10% de desconto

Tudo na Natureza Apenas Continua

de Yiyun Li
Livro eBook
Editor: Alfaguara Portugal, fevereiro de 2026 ‧
17,45€
15,71€
10% DESCONTO IMEDIATO
EM STOCK -
portes grátis
Face ao suicídio dos seus filhos, Yiyun Li escreve um livro sem sentimentalismo ou redenção, literariamente brilhante.

«Escrever, ensinar, jardinar, ir ao supermercado, cozinhar, tratar da roupa — são atividades que, situando-se no tempo, não rivalizam com os meus filhos, porque eles se tornaram intemporais.»

Vincent morreu com 16 anos. James morreu com 19 anos. Num intervalo de sete anos, os dois filhos de Yiyun Li escolheram o suicídio, a meio caminho entre a escola e a casa de família. Tudo na natureza apenas continua é um testemunho delicado, revolucionário, que tem origem no abismo, o novo habitat de uma escritora que escolhe professar a aceitação radical destas mortes trágicas.

Indefetível na eterna condição de mãe, eternamente ligada aos seus filhos, Yiyun Li faz germinar neste livro uma gramática só sua: austera, íntima, capaz de descrever uma das mais extremas experiências humanas, no ponto exato em que a linguagem costuma falhar.

Num exercício literário inigualável, Yiyun Li fixa para sempre o lugar dos seus filhos no mundo, porque «não há agora e outrora, agora e mais tarde; só agora e agora e agora e agora», mas somente agora e agora e agora e agora», como um tempo que nunca termina, apesar da tragédia.

