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Sunny N.º 1

de Taiyo Matsumoto
Editor: Devir, Janeiro de 2023 ‧
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Na casa de Acolhimento Hoshinoko, um grupo heterogéneo de crianças enfrenta as inseguranças inerentes ao crescimento e ao facto de serem abandonadas ou órfãs.

A sua via de escape é a imaginação e Sunny, um carro velho que não funciona, mas consegue transportá-los para longe ou simplesmente proporcionar refúgio das dificuldades do dia a dia.

Prémio Shogakukan para Melhor Manga, 2016.
Prémio de Excelência do Media Arts Festival, 2016.
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Literatura que vem da Ásia

É coisa múltipla e densa e, nos últimos anos, tem-se destacado pela banda desenhada. Com imagem ou sem, entre literatura ficcional e não ficcional, o que não falta são livros que nos mostram o continente asiático Pyongyang É uma maravilha para quem quiser pôr os olhos nesse lugar onde tão poucos olhos podem ver. Aqui, Delisle não brinca em serviço, e abre a vista dos leitores para a ação, o texto e a imagem. Nisso, o livro é um festim. O traço do autor – que já habituou o público a uma forma singular de mostrar cidades – guia a leitura pelo essencial, mostrando os espaços ao mesmo tempo que a tensão acumulada. Assim, quem lê vê a capital da Coreia do Norte, e vê ainda o olhar de um canadiano sobre tudo o que lhe parece obscuro ou aberrante. Delisle foi à Coreia do Norte enquanto colaborador do Estúdio de Animação SEK, resultando a ida nesta fotorreportagem carregada de sentido. De forma simples e bem casada, com humor, ironia, dúvidas, algumas respostas, o autor mostra-nos aquelas ruas – e não há como não estranhar que não tenham gente, que os jardins não sirvam para passeios, que ninguém pareça andar à-toa. Claro, tudo isto é fruto de uma vida que mete toda a gente numa engrenagem, essa gente que dedica seis dias por semana ao trabalho e um a “voluntariado”. Das estátuas a glorificar os líderes ao fechamento da Coreia do Norte ao mundo aos pisos de hotéis reservados para estrangeiros, ou mesmo aos hotéis com especificidades particulares (CNN num, por exemplo), tudo sabe a bálsamo por abrir as portas ao segredo. Ao mesmo tempo, porque mostra o que o segredo tem, muito do que se lê sabe a sufoco. COMPRO NA WOOK! » Crónicas da Birmânia É ao estilo do anterior, mas noutra parte do mundo. Deste retrato da Birmânia, ou Myanmar, fica uma sensação de calor. Assim que lá chega, o narrador, que é o autor, procura uma casa para morar com a família. Para ali foram os três – pai, mãe e filho –, porque a mãe estava numa comissão dos Médicos do Mundo. Só essa procura já é hilariante: pedem aos agentes imobiliários uma casa simples e térrea e só lhes mostram palácios ou casas disfuncionais. Enquanto a narrativa se desenrola, sempre feita de dia-a-dia, o leitor apercebe-se dos desafios de viver ali. Para o narrador, o maior desafio parece ser aquele calor que o põe a suar em bica em menos de cinco minutos, e as sucessivas quebras na energia elétrica. O romance gráfico desenrola-se ao sabor do vento, com sabor a diário, e por isso sabor a vida. Mais uma vez, o traço é simples, direto ao ponto, resultando sempre num grafismo agradável e incisivo. O tom é sempre despretensioso, com a partilha permanente de dúvidas, cogitações, admirações – e com isso o leitor faz a viagem ao mesmo tempo que a lê. Entre coisas de grande porte, como a abordagem ao sistema político do país, encontram-se detalhes que dão cor ao livro: por exemplo, o autor nota, e nós notamos também, que os habitantes guardam o guarda-chuva na cintura ou pendurado no colarinho da camisa. Adensando-se a ação, com o narrador cada vez mais dentro da realidade, começa a dar-se um retrato mais panorâmico do país, incluindo paisagens de encher o olho. COMPRO NA WOOK! » Sunny 1 Este é japonês, o que significa que o lemos ao contrário: começa-se pelo fim e vai-se da direita para a esquerda. Ao fim de umas páginas, o movimento começa a parecer-nos natural, o olho já vai sozinho e treinado. Este livro acompanha um grupo de crianças que vivem na casa de acolhimento Hoshinoko. São doze capítulos, e ei-los a mostrar o medo do abandono, o crescimento numa vida sem amarras. O grafismo saltita entre imagens a preto e branco e imagens que parecem aguarelas: nesses últimos, as cores são vívidas, embora quase sempre haja ali um fundo de lentidão ou de tristeza. Nos quadros em que não há texto, a imagem fala. As páginas respiram, apesar da violência que aparece volta e meia, inerente às tentativas de sobrevivência. Também Sunny – um carro avariado – é uma forma de sobrevivência: ali se metem os miúdos a fingir que a vida é outra coisa, que vão para outros lugares ou simplesmente que estão separados do mundo lá fora. COMPRO NA WOOK! » Bairro distante Quem não sonha, volta e meia, com o que se passa neste livro? Ali dentro, as viagens no tempo são possíveis. Hiroshi vai da meia-idade aos tempos em que tinha 14 anos. No início, há o susto: as pessoas desaparecidas da sua vida que entretanto voltam a encher-lhe o quotidiano, os passos numa cidade que deixou de existir, a incapacidade de perceber por que raio é que aquilo aconteceu. Depois, há o outro lado: a possibilidade de reviver ou refazer as relações que afetaram o futuro e, claro, de voltar a ouvir vozes que a morte levara há muito. Lê-se de forma escorreita, com fome de saber o que será feito daquele homem que de novo virou rapaz, e o livro oferece uma possibilidade que só pode pertencer à ficção: o que fazer num determinado momento, podendo já ler o futuro? Mudar os passos, claro, muda tudo, e essa possibilidade marca a história. Ao mesmo tempo, tudo é emoção: por um lado, há a leveza de uma juventude, o reconforto de recuperar os mortos; por outro, a nova vida implica passar por tudo outra vez. Aliás, é por saber o que está prestes a assolar a sua família que, depois de ter percebido que aquilo não era um sonho nem ia passar depressa, tenta mudar o rumo às coisas. Nos poucos meses que tem até chegar à data que mudou tudo, Hiroshi tenta impedir o desaparecimento do pai e a morte da mãe. Claro, enquanto mexe, há que ter cuidado para não mexer demasiado, para que a vida que construíra de facto não deixe de existir. COMPRO NA WOOK! » À espera de ser preso durante a noite Este não é ficção nem banda desenhada, mas também, e de que maneira, abre as portas para o mundo. Eis o relato de Izgil, um poeta modernista de língua uigur. Aqui, o autor conta a história do seu povo, uma minoria muçulmana da China ocidental que vive controlada pelo governo chinês. Com uma escrita subtil, o autor vai mostrando uma história que parece ficção científica: o povo uigur a viver controlado por forças de seguranças chinesas, que torturam, perseguem, “reeducam” e depois matam sem dó. O livro tem uma prosa literária, agarrando o leitor ao texto pela forma e pelo conteúdo. Enquanto se lê, vê-se o horror, embora muitas vezes ao longe, uma vez que o autor se foca mais na expectativa, no medo, na nuance. Ao longo do livro, o autor conta ainda o momento em que tentou viajar para o estrangeiro em 1996 e foi torturado pela polícia até confessar as acusações que lhe imputavam, acabando num campo de “reeducação”. É uma escrita contundente que mostra ao leitor contemporâneo uma realidade que dificilmente lhe chega. COMPRO NA WOOK! » Seios e Óvulos É o primeiro romance de Kawakami , hoje uma das mais prestigiadas autoras japonesas, publicado em Portugal. Aqui, a autora conta a história de três personagens de gerações diferentes: há a menina obcecada com o facto de as mulheres produzirem óvulos, a mãe obcecada com seios, e a irmã da mãe, que liga os membros da família na narrativa. Enquanto o enredo se desenvolve, são tecidas considerações sobre o lugar das mulheres no mundo e no Japão, o que inclui a ligação com a maternidade – e a pressão social para que mulher e mãe sejam quase sinónimos. Através da ligação entre as personagens, e pelo facto de a autora mostrar a vida, o leitor fica a conhecer parte da cultura japonesa. A narrativa é sólida, as personagens sabem a gente a sério. Em simultâneo, há acção e consideração sobre a acção, resultando num livro coeso, de leitura aprazível, em que se mostra um país que parece estar a equilibrar-se entre conceitos antigos e o progresso social e tecnológico. À primeira vista, pode parecer que é um romance sobre o papel social das mulheres no Japão, mas é mais do que isso: é mesmo uma janela aberta para a cultura de um país. COMPRO NA WOOK! »

Sunny N.º 1

de Taiyo Matsumoto

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895595334
Editor: Devir
Data de Lançamento: Janeiro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 214 x 26 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 426
Tipo de produto: Livro
Coleção: Sunny
Classificação Temática: Livros em Português > Banda Desenhada > Manga
EAN: 9789895595334

Cru, silencioso e difícil de largar

_henrique

Apanhou-me de surpresa. Esperava algo mais “duro”, mas o que há aqui é outra coisa: miúdos num lar, com tudo à vista — solidão, invejas, momentos pequenos que ficam. O Sunny (o carro) não resolve nada, só dá espaço para respirar. O traço parece estranho ao início, quase torto, mas acaba por ser o que dá verdade a tudo isto. Não é confortável nem procura agradar. Mas fica.

Prego a fundo

Sérgio Reis

Desconhecia o livro e autor. Nunca tive um datsun sunny, mas vivi muitas aventuras na companhia da minha Mana e do amigo Bruno ao volante de uma Ford transit, que na prática correspondia a um conjunto de pedras cuja forma e uma pitada de imaginação chegavam para parecer uma carrinha. Muitas vezes funcionava também como um escape do mundo dos adultos que nem sempre compreendíamos. Este primeiro volume é composto por 12 capítulos, onde acompanhamos o dia a dia de um grupo de crianças num orfanato. As histórias parecem bastante genuínas, e facilmente me senti envolvido pelas mesmas. Gostei muito do grafismo, nada estático, o qual acrescenta um interessante dinamismo às histórias. Para ler este livro à que começar pelo fim, ou não fosse japonês e sempre da direita para a esquerda. Recomendo.

Surpresa da Editora Devir

Diogo Lopes

Apesar de anunciado previamente, a estreia de Sunny em Portugal não deixa de ser uma surpresa, por escapar um pouco ao típico lançamento de "shounens" populares e ser uma série mais "underground" e com um caráter maturo. Sunny acompanha a vida dos carismáticos jovens residentes dum orfanato, seguindo o seu dia-a-dia e ilustrando na perfeição episódios e brincadeiras caricatos, fantasias típicas da idade, mas também momentos sérios e pesados. Promete ser uma série especial, carregada de emoção, e que fornece uma experiência diferente e memorável ao leitor.

Bom começo

luciabooksnstuff

Acredito que seja uma boa introdução ao que aí vem. De forma simples, o autor introduz-nos ao quotidiano de uns jovens cheios de sonhos. Irei querer ler mais.

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