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Ulisses

de Benjamin Fondane
Editor: VS. Editor, outubro de 2021 ‧
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«[...] é tão tarde, é tão tarde,
os emigrantes não param de escalar a noite
trepam na noite até ao fim do mundo,
partem o leite como irmãos e partilham-no
um soluço dá a volta ao mundo,
e nós iremos, fragmentos de uma velha dança,
pela terra toda e mais longe,
portadores de um grande segredo de que se perdeu o sentido,
gritar na cara dos homens a nossa sede incurável...»

Canto à emigração, à errância, à fragilidade daquele que tem por casa o corpo, a roupa e a língua, Ulisses (o dantiano, o que não regressa a Ítaca) é publicado numa primeira versão em 1933.

Porém, em 1941, decide reescrevê-lo (a reescrita era, aliás, parte essencial do seu processo criativo), projecto que a morte prematura, aos 46 anos, deixa por concluir. «Os poetas são feitos para ser esquecidos», escreve num texto de juventude.

Ulisses

de Benjamin Fondane

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895328376
Editor: VS. Editor
Data de Lançamento: outubro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 134 x 205 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 98
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789895328376

SOBRE O AUTOR

Benjamin Fondane

Benjamin Fondane, filho de pai comerciante e mãe originária de uma família intelectual judaica, nasceu em Iasi, na região da Moldávia, em 1898. Começou a publicar poemas em revistas com apenas 14 anos, e, pouco mais tarde, traduções suas de poemas em iídiche. Escreveu ativamente na imprensa judaica e romena até 1923. Em dezembro desse ano, mudou-se para Paris, cidade fervilhante de cultura e escapatória (por pouco tempo) para as perseguições anti-semitas que ocorriam na Roménia.
Em 1938, naturaliza-se francês. Pouco depois, rebenta a Segunda Guerra Mundial, e, em 1940, é feito prisioneiro de guerra por parte dos alemães, mas acaba por ser libertado por questões de saúde.
Na França ocupada, recusa marcar-se com a cruz amarela. Entretanto, conhece Emil Cioran, no qual exerce uma influência decisiva para o desvio das suas juvenis simpatias para com o fascismo. Em 7 de março de 1944, no seguimento de uma denúncia, Fondane e Line são detidos e levados para o Campo de Drancy. Aciona-se uma pressão (por Emil Cioran e Stéphane Lupasco, de entre outros) para a sua libertação, a qual é aprovada, com o argumento de ser «esposo de uma ariana». Mas não se consegue nada em relação à irmã, e Fondane recusa-se a abandoná-la. São então ambos deportados para Auschwitz em 30 de maio. Line será a primeira a morrer. Fondane sobrevive-lhe alguns meses, durante os quais, nos momentos de liberdade, cimenta amizades em discussões sobre poesia e filosofia.

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