«Belíssimo. Há poucos escritores com a pujança de Yiyun Li.»
Douglas Stuart

«Um livro de memórias sem par, inquieto e profundo.»
The New York Times

Livro com flor de alfazema 640.jpg

Livros que me fizeram chorar

Há livros que nos comovem pela história que contam, e há outros que nos tocam por um movimento mais difícil de explicar. Pode ser uma frase que encontra em nós uma antiga fragilidade ou uma voz que parece nomear aquilo que nunca soubemos dizer. Chorar a ler, muitas vezes, é uma resposta à ternura, à injustiça, à perda, à consciência súbita de que ser humano é habitar um corpo vulnerável ou um tempo breve.
Os livros que verdadeiramente me fizeram chorar não são necessariamente os mais trágicos, nem os mais violentos. São, quase sempre, os que me desarmam. Aqueles que se aproximam sem ruído do que é mais íntimo: a infância, a fome, a velhice, o luto. O Meu Pé de Laranja Lima, Quarto de Despejo, A Máquina de Fazer Espanhóis e Tudo na Natureza Apenas Continua pertencem a mundos muito diferentes, mas partilham o facto de, em momentos diferentes, me terem feito chorar.
O que os aproxima é a dignidade com que olham para aquilo que costuma ser desviado do campo de visão: a infância ferida, a pobreza extrema, a velhice desamparada, o luto sem remédio. Todos eles recusam o sentimentalismo fácil. Fazem-nos chorar não porque manipulem as emoções, mas porque nos obrigam a permanecer diante do que é humano quando já não há ornamento possível. O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos Poucos livros conseguem falar da infância sem a idealizar. O Meu Pé de Laranja Lima é um desses raros casos em que a infância aparece ao mesmo tempo como lugar de imaginação e de ferida. Zezé é uma criança luminosa, inventiva, excessiva, e talvez por isso mesmo tão vulnerável. Vê o mundo com uma abertura absoluta, sem os filtros que mais tarde aprendemos a construir para sobreviver. É precisamente essa abertura que torna o romance tão comovente. Li-o muito nova, e como tanta gente, chorei bastante com a leitura. Pelo sofrimento de uma criança e a dureza das circunstâncias em que vive, mas também pela desproporção entre a delicadeza interior de Zezé e a rudeza do mundo que o cerca. É quase intolerável a forma como a ternura, quando surge, parecer sempre demasiado breve, demasiado frágil. José Mauro de Vasconcelos escreve com uma simplicidade aparente. Por baixo da leveza, há uma compreensão profunda da solidão infantil, dessa experiência de sentir muito e não ter ainda linguagem suficiente para defender o que se sente. É um livro que faz chorar porque nos devolve a parte de nós que um dia precisou de amor e não soube pedi-lo. COMPRO NA WOOK! » Tudo na Natureza apenas continua, de Yiyun Li Há livros de luto que procuram uma forma de consolo, uma espécie de reconciliação final com a dor. Tudo na Natureza Apenas Continua não pertence a essa tradição. Yiyun Li escreve a partir da perda dos filhos e fá-lo sem ceder à tentação de transformar o sofrimento em lição, em exemplo ou transcendência. Esse gesto de recusa é, talvez, o que torna o livro tão raro e tão perturbador. Em vez de nos oferecer uma narrativa redentora, a autora permanece junto daquilo que o luto tem de mais irredutível. A interrupção, o absurdo, a impossibilidade de substituir uma presença perdida por qualquer ideia reconfortante.
O próprio título contém uma violência silenciosa. Tudo na natureza continua: o tempo, as estações, a luz, os gestos banais do mundo. Mas essa continuidade, pode tornar-se insuportável para quem vive a experiência de uma ausência definitiva. O livro faz chorar porque recusa mentir e porque pensa a dor sem a adornar. Porque mostra que há sofrimentos que não se resolvem, apenas se incorporam numa existência que prossegue sem realmente recuperar forma. Há uma sobriedade extraordinária nesta escrita, e essa sobriedade tem mais força do que qualquer dramatização. É um livro que não nos arranca lágrimas de maneira imediata; antes se instala em nós, devagar. COMPRO NA WOOK! » A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe Este é um romance sobre a velhice, mas reduzir-lhe o alcance seria injusto. A Máquina de Fazer Espanhóis é, antes de mais, um livro sobre aquilo que resta quando a vida começa a retirar-nos as suas grandes estruturas de sentido: o amor, a casa, a autonomia, a identidade social, a ilusão de permanência. A partir da entrada de António Silva num lar, Valter Hugo Mãe constrói uma meditação dolorosa sobre a perda, a decrepitude e a solidão, mas fá-lo com uma linguagem de tal forma delicada que o sofrimento nunca se torna opaco. Pelo contrário, torna-se ainda mais nítido.
O que me fez chorar neste livro foi a forma como ele olha para os velhos sem os transformar em símbolo nem em caricatura. Há uma enorme compaixão nestas páginas, mas uma compaixão exigente, que não embeleza o desgaste do corpo nem suaviza a humilhação da dependência. Ao mesmo tempo, o romance recusa a ideia de que a velhice seja apenas declínio; mostra também a persistência do desejo, da memória, da ironia, da necessidade de vínculo. Há momentos de uma doçura inesperada, e talvez seja isso que torna o livro ainda mais devastador. No meio da ruína, continua a haver humanidade. Chorei pela consciência de que envelhecer é ir ficando exposto, mas também pela beleza com que o romance insiste em reconhecer essa exposição como digna de ser vista. COMPRO NA WOOK! » Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus Se o choro provocado por alguns livros nasce da identificação íntima, em Quarto de Despejo nasce também do embate com a realidade. O diário de Carolina Maria de Jesus não tem o desenho reconfortante da ficção, nem a distância que por vezes nos permite ler a dor com alguma proteção. Aqui tudo é imediato. A fome, o lixo, a fadiga, a humilhação, o esforço contínuo de manter os filhos vivos e a dignidade intacta. O efeito do livro reside precisamente na sua lucidez seca, na economia de uma escrita que regista o intolerável como parte do quotidiano.
É um livro que faz chorar de um modo diferente, sobretudo pela vergonha e pela impotência. Carolina Maria de Jesus escreve a partir de um lugar que tantas vezes foi apagado ou reduzido a estatística, e essa escrita restitui rosto, voz e pensamento a uma vida que a sociedade preferiria não ver. Há, no entanto, algo ainda mais impressionante do que a denúncia social: a inteligência moral da autora, a sua consciência aguda das estruturas que produzem miséria e exclusão, sem nunca perder a singularidade da sua experiência. Chora-se em Quarto de Despejo, porque a literatura é prova de resistência. E porque há poucas coisas mais comoventes do que ver alguém escrever contra o desaparecimento. COMPRO NA WOOK! »

Tudo na Natureza Apenas Continua

de Yiyun Li

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895894345
Editor: Alfaguara Portugal
Data de Lançamento: fevereiro de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 234 x 11 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 176
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
EAN: 9789895894345

Os deuses são teimosos...

