Lugar no Universo?

de David Sobral
Livro eBook
Editor: Planeta, maio de 2022 ‧
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Estaremos sozinhos no Universo? O que existe para além da Terra? O Universo é infinito? Quantas galáxias existem? As estrelas vivem para sempre? De onde vimos, afinal? Qual é o nosso lugar no universo?

Estas são algumas das muitas perguntas a que David Sobral tenta responder neste livro fascinante que nos leva numa verdadeira viagem cósmica pelo mundo da astronomia em busca das nossas origens. Astrónomo e astrofísico português na área da Astrofísica extragaláctica e cosmologia observacional e professor associado de Astrofísica na Universidade de Lancaster, no Reino Unido, David Sobral descobriu em 2015 a galáxia CR7, a mais luminosa do Universo primordial.

Há cerca de 110 anos achávamos que só existia uma galáxia no Universo, a nossa. Hoje sabemos que existem mais de 2 biliões de galáxias. Em 1995 não conhecíamos um único planeta fora do nosso sistema solar a rodar à volta de uma outra estrela. Desde então, descobriram-se mais de 4 mil, e identificaram-se, até, candidatos a planetas como a Terra, com distâncias das suas estrelas que os podem tornar potencialmente habitáveis. Hoje, sabemos mais, mas há ainda tanto por descobrir.

Embarque nesta viagem extraordinária em direção ao céu e para além dele em busca do nosso lugar no Universo.

WOOKACONTECE
Leia a nossa entrevista exclusiva com o autor no Wookacontece, o nosso blogue literário.

«Nos centros urbanos, e nos subúrbios, é hoje praticamente impossível vermos a nossa própria casa celeste, a Via Láctea […] Nunca tantas e tantos de nós estiveram tão distantes de conseguir olhar e ver o céu na sua plenitude. O céu, de onde vimos, para onde tudo o que nos compõe acabará por voltar, ainda que faltem milhares de milhões de anos. Olhar o céu é apontar em direção às nossas origens cósmicas […]»

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O que se passa no céu?

Meteoros, estrelas cadentes, auroras boreais… fenómenos que a nós, meros leigos, nos parecem muito parecidos. Se da noite se faz dia, de repente, e não estamos na altura das festas de verão, coisa inusual há de ser. Então, para estarmos de alerta e fazermos um brilharete com os amigos, vamos lá dar nome às coisas.
O céu nas pontas dos dedos Guilherme de Almeida é adepto de olharmos para o céu sem intermediários e só depois utilizar instrumentos, como telescópios. O professor de Física dedica a sua vida ao estudo do que está sobre as nossas cabeças, tendo uma imensa obra escrita sobre o tema. Neste livro, o autor ensina-nos precisamente a olhar lá para o alto, usando apenas os nossos olhos. Um mundo de constelações que podemos ver observando o céu de Portugal à noite, nas suas diversas fases do ano. Por exemplo, saber identificar a constelação do nosso signo no céu e segui-la com as nossas próprias mãos, com a ajuda do planisfério presente nesta obra. Esta obra é recomendada tanto para estudiosos como para curiosos. Afinal, o que vemos quando levantamos a cabeça à noite? QUERO LER! » Via Láctea – Uma autobiografia da nossa galáxia Embora trate de temas complicados, este livro está escrito numa linguagem muito acessível, tornando-se simples descobrirmos os segredos desse misterioso terreno celestial que é a nossa galáxia. E vamos longe no tempo: treze mil milhões de anos! As nuvens de gás em viagem pelo plasma primordial e… a união faz mesmo a força! Da sua atração gravitacional nasce a Via Láctea. E cá estamos nós, com as nossas vidas e os nossos problemas, as nossas alegrias e conquistas. Pensar nisto assim coloca realmente tudo em perspetiva. Torna-se, até, impossível ter uma noção precisa do tempo e espaço. Mas este livro ajuda muito. Contado como uma história, nele temos uma autêntica biografia que nos leva para bem longe de onde estamos… QUERO LER! » Qual é o nosso lugar no Universo? É uma excelente pergunta. Umas pessoas pensam que ocupam um lugar maior do que na realidade ocupam, enquanto outras não têm noção da sua grandeza. Mas a realidade é que somos muito mais do que o espaço que ocupamos. Aliás, o Universo será mesmo infinito? Não deverá haver área onde o saber tanto evolua, talvez a fronteira mais desafiante para o conhecimento humano. Se há um século nos acreditávamos sozinhos na nossa Via Láctea, hoje sabemos que existem outras galáxias. O número é estrondoso: 2 biliões. Uma das mensagens que o autor passa é de que se, por um lado, é impossível sabermos tudo sobre o Universo, por outro a verdade é que já sabemos muito. E neste livro aprendemos a maravilharmo-nos com o que já descobrimos sobre o espaço. QUERO LER! » Um ponto azul-claro É um dos livros, e um dos autores, mais conhecidos nesta área. Não precisamos de grandes introduções para perceber a relevância de Carl Sagan. Neste livro, o autor procura dar-nos uma visão global da casa onde vivemos. Para que nos coloquemos no centro da vida, naquilo que é existirmos dentro de um universo-lar do qual somos parte, mas que é também parte de nós. Muitas vezes, na vida, falta-nos precisamente esta abrangência para percebermos quanto de nós existe nos outros e que isso é recíproco. Pensando alto, talvez ao percebermos o Universo estejamos a refletir naquilo que deveríamos mais ser enquanto sociedade, na medida em que cada um merece ser respeitado e compreendido. Uma obra essencial, que nos fala de passado, mas que nos dá pistas preciosas sobre o futuro. QUERO LER! »

