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Um Momento Mais…

Textos pessoais, políticos, sociológicos, filosóficos e literários

de Edgar Morin
Editor: Instituto Piaget, maio de 2024 ‧
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"Na verdade, não sei bem por que cheguei aos cem anos", assim começa Edgar Morin, não sem humor, esta sua obra. O introdutor da teoria da complexidade no mundo contemporâneo, admirado pelo seu entusiasmo comunicativo e pela sua espetacular longevidade - nascido em 1921, continua a dar conferências e entrevistas onde quer que seja chamado - ainda tem algo a dizer? A resposta é sim, mas não o que seria de prever. Nos textos aqui reunidos, não encontramos quase nada sobre os laços tecidos pela retroação e causalidades complexas (exceto no capítulo muito simples intitulado "A consciência da consciência"). E daí?

Assim como o cínico filósofo Diógenes demonstrou o movimento caminhando, Edgar Morin demonstra várias coisas ao escrever: primeiro, que a figura do intelectual não desapareceu da sociedade, embora a sua abrasividade política se tenha perdido; que o seu modo de expressão se reconcerte com um nível de linguagem que nem as publicações científicas nem os novos meios de comunicação deixavam antever: a conversação sábia; ou seja, uma conversa que não vale pelo seu conteúdo (sempre menos sólido que uma discussão estanque) mas pelo espaço que abre: um espaço de discussão, onde o Ocidente ainda sabe respeitar os Antigos e ouvi-los, com o fim de absorver a sabedoria que suas palavras contêm. autor examina a surpreendente auto-organização da vida na Terra, destacando o surgimento da vida com suas características distintivas. O que nos recorda como é surpreendente que estejamos tão pouco surpreendidos com a vida. Ao longo da obra, Edgar Morin aborda a missão do intelectual, enfatizando a necessidade de respeitar a complexidade, de lutar contra o erro e ao mesmo tempo reconhecer a natureza mítica das nossas crenças. Insiste na necessidade de problematização e não de pura crítica, e incentiva a saída do papel de juiz soberano.

O livro explora a consciência humana, desde a sua dualidade até ao seu caráter reflexivo e subjetivo. Morin destaca a complexidade do pensamento e critica o reducionismo de certos neurocientistas. Evoca a emergência da mente e a necessidade de reconhecer a pluralidade das tradições médicas, enfatizando a importância da comunicação entre elas. Morin defende as humanidades, lembrando que a filosofia lança luz sobre as áreas cinzentas ignoradas apenas pela ciência. Também aborda os desafios democráticos, apelando a uma educação que permita aos cidadãos compreender questões técnicas complexas.O autor destaca a necessidade de mudar o rumo das nossas vidas, de resistir à hegemonia do lucro, do pensamento prosaico e de reconhecer a nossa comunidade. Apela a abraçar a diversidade de conhecimentos e a reconhecer o papel crucial da mente na saúde.

Uma obra fortemente recomendada. A sua exploração das complicações da vida, do pensamento e da sociedade humana, conduzida com uma mente independente, oferece uma perspetiva rica e profunda. Através das suas reflexões sobre a complexidade da realidade, a missão do intelectual, a consciência humana e muitos outros assuntos, Morin desperta a nossa curiosidade e leva-nos a repensar a nossa forma de compreender o mundo. Este livro parece mais relevante do que nunca, oferecendo chaves para compreender os desafios atuais e incitar uma reforma do pensamento e da educação. Uma leitura obrigatória para quem busca aprofundar a compreensão do mundo.

Um Momento Mais…

Textos pessoais, políticos, sociológicos, filosóficos e literários

de Edgar Morin

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897592249
Editor: Instituto Piaget
Data de Lançamento: maio de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 159 x 234 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 116
Tipo de produto: Livro
Coleção: Epistemologia e Sociedade
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia
EAN: 9789897592249

SOBRE O AUTOR

Edgar Morin

Edgar Morin (1921-2026), Filósofo e sociólogo francês, nascido em 1921, foi membro, durante a Resistência e no pós-guerra, do Partido Comunista Francês, do qual foi expulso por discordar da orientação oficial. Morin acredita que é necessário efetuar uma "revolução", mas que esta deve ter presente a ideia de totalidade e complexidade do real. Propõe, como alternativa, o conceito de "totalidade aberta" e de "um pensamento planetário", assentes na permanente revisão e crítica dos princípios orientadores, evitando os dogmas e o pensamento único.
Também no domínio da pesquisa epistemológica, a perspetiva de Morin traduz uma inovação. A sua reflexão nesta área incide sobre o panorama da ciência contemporânea que se apresenta como um "mosaico" de disciplinas isoladas e separadas entre si. Esta fragmentação remete para a necessidade de encontrar um novo método, que repense a tradição científica ocidental. Partindo do desenvolvimento das diversas ciências, especialmente da física, da biologia, da cibernética e da ecologia, Morin transmite a ideia de "complexidade", que caracteriza todas as esferas da atividade humana, desde o mundo físico e natural até ao universo das sociedades humanas. Estas realidades (física e social), têm de ser pensadas de uma forma dinâmica e intercomunicativa: o natural não ser entendido desligado do social e vice-versa, e o todo das partes que o compõem, também perspetivados numa lógica de reciprocidade. Em síntese, Morin tem como objetivo ultrapassar a visão reducionista e simplista do Homem e do Mundo, que domina o pensamento ocidental há trezentos anos.

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