Viviane Veiga

Mas eu também sou! Um relato sobre o reaprender a prosseguir um caminho, sem antes, sem depois, no agora porque só o agora pode fazer sentido. Uma "ilha" de um tema doloroso e perturbador, para tantos pais que se sentem náufragos num mar de dor.

uma carta de amor

Andreia Morais

O livro não é sobre luto e, ainda assim, fez-me pensar muito sobre ele, porque trouxe-me outra perspetiva. Além disso, apesar de a autora se mover numa certa racionalidade, há um lado emocional muito presente, talvez por isso este pensar sobre situações-limite, factos, lógica e abismo se revista de uma homenagem particular, que não dá margem ao esquecimento.

Sensível e profundo

Filipa

Um livro sensível e profundo sobre a dor, a memória e a forma como a vida continua apesar das perdas. A escrita é simples e delicada, mas consegue transmitir emoções muito fortes ao longo da história.

Nenhuma mãe devia perder um filho

Leila Gomes

Um testemunho vivido pela Mãe de 2 irmãos que decidiram pôr fim à vida. Nenhuma mãe devia passar pela morte de um filho. Este livro é um murro no estomago. Dei por mim ao longo do livro com uma angustia e inquietação pelos relatos tão realistas, crus e diretos que esta mãe/escritora descreveu. Como a vida continua mesmo depois de ter perdido 2 filhos, é a história de Yiyun Li. Um livro pesado, apesar de ser de rápida leitura e ter apenas 176 páginas.

Absolutamente maravilhoso

MI

Não há palavras capazes de abarcar o sofrimento indizível de Yiyun Li — e, ainda assim, ela encontra-as. Deste paradoxo nasce um livro de uma profundidade imensa, onde a dor é pensada com rigor e delicadeza, sem resvalar para o excesso. Essa intensidade convive com uma atmosfera serena, quase apaziguadora, que não anula o sofrimento, mas o torna habitável — oferecendo-nos uma forma discreta, mas real, de conforto.

Incrível

João S.

Umas das leituras mais profundas e impactantes de que tenho memória. Escrever sobre uma dor incomensurável com um domínio tão racional e clarividente é um feito notável. Um nível de honestidade que raramente encontramos. Um dos livros que não deixará de me acompanhar e de que me lembrarei muitas vezes. Leitura imprescindível e que recomendo vivamente!

Tudo na Natureza apenas continua

Susana Frazão

Que leitura avassaladora. Um livro sobre a perda, o luto e a capacidade de nos reconstruirmos depois do inimaginável. Um livro narrado pela própria autora que viveu o luto e o suicídio de ambos os filhos e que mostra como se consegue continuar a caminhar, mesmo quando já não temos chão. Uma leitura delicada e intensa sobre o nosso poder de reconstrução.

SOBRE O AUTOR

Yiyun Li

Yiyun Li nasceu em Pequim, em 1972, e vive nos Estados Unidos desde 1996. É professora de Literatura e Escrita na Universidade de Princeton.
Estreou-se com o livro de contos A thousand years of good prayers, distinguido com vários prémios: PEN/Hemingway Award, Frank O’Connor International Short Story Award, Guardian First Book Award ou Whitting Award. Viria a publicar depois as coletâneas Gold boy, emerald girl e Wednesday’s child (finalista do Pulitzer Prize). O seu primeiro romance, The vagrants, foi finalista do International Dublin Literary Award. Seguiram-se Kinder than solitude, Where reasons end (PEN/Jean Stein Book Award), Must I go e The book of goose (PEN/Faukner Award for Fiction). Publicou ainda os livros de memórias Dear friend, from my life I write to you in your life e Tudo na natureza apenas continua, o qual marca a sua estreia em Portugal, na Alfaguara.
Yiyun Li tem recebido prestigiadas distinções, como a MacArthur Foundation Fellowship e a Guggenheim Fellowship. Foi integrada pela Granta, em 2007, na seleção dos 21 melhores jovens romancistas americanos e, em 2010, a New Yorker distinguiu-a nos «20 under 40». Foi galardoada com o American Academy of Arts and Letters’s Award, com o Windham-Campbell Literature Prize for Fiction e com o PEN/Malamud Award. Os seus livros estão traduzidos em mais de vinte línguas.

(ver mais)

DO MESMO AUTOR

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU