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Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos

de Luiz Pacheco
Editor: Tinta da China, junho de 2026 ‧
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Dois livros — um de éditos e um de inéditos — publicados simultaneamente: Ser Livre em Português: Uma Antologia reúne dezenas de títulos publicados pelo autor, nomeadamente a grande maioria dos seus textos mais emblemáticos, como Comunidade, Crítica de Circunstância ou O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor. Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos é uma rigorosa recolha de textos conservados em espólios e no acervo da família, passando por esboços, correspondência, cadernos, crónicas e produção diarística, reflexos de uma aventura literária persistente.

«Não sei nada. Duvido de tudo. Desci ao fundo dos fundos, lá onde se confunde a lama com o sangue, as fezes, o pus, o vómito; fui até às entranhas da Besta e não me arrependo. Nada sei do futuro, e o passado quase esqueci. Li muito e foi pior.» — Luiz Pacheco, Comunidade

Edição de Rui Sousa e Sofia A. Carvalho

Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos (volume de inéditos)

A obra de Luiz Pacheco é muitas vezes lida em função dos episódios singulares e controversos que marcaram uma vida de intensa deambulação, que condicionou, seguramente, o desenvolvimento de alguns projetos, ao mesmo tempo que definiu um estilo literário peculiar e a escolha dos géneros literários mais adequados à expressão criativa do nomadismo físico e intelectual.

Essa circunstância biográfica convive com outros aspetos decisivos, embora menos lembrados, como a riqueza e a pluralidade dos âmbitos que explorou como leitor omnívoro, o rigor da atividade de editor dos próprios textos, as campanhas obsessivas de planificação e reelaboração dos projetos estruturantes da sua obra ou o carácter experimental dos diários, incluindo os que permanecem inéditos.

Textos Avulsos apresenta alguns exemplos dessa pulsão criativa, através de um trabalho de investigação no espólio pessoal de Pacheco à guarda da família, a que se acresce uma recolha de crónicas nunca reunidas em volume pelo escritor.

Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos

de Luiz Pacheco

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895950720
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: junho de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 140 x 210 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
EAN: 9789895950720

SOBRE O AUTOR

Luiz Pacheco

Escritor português, Luíz José Machado Gomes Guerreiro Pacheco nasceu a 7 de maio de 1925, em Lisboa. Oriundo de uma família de raízes alentejanas ligada às artes, frequentou o Liceu Camões, em Lisboa, e matriculou-se no curso de Filologia Românica, que não chegou a concluir.
Colaborou em várias publicações periódicas como Bloco, Seara Nova, Globo, Afinidades, Diário Popular, Diário Ilustrado. Foi inspetor dos espetáculos e acumulou a escrita com a tradução e com a atividade editorial, publicando em Contraponto, editora fundada por si em 1950, textos coletivos de autores surrealistas e neorealistas como Mário Cesariny, Natália Correia, Herberto Helder e Vergílio Ferreira, assim como a primeira tradução portuguesa de Sade.
O seu primeiro livro data de 1959 Carta-Sincera a José Gomes Ferreira, iniciando uma escrita de crítica inteligente, agressiva e irreverente, face aos costumes e nomes consagrados.
Assume-se como um agitador intelectual, ironizando e satirizando a vida literária e cultural do país. De salientar na sua produção os textos de circunstância e a encenação epistolar: Pacheco versus Cesariny e as coletâneas Crítica de Circunstância,Literatura Comestível e Textos de Guerrilha 1 e 2.
Figura representada por Benjamim Marques (cf. MARTINHO, Fernando J. B. - Tendências Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50, Lisboa, 1996, p. 79) entre os autores e artistas abjecionistas (ao lado de Manuel de Lima, Mário de Cesariny, Raul Leal, José Manuel Simões, Hélder Macedo, João Rodrigues, Gonçalo Duarte, Escada, Cargaleiro, António José Forte, Manuel de Assunção, Virgílio Martinho e Saldanha Gama) do grupo reunido entre 1956 e 1959 no Café Gelo, grupo associado a uma segunda geração surrealista, definida pela perda do que o surrealismo tinha de aventura exaltante para revelar uma faceta autoirónica, trágica e iconoclasta, que rejeita não apenas a ordem social e moral "do establishement com que, num plano mais imediato, se defronta, mas todo e qualquer establishement, e que parece descrer de qualquer saída para o mal-estar insanável que é o seu" (id. ibi., p. 80).
Autor inclassificável, aproxima-se do abjecionismo e de uma manifestação tardia do libertinismo por um inconformismo radical, por uma recusa essencial face a tudo o que possa vir a converter-se em obstáculo (conceitos, bom senso, dogmas) diante da afirmação plena da liberdade existencial e artística, firmada num ato de escrita que equivale a um ato de revolta contínuo (cínico, agressivo, satírico) contra uma sociedade que receia enfrentar as zonas mais obscuras da sua condição.
A sua obra desenvolve-se em duas vertentes frequentemente confluentes: por um lado, a escrita panfletária, polémica e crítica (cf. Textos de Circunstância, Textos de Guerrilha I e II), e, por outro, uma ficção que tende com frequência para a autobiografia romanceada, na linha de um autor como Céline, onde confessa com desinibição as contingências de um eu ostensivamente pícaro, anti-herói sem dinheiro, incapaz de sustentar a família, boémio, sem teto certo, alcoólico, mendigo, em colisão frontal com os valores burgueses - concedendo apenas nas imagens da amada e do amor sensível materializado nos filhos momentos de rara exaltação da vitalidade -, e onde a desmistificação do eu encontra equivalente na desconstrução e experimentação linguística do próprio texto.
Bibliografia: Carta Sincera a José Gomes Ferreira, Lisboa, 1959; Comunidade, Porto, s/d; Crítica de Circunstância, Lisboa, 1966; Exéquias de Manuel Lima, o Careca: Manifesto, s/l, 1967; Textos Locais, s/l, 1967; O Libertino Passeia por Braga, A Idolátrica, o seu Esplendor, Porto, 1969; Exercícios de Estilo, Lisboa, 1971; Literatura Comestível, Lisboa, 1972; Pacheco versus Cesariny, Lisboa, 1974; Textos Malditos, Lisboa, 1977; Textos de Circunstância,, seguido de A PIDE Nunca Existiu, Amadora, 1977; Textos de Guerrilha, 1.a série, Lisboa, 1979; 2.a, 1981; Textos do Barro, Porto, 1985; O Caso das Criancinhas Desaparecidas, Lisboa, 1981; O Teodolito e a Velha Casa, Lisboa, 1985; Textos Sadinos, Setúbal, 1991; Memorando Mirabolando, Setúbal, 1995; Cartas na Mesa: 1966-1996, Lisboa, 1996; O Uivo do Coiote, Palmela, 1996; Torga: a Minha Homenagem, s/l, 1979
Luís Pacheco. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. [Consult. 2008-01-11].

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