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The Kobzar Of The Ukraine

de Taras Shevchenko
idioma: francês
Editor: Culturea, Janeiro de 2023 ‧
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Wook se escreve na Ucrânia – Parte I

A literatura ucraniana é ainda terra incógnita para muitos leitores, em parte devido à falta de traduções de muitos dos seus autores mais antigos. Mas isso está a mudar. Os autores contemporâneos ucranianos estão a alcançar o seu merecido reconhecimento internacional. Nem todos podem, ainda, ser lidos em português, mas se quiser descobrir a riqueza da ficção ucraniana, este é um excelente começo.


Nota: Este artigo foi originalmente publicado na Revista Wookacontece nº 9, em de Maio de 2023 Ilustração original de Aurora Sant’Ana DO SÉCULO XII AO SÉCULO XX Com uma longa e profunda história que reflete os desenvolvimentos culturais, políticos e sociais do país, da poesia épica aos romances modernos e contos, a literatura ucraniana é uma janela para a identidade e o património desta nação.
Se olharmos para o processo literário do último milénio como um todo, é possível dividi-lo em vários períodos amplos: o da criação de literatura original em Rus de Kiev (séculos IX a XIV), o cossaco (século XVI a XVIII), o do vernáculo (século XIX), o do renascer na década de 1920, o da pré-independência (década de 1980), e o contemporâneo.
Temos de recuar até ao século XII para encontrar O Conto da Campanha de Igor (1187), um poema épico carregado de orgulho nacional que relata a campanha (fracassada, mas heroica) do príncipe Igor Svyatoslavich, o Bravo, contra os cumanos, e que é o mais notável marco da literatura ucraniana antiga.
Mas é importante saber que a língua usada na escrita (ucraniano padrão), empregue nos rituais religiosos cristãos, evoluiu a um ritmo mais lento do que a palavra falada. Até que, no despontar no século XIX, coincidindo com um despertar nacional, surge uma língua literária completamente nova, baseada na variante falada (vernáculo ucraniano nativo). Foi uma era de escrita prolífica, de afastamento do estilo épico tradicional em direção ao realismo e ao romantismo. Vários escritores desempenharam papéis-chave neste movimento, defendendo o uso da língua ucraniana e promovendo um sentido de identidade nacional. Mas um, em especial, ficará para sempre ligado à Ucrânia: Taras Shevchenko (1814-1861), poeta, escritor, artista, e humanista, foi um visionário que contribuiu para o renascimento nacional ucraniano. Todas as cidades ucranianas – e muitas europeias, incluindo Lisboa – têm monumentos a este escritor, e as crianças ucranianas continuam a declamar os seus poemas nas escolas do país.
Shevchenko nasceu servo, uma condição de quase escravatura vigente no Império Russo até 1861. Graças ao seu talento para a pintura, alcançou a alforria aos 24 anos, tendo estudado Arte em São Petersburgo. Mas foi na expressão poética que se notabilizou, tanto pela genialidade, como pelo seu espírito de revolta e defesa da liberdade. A sua primeira coleção de poemas, Kobzar, obteve permissão para ser publicada, em 1840, um feito importante numa altura em que as publicações ucranianas estavam proibidas. Mas a filiação do escritor numa sociedade secreta que defendia a independência da Ucrânia e a transformação do Império Russo numa federação de nações eslavas, e a sua autoria de poemas – em ucraniano – que satirizavam a opressão da Ucrânia pela Rússia, fizeram com que o czar Nicolau I o condenasse, pessoalmente, à prisão, proibindo-o de escrever ou pintar. Shevchenko não se vergou, e foi condenado ao exílio em condições duríssimas, que acabariam por precipitar a sua morte, aos 47 anos.
  Taras Shevchenko, retratado pelo pintor Ivan Kramskoi Taras Shevchenko é considerado o fundador da língua ucraniana moderna escrita e influencia, até hoje, a vida cultural, intelectual e literária no país. A sua vida e obra marcaram de tal forma a Ucrânia, que Taras Shevchenko é considerado o fundador da língua ucraniana moderna escrita. A sua poesia contribuiu muito para a consciência nacional ucraniana e influencia, até hoje, várias facetas da vida intelectual, literária e nacional.

Pouco depois da morte deste herói nacional, o regime czarista proibiu ainda mais severamente a atividade literária em língua ucraniana, o que fez com que, até 1905, muitos trabalhos tenham permanecido inéditos ou publicados apenas fora do Império Russo. Apesar de severamente afetados por fortes convulsões no início do século XX – a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa e o domínio soviético –, os escritores ucranianos continuaram a produzir obras de significado, explorando os temas da injustiça social, da opressão, e da luta pela liberdade

The Kobzar Of The Ukraine

de Taras Shevchenko

Propriedade Descrição
ISBN: 9791041940158
Editor: Culturea
Data de Lançamento: Janeiro de 2023
Idioma: Francês
Tipo de produto: Livro
Coleção: Developpement Personnel
Classificação Temática: Livros em Francês > Literatura > Poesia
EAN: 9791041940158

SOBRE O AUTOR

Taras Shevchenko

Taras Shevchenko (1814-1861) foi um autor e artista ucraniano. O Kobzar, no qual trabalhou durante quase 25 anos, é considerado a sua obra-prima. As suas obras são celebradas mundialmente em museus e centros culturais que têm o seu nome.
Shevchenko tem um lugar especial na história ucraniana: a sua poesia é considerada a base da escrita ucraniana moderna e da literatura ucraniana. Além da sua obra literária, as pinturas renderam-lhe muitos prémios e um título profissional da Academia Imperial de Artes.
Nascido na servidão, Shevchenko experimentou a pobreza desde tenra idade. Aos 11 anos, já tinha perdido os pais, mas antes de falecer, o pai conseguiu que ele aprendesse com um diácono, a ler e a escrever. Após a morte dos seus pais, Shevchenko foi um trabalhador itinerante até aos 14 anos, quando se tornou empregado doméstico de seu senhor, Pavel Engelhardt.
O menino mostrou um talento precoce para a arte. Aos 15 anos, viajou com Engelhardt para São Petersburgo e recebeu uma série de estágios. Eventualmente, chamou a atenção de vários intelectuais proeminentes, incluindo o melhor pintor vivo da Rússia, Karl Briullov, e o poeta Vasily Zhukovsky, que foi o tutor do futuro czar Alexandre II. Eles compraram a liberdade de Shevchenko por 2.500 rublos, leiloando um dos retratos de Zhukovsky feitos por Bruillov. Em 1838, Shevchenko foi aceite na Academia Imperial de Artes como aluno de Briullov.
A primeira metade da década de 1840 é considerada propícia para o artista. Tendo escrito poesia desde 1837, Shevchenko publicou o seu primeiro Kobzar em 1840. A coleção rendeu-lhe elogios da crítica e do público, e o seu status como figura cultural estava em ascensão. Retornou à Ucrânia pela primeira vez aos 29 anos, viajando extensivamente por um período crítico de três anos, de 1843 a 1845, que resultou numa série de pinturas e alguns dos seus versos mais penetrantes e patrióticos. Em Kiev, juntou-se à Irmandade de Cirilo e Metódio, uma organização secreta que defendia a abolição da servidão e também o direito de cada nação eslava de desenvolver a sua própria cultura e língua. A sua participação na Irmandade, considerada subversiva pelas autoridades czaristas, bem como a sua polémica poesia, levaram à prisão de Shevchenko em 1847. Foi então exilado com um destacamento militar em Orenburg, na orla dos Montes Urais. O czar Nicolau I proibiu pessoalmente Shevchenko de escrever ou pintar.
Shevchenko, no entanto, violou as ordens do czar. Tal insubordinação levou a um banimento ainda mais profundo para a cidade de Novopetrovsk, na desolada costa leste do Mar Cáspio. (Em homenagem ao poeta, a cidade foi rebatizada de Shevchenko em 1963). Os seus amigos, incluindo membros da proeminente família Tolstoi, apelaram à sua libertação, que finalmente aconteceu em 1857.
A saúde de Shevchenko foi permanentemente afetada pela provação, mas a sua produção criativa permaneceu forte. Em 1860, a Academia Imperial de Artes homenageou o artista com um título académico profissional. Logo depois, a sua saúde piorou e morreu de insuficiência cardíaca a 10 de março de 1861 - sete dias antes do anúncio formal da abolição da servidão.

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