Um Por Cem
Um olhar sobre as Repúblicas de Coimbra
SINOPSE
As fotografias de Margarida Madeira mostram este universo singular a destilar iconoclastia e humor. Há coisas escondidas dentro das coisas visíveis, amontoados de memórias, grafitis e murais esboroados, cartolas debotadas e sombras de fantasmas muito boémios.
Durante o labor fotográfico, Margarida Madeira percorreu a totalidade das Repúblicas e o resultado dessa deambulação pessoal revela o modo como os repúblicos fabricam os seus estilos de vida, as suas relações de pertença, as suas identidades. À maneira de registo documental, podem ler-se aqui aspectos vitais das culturas juvenis que nestas comunidades se desenvolvem, de tal maneira a fotógrafa soube tirar partido da diversidade de cenários e das experiências por eles sugeridas, mais do que mostrar de raspão fragmentos de um qualquer mundo velho.
EXCERTOS
«As imagens que aqui temos atravessam o colorido das Repúblicas de Coimbra, a sua aparente desordem, as marcas de apropriação e de identidade dos lugares, deixando transparecer aspectos vitais das culturas juvenis que aí se desenvolvem.
Margarida Madeira trabalhou o tema com liberdade, tirando partido da diversidade de “cenários” e das experiências por eles sugeridas. Olhando com detalhe, a sua objectiva captou fragmentos da realidade com extrema sensibilidade, longe de nos presentear com restos de um qualquer admirável mundo velho.
Há um cunho intimista nestes olhares. As fotografias desvendam, mais do que mostrar de raspão os estilos de vida que nas Repúblicas se continuam a acobertar. Muito por isso aceitei construir os textos que as acompanham e ilustram. Com o propósito de afastar a sua conversão em mera legenda, a sua disposição ao longo do livro ficou ao critério da fotógrafa.
Depois de discussões várias a propósito do nome que o livro havia de tomar, decidiu-se que se chamaria Um por Cem, pela associação fácil que se estabelece com a festa maior das casas, o Centenário, ou não valesse um ano lá dentro por cem, como se diz nas Repúblicas, colocando a tónica fortemente na aprendizagem intensa que as vivências nestas comunidades proporcionam.
Correndo as páginas que se seguem, nas fotografias despovoadas de rostos, propositadamente sem gente, podem ler-se pequeníssimas partes de quotidianos de agora e de outrora. As suas marcas, essas sim, definem e iluminam os lugares, embora não os cristalizem no tempo. Olhar as Repúblicas de Coimbra – com os seus sinais de erosão, fragilidade e envelhecimento, sem dúvida, mas também de contemporaneidade – é passar em revista o que estas casas testemunham, guardiãs de estórias com décadas e décadas de vida, ou não estivessem em cheio e no miolo no imaginário colectivo da aclamada galáxia académica da cidade do Mondego. Regista-se neste livro um lado significativo de uma certa vida estudantil de Coimbra, abrigada, embora nem sempre, à sombra de uma Universidade sete vezes secular. É também desta carga simbólica que a cidade se alimenta e é amada. Sim, porque as cidades podem ser amadas, às vezes no silêncio ou na ausência, e até mesmo na decepção. Porque as memórias, essas, continuam. Será pedir demasiado?
Para muitos dos que viveram em República, que aí perseguiram desígnios e utopias, terá sido esse um tempo feliz, e acredito que muitas dessas vivências serão hoje imagens emolduradas onde se escondem as sombras da saudade que permanece, um mundo perdido que quase sempre só se partilha com quem por lá andou na mesma época, com indizível brilho nos olhos, palmadas fortes nas costas, palavras cúmplices de irmandades antigas e picardias de sempre.
Quando falamos de Repúblicas de estudantes de Coimbra falamos de uma forma de vida colectiva e também de uma comunidade de afectos. Mais do que modalidade de alojamento estudantil de uma cidade antiga, o que conta é a unidade formada pelos que nelas residem. Esse “espírito” e o sentido das Repúblicas foram escrupulosamente respeitados por Margarida Madeira, que fotografou todas as casas, e foi um gosto encontrar nas muitas dezenas de imagens que me foi mostrando, trocando, substituindo, nova e refrescante inspiração que me ajudou a deixar de lado o que é tão próprio dos investigadores e me conduziu na redescoberta do que me tinha encantado desde o início, logo nos primeiros passos da procura destas comunidades singulares. Quase me senti a abelhinha que caiu na esparrela de ficar presa com as patinhas no mel, como alguém um dia me profetizou…»
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789723610116 |
| Editor: | Edições Afrontamento |
| Data de Lançamento: | setembro de 2017 |
| Idioma: | Português, Inglês |
| Dimensões: | 248 x 308 x 20 mm |
| Encadernação: | Capa dura |
| Páginas: | 184 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Álbuns |
| Classificação Temática: |
Livros em Inglês
>
Arte
>
Fotografia
Livros em Português > Arte > Fotografia |
| EAN: | 9789723610116 |
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