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Entrevista ao astrofísico David Sobral

David Sobral é um brilhante jovem astrónomo e astrofísico português, que já contribuiu de forma notável para alargar o nosso conhecimento do Universo. Especializado na área da astrofísica extragalática e da cosmologia observacional, viu a sua tese de doutoramento distinguida pela Royal Astronomic Society como a segunda melhor do Reino Unido em astronomia e astrofísica. Nela, conseguiu demonstrar que nos últimos 11 mil milhões de anos (cerca de 80% da idade do Universo) as estrelas estão a formar-se a um ritmo 30 vezes menor do que no início da expansão após o Big Bang. Na prática, isto significa que se estão a formar menos estrelas das que produzem o oxigénio que respiramos. David Sobral Após mapear o espaço profundo durante anos, David Sobral liderou também a equipa que descobriu a galáxia mais brilhante no Universo primordial, a que chamou, numa inteligente jogada de marketing, a COSMOS Redshift 7 (CR7). Descobriu centenas de novas galáxias semelhantes utilizando os maiores telescópios como verdadeiras máquinas do tempo. Além do seu trabalho enquanto professor de astrofísica (na Universidade de Lancaster) e investigador, David é também um dos mais ativos divulgadores de ciência em Portugal.

No seu livro de estreia, Qual é o nosso Lugar no Universo?, conta o seu percurso de vida, explica-nos muito, de uma forma simples e clara, sobre astrofísica, maravilha-nos com as experiências fascinantes que viveu, e até partilha os momentos difíceis de bullying na comunidade científica pelos quais passou. À pergunta que dá nome ao livro, David, que em jovem queria ser escritor, responde com o poema de Álvaro de Campos: «Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./ À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.». E os sonhos de David prometem muito.   «Em Portugal, estamos mais perto de conjugar a literatura com a matemática do que noutros países.»

Em adolescente, ganhaste alguns prémios literários e chegaste a pensar em seguir Literatura no ensino superior. Agora que te estreaste enquanto autor de livros, este é apenas o início? Pensas aventurar-te eventualmente num romance
Acho que isso depende mais de um livro meu ser publicado, do que de mim. Por mim, sim. Tenho um romance que está já quase a terminar, mas ainda não sei como será publicado.


Quais são os teus escritores ou livros favoritos?
São muitos. Destacaria José Luís Peixoto, pois quando eu tinha 16, 17 anos, era para mim um role model de escritor. Lia também muita poesia, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa e coisas mais modernas.


  Qual é o Nosso Lugar no Universo?, o livro de estreia de David Sobral Por que achas que é tão difícil para as pessoas compreenderem que «o binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo», como disse Fernando Pessoa, através do seu heterónimo Álvaro de Campos?Afinal, há matemática em tudo…
Sim, em tudo. Se bem que, tendo eu vivido em Inglaterra nos últimos anos, percebi que em Portugal talvez até estejamos mais perto de conjugar a literatura com a matemática. E vejo que, noutros países, as áreas estão mais separadas – as pessoas que estão na ciência nunca leram para além do básico, têm dificuldade em escrever. Em Portugal, temos alguma facilidade no ensino [da ciência e da literatura]. O que falta é, assim que se sai da escola, qualquer incentivo ou debate. Por exemplo, não há programas de ciência na televisão.

O que pensas da ideia de a matemática ser obrigatória até ao 12º ano?
Eu tenho dificuldade com o obrigatório, mas sem dúvida que devia haver essa opção. Para mim foi bom ter português até ao 12º ano, mesmo estando em ciências. Acho que devia haver a possibilidade de fazer o contrário.


Sentes que estás a contribuir para que as pessoas consigam compreender melhor a ciência, com as tuas ações de divulgação científica, e até com o teu livro Qual é o nosso Lugar no Universo??
Talvez seja uma gota no oceano, mas gota a gota, [as coisas vão avançando].   «Cada vez mais, é muito importante falar para as pessoas que não estão convertidas à ciência.»

Nas tuas palestras de divulgação científica, sentes que estás a ter um impacto nas pessoas que te ouvem?
Depende muito. É muito fácil falar com crianças, que colocam perguntas muito melhores, às vezes, do que as pessoas da área, porque têm a inocência própria da infância. Cada vez mais, é muito importante falar para as pessoas que não estão convertidas à ciência. Pregar para os convertidos pode saber muito bem, porque as pessoas reagem muito positivamente e fazem perguntas, mas acaba por ser sempre o mesmo público, que vai a todas as palestras. E é muito difícil fazer as pessoas sentarem-se para nos ouvirem. Mas houve momentos em que, com a descoberta da Galáxia CR7, consegui ter destaque em jornais desportivos e aí, sim, chegar a públicos diferentes.


Como tem sido recebido este teu primeiro livro?
Até agora, tem sido bastante bom. Através das redes sociais tenho recebido comentários interessantes dos leitores.


Explicas conceitos complexos de forma simples, como fazia Carl Sagan. Isso é fácil para ti?
Acaba por ser fácil porque já o faço há muito tempo: já pensei nesse processo de várias maneiras, já fui a muitas escolas, falei com públicos de muitas idades. Acaba por ser simples, porque tento falar com a pessoa a quem me estou a dirigir, e saber de onde ela vem; tento adaptar os conceitos para que ela os entenda. Mas na verdade, não é fácil.


Afirmas que na ciência não existem génios, só trabalho. Mas, na verdade, existem pessoas que são completamente excecionais – o Feynman, que tinha de desconstruir as ideias que formulara na cabeça para as explicar, ou o Galois, que, com apenas 20 anos, na noite antes do duelo em que viria a morrer, escreveu o teorema com a solução para as equações de quinto grau… Achas que são feitos que qualquer pessoas conseguiria, mesmo com muito trabalho?
Mas eu acho que é resultado do trabalho. Essa capacidade não nasce com as pessoas. No caso do Feynman, ele próprio discutia sobre isso – estava constantemente a trabalhar na mente, para pensar nisso tudo. Mas eu abordo esta questão sobretudo porque, para mim, falar em «génio» acaba por afastar muito as pessoas. No livro refiro também o Síndrome do Impostor, porque a maior parte das pessoas sentem que não são génios, e isso não deve ser determinante para a vida de ninguém.


Roger Penrose no seu percurso enquanto investigador científico?
Influenciou-me, desde logo, quando fiz uma apresentação sobre buracos negros, que fez com que eu fosse para Astronomia e Astrofísica, e depois acabar por conhecê-lo numa situação completamente aleatória – estar a observar num telescópio e ele aparecer.
Teres vencido o concurso científico Astro-Cosmos, aos 18 anos, foi também fulcral para decidires seguir a via da astrofísica. Como achas que tem evoluído o contexto de eventos nesta área, no ensino secundário e universitário?
Eu acho que há muito pouca coisa. As universidades portuguesas começam a fazer um marketing mais forte para chamar mais pessoas para os cursos, mas eventos como o Astro- Cosmos eram diferentes – acabavam por chamar pessoas para o curso porque despertavam nelas um real interesse pela área.


Quais foram as experiências que te marcam mais enquanto astrofísico? Teres descoberto a Galáxia CR7?
A primeira vez que fui observar num grande telescópio foi muito especial, e poderia ir 100 vezes, que continuaria a sê-lo. A forma como fiz a descoberta da Galáxia CR7 marcou-me muito, assim como a parte negativa de tudo aquilo que trouxe.
  «Fala-se muito pouco sobre a parte humana de ser cientista, e em Portugal ainda menos.»

No livro contas, de forma muito franca, como sofreste bullying na comunidade científica; Darwin e muitos outros também o sofreram. Achas que estas situações algum dia vão mudar? Já viste mudanças nesse sentido?
Imagino que todos os cientistas tenham passado por situações semelhantes. O meu pequeno contributo é falar sobre isso. O problema principal é que se fala muito pouco sobre essa questão, e em Portugal ainda menos, da parte humana de ser cientista. Na divulgação, falamos quase sempre dos conceitos muito crus e afastamos sempre quem nós somos. É importante trazer quem nós somos e partilhar essas experiências que existem.
  «Somos, talvez, a primeira geração que começa a olhar para as emoções e a dar-lhes o seu verdadeiro lugar e importância.»

Foi difícil vencer a resistência do meio científico português para implementares o teu projeto da equipa X-Gal, devido à difícil aceitação de ideias e pessoas novas na área?
Sim, sem dúvida. Em Inglaterra, sempre senti um pouco essa resistência. Eu era um bocadinho extraterrestre no meio, porque todos os meus colegas são mais velhos ou muito mais velhos que eu, e isso, inconscientemente ou não, manifesta-se. Mas cá, sinto isso muito mais explicitamente.


Como é a tua rotina, enquanto professor e investigador?
Nunca há rotina, é sempre diferente. Há alturas em que quase só dou aulas; outras em que tenho de preparar propostas para telescópios. Faço ainda supervisão de estudantes, dou conferências, preparo projetos, entre outras atividades.


Gostarias de colaborar mais em missões espaciais?
Sim, já estou envolvido há bastante tempo. Houve propostas para a Agência Espacial Europeia que não seguiram, mas na minha área quase toda a gente está envolvida em projetos espaciais.


O episódio do filtro telescópio que criaste, a que chamaste Filtro de Murphy, e que andou pedido pelo mundo até chegar ao destino final, fez-te perder o sentido de humor ou, pelo contrário, confirmou-o?
Acho que acabou por confirmá-lo porque, ou tens sentido de humor ou cais para o lado com um ataque de nervos. [risos] São coisas que acontecem.

Qual é o Nosso Lugar no Universo?

de David Sobral

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897775703
Editor: Planeta
Data de Lançamento: maio de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 154 x 236 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 248
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Exatas e Naturais > Astronomia
EAN: 9789897775703

Adorei!

João

Gostei muito deste livro que alia as histórias pessoais do autor como astrofísico a temas tão interessantes do universo, tais como se existe vida noutros planetas, o que são os buracos negros, a descoberta de novas galáxias....

SOBRE O AUTOR

David Sobral

David Sobral é um astrónomo e astrofísico português na área da Astrofísica extragaláctica e cosmologia observacional e professor associado (Reader) de Astrofísica na Universidade de Lancaster no Reino Unido. Licenciou-se em Física, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em 2007. De 2007 a 2011 fez o doutoramento em Astrofísica na Univer sidade de Edimburgo com uma bolsa internacional de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia; a sua tese foi distinguida pela Royal Astronomical Society como a segunda melhor do Reino Unido em Astronomia/Astrofísica em 2011. Em 2011 foi-lhe oferecida uma importante NOVA fellowship no Observatório de Leiden na Holanda, seguida de um financiamento «Veni» para os melhores cientistas juniores a trabalhar na Holanda. De 2014 a 2016 foi investigador auxiliar e professor no Observatório Astronómico de Lisboa/FCUL, e em 2016 mudou-se para Lancaster, Reino Unido, como professor auxiliar (Lecturer). De 2014 a 2017 foi o representante de Portugal no comité de Utilizadores do Observatório Europeu do Sul (ESO) e é membro da direção da Sociedade Portuguesa de Astronomia desde 2015. Em 2015 liderou a descoberta da galáxia mais brilhante no Universo primordial, a COSMOS Redshift 7 (CR7) e, desde então, descobriu centenas a milhares de novas galáxias seme lhantes utilizando os maiores telescópios como verdadeiras máquinas do tempo. Venceu vários prémios nacionais e internacionais, incluindo um financiamento «VENI» de 250 000 euros na Holanda, um contrato investigador FCT na sua primeira edição de 2012/2013, o Prémio «Novos» 2016 em Ciência e o Prémio «Rosto do ano 2015».

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