Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos

de Tony Judt
Editor: Edições 70, maio de 2011 ‧
Há algo profundamente errado no modo como pensamos que devemos viver hoje em dia. Durante 30 anos orgulhámo-nos do contrato social que definiu a vida da sociedade do pós-guerra na Europa e na América - a garantia de segurança, estabilidade e justiça. Tudo isto foi perdendo o seu real significado, revestindo agora em muitos aspectos apenas meras formalidades. Questões anteriormente pertinentes, em tempos até do foro do político, sobre a bondade ou a justiça das coisas, deixaram de ser colocadas. Nesta obra, Tony Judt, um dos principais historiadores e pensadores contemporâneos, mostra como chegámos a este momento confuso. Num texto contundente, descreve o que todos temos sentido e remete-nos em simultâneo para a forma de sairmos desta sensação de mal-estar colectivo.

«É neste cruzamento de alguém que viveu uma era, mas que, ao mesmo tempo, a estudou a fundo, que se encontram as melhores razões para ler este livro imprescindível de Tony Judt [um dos mais importantes historiadores da História europeia contemporânea]. […] lendo-o como ele é e pretende ser, este livro polémico e provocador é uma experiência que vale a pena. Pelas ideias, pela limpidez do texto, pela paixão, mas também pela nostalgia. Olhando em perspectiva, desde os anos gloriosos do crescimento do pós-guerra até estes dias em que os Estados se desagregam na dúvida e no défice, é interessante regressar a esses tempos em que, como disse Ralph Dahrendorf, “nunca tantos viveram tão bem”.»
Manuel Carvalho, Público

Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos

de Tony Judt

Propriedade Descrição
ISBN: 9789724416328
Editor: Edições 70
Data de Lançamento: maio de 2011
Idioma: Português
Dimensões: 137 x 212 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 220
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Política > Política em Geral
EAN: 9789724416328

Leitura imperiosa

Vicente dos Santos

Num momento em que a esquerda perdeu a capacidade de se diferenciar no debate político, tendo-se tornado paulatinamente impotente nas últimas 4 décadas e vendo-se forçada a seguir o fluxo inexorável da financeirização, este livro permite delinear estratégias futuras ao resgatar do abismo as ideias sociais-democratas do pós II Guerra. Imperdível

a lucidez à beira do precipício

Nuno Casimiro Vaz Silva

“Ill fares the land”, editado em Portugal com o título “Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos”. É uma análise crítica ao contexto de onde emergiu a social democracia como hipótese viável de desenvolvimento e às razões para a afirmação da actual ditadura dos mercados. É notável a forma como o texto nos vai envolvendo, como se de uma conversa se tratasse, defendendo posições claras sem jamais enveredar pelo proselitismo. Dá vontade de sentar-se com o autor, a tomar um chá bem quente, e continuar pelos exemplos que ele dá, acrescentar uma ou outra história mais próxima de nós. Parece-me que há alguma benevolência na análise da situação económica e social de países como a Alemanha de há 3 ou 4 anos, mas também é verdade que as consequências destrutivas da política Schroeder/Merkel (veja-se, nomeadamente, a terra queimada depois dos “mini-jobs”) só há pouco tempo começaram a ser vulgarmente assumidas. No geral, o livro aclara contextos, puxa da memória para mostrar que já estivemos aqui, que as conquistas sociais do século XX têm uma história demasiado curta para que os políticos do babyboom possam argumentar sobre o falhanço por eles induzido em sistemas perfeitamente operacionais. É também argumentada a passagem, no lado esquerdo da política, da luta por ideais colectivos à defesa do privado – dos direitos dos trabalhadores à diluição das energias em torno de questões individuais – em paralelo com a emergência do individualismo ambicioso e sem escrúpulos dos radicais libertários. O movimento global da sociedade, a forma como se vai organizando política e economicamente ao longo do século XX servem para nos afastar dos perigos da visão curta, sem memória nem moral. Os preconceitos são expostos para recusar enviesamentos (às vezes naturais) e algumas das limitações da esquerda partidária acabam também por ser relevadas. O tom é culto, sem qualquer espécie de arrogância professoral e sem paternalismos. Trata-se, evidentemente, de grande literatura. E assusta perceber como estamos tão próximos dos anos entre as duas guerras mundiais, como o discurso político perdeu qualquer resquício de moralidade e humanidade, tão à beira do precipício.

SOBRE O AUTOR

Tony Judt

Tony Judt (1948-2010) nasceu em Londres e fez os seus estudos em Cambridge, nos Estados Unidos da América e na École Normale Supérieure em França.
Lecionou História em Cambridge, Oxford e na Universidade de Berkeley e mais tarde Estudos Europeus na Universidade de Nova Iorque, tendo sido ainda fundador e diretor do Remarque Institute na mesma universidade.
Autor de várias obras publicadas, contribuiu também regularmente para a New York Review of Books, Times Literary Supplement, The New Republic e outras publicações.

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