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Solaris

de Stanislaw Lem
Editor: Antígona, fevereiro de 2021 ‧
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Em tradução directa do polaco, Solaris (1961) é uma das obras de ficção científica mais complexas e filosóficas, e consagraria Stanislaw Lem (1921-2006) como autor de culto.

Publicado em Varsóvia, em pleno regime comunista, e adaptado ao cinema por Andrei Tarkovski, em 1972, e Steven Soderbergh, em 2002, é dominado por um imenso e enigmático oceano planetário, capaz de controlar as emoções e as memórias de exploradores à beira da loucura, isolados numa estação espacial.

Neste romance psicológico sobre a incomunicabilidade, a angústia face ao insondável e a incapacidade humana de lidar com o desconhecido sem causar destruição, Stanislaw Lem leva-nos a um planeta distante para revelar os eternos abismos e buracos negros da alma.
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Para além dos raios laser

A ficção científica, tal como a fantasia, é tida por muitas pessoas como o parente pobre da literatura por não ter a densidade emocional e tensão dramática que costuma caracterizar a ficção literária mais convencional. Segundo estas vozes críticas, é difícil acreditar que histórias sobre viagens à velocidade da luz em naves espaciais, aventuras em planetas povoados por espécies alienígenas, com raios laser e portais para outras dimensões possam levar o leitor a refletir sobre a condição humana, as tensões sociais ou os dilemas da vida real. Felizmente, esta ideia tem vindo a mudar. Há cada vez mais defensores da ideia de que a ficção científica é um terreno fértil para explorar questões que nos dizem muito. Quando nos vemos confrontados com histórias que decorrem em realidades paralelas ou em futuros distantes, muito diferentes do que esperamos, somos levados a comparar essas visões alternativas com a nossa própria realidade e, muitas vezes, descobrimos nelas mais semelhanças do que imaginaríamos à partida. Como em todos os géneros literários, há formas muito diferentes de escrever ficção científica. Os Despojados, de Ursula K. Le Guin Em Os Despojados, Ursula K. Le Guin apresenta-nos Urras, um planeta capitalista marcado pela opulência e pela desigualdade, e Anarres, um planeta anarquista onde a liberdade se constrói no meio da escassez e do isolamento. Ao seguirmos Shevek, um físico nascido em Anarres que viaja até ao planeta inimigo, apercebemo-nos das diferenças entre os dois sistemas sociais, antagónicos e longe da perfeição. À medida que avançamos na leitura, é fácil perceber que esta história não é mais do que um espelho do que se passa no nosso planeta, com tensões entre povos que duram há muito tempo. No caso de Os Despojados, Le Guin serviu-se de Urras e Anarres para falar nos EUA e na União Soviética que, na época em que o livro foi escrito, viviam em plena Guerra Fria. A linguagem utilizada é clara nuns momentos e profundamente filosófica noutros, e cumpre o propósito de nos desafiar a questionar o mundo que nos rodeia, as nossas convicções e preconceitos. COMPRO NA WOOK! » Solaris, de Stanislaw Lem Numa estação espacial em órbita de um planeta coberto por um oceano vivo e consciente, um grupo de cientistas tenta compreender aquilo que observa. Confrontados com uma inteligência diferente da sua, e numa tentativa de encontrar explicações científicas para o que testemunham, os cientistas acabam por sofrer manifestações físicas das suas memórias e traumas mais profundos, materializados pelo oceano, que parece ler e reagir à mente humana.
Esta é a proposta de Solaris, de Stanislaw Lem, um romance sobre a solidão e o desconhecido. Mais do que explicar o que é e como funciona este planeta, Lem preocupa-se em mostrar ao longo do romance como o ser humano procura respostas fora de si para perguntas que, na verdade, são sobretudo internas. A escrita é densa, os diálogos são muitas vezes filosóficos e a atmosfera é claustrofóbica, mas a recompensa está na profundidade das questões que este clássico escrito em 1961 levanta. Entre as várias adaptações cinematográficas da obra, a mais emblemática é a de Andrei Tarkovsky, datada de 1972. COMPRO NA WOOK! » Veja aqui o filme Solaris, de Andrei Tarkovsky Os Funcionários, de Olga Ravn Olga Ravn é poetisa e a sensibilidade da sua escrita ajuda a tornar Os Funcionários uma obra muito particular. A narrativa foca-se na vida monótona e fragmentada de uma tripulação composta por humanos e androides a bordo de uma nave espacial. O livro é construído como uma série de depoimentos curtos, relatórios e observações pessoais, que juntos formam um mosaico sobre o trabalho, a rotina e a alienação num ambiente artificial e opressivo. A chegada de objetos misteriosos ao interior da nave desperta emoções e questionamentos inesperados nos seus ocupantes, trazendo à tona a vulnerabilidade escondida sob a rotina. Ao usar uma linguagem lírica, Ravn explora a fronteira entre o humano e o mecânico, e mostra-nos que mesmo num futuro tecnologicamente avançado persistem dúvidas antigas sobre identidade, desejo e pertença. Uma leitura breve mas intensa, ideal para quem aprecia ficção científica intimista e sensorial. COMPRO NA WOOK! » Estação Onze, de Emily St. John Mandel Estação Onze, de Emily St. John Mandel, não se passa num planeta distante, não tem aliens, nem realidades paralelas. Depois de ser assolada por uma pandemia, a nossa civilização colapsa e a população que resta tenta reconstruir a vida num mundo quase selvagem onde a arte e a memória são os últimos redutos da Humanidade. Num cenário de ruína e silêncio, é a beleza da cultura, e não a tecnologia ou a força, que mantém viva a centelha do que significa, de facto, ser humano.
O romance alterna entre o passado, o colapso e o presente pós-apocalíptico, tecendo uma narrativa onde as vidas se cruzam através de gestos simples e acontecimentos aparentemente banais. Os grandes heróis desta história não são guerreiros ou pessoas movidas por vinganças ou patriotismo, mas sim um grupo de atores que percorre o mundo com o único objetivo de apresentar em palco peças de Shakespeare e outros textos e peças de música clássicas a pessoas que, no meio do caos e da destruição, ainda anseiam pela beleza da arte. Mandel não escreve sobre catástrofes, mas sobre o que permanece depois delas, a necessidade humana de criar, de recordar e de partilhar emoções. COMPRO NA WOOK! » Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick Qualquer lista que pretenda reunir os melhores filmes da História do cinema ficará incompleta sem Blade Runner. A película, realizada há mais de 40 anos por Ridley Scott, conta com uma banda sonora emblemática de Vangelis, efeitos especiais e cenários que fazem inveja a filmes recentes e um elenco encabeçado por Harrison Ford repleto de interpretações inesquecíveis. Mas o que torna o filme tão único e especial é a história, baseada num livro de Philip K. Dick, um dos mestres da ficção científica.
Em Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, a Terra foi arrasada e a vida é simulada com tal precisão que já não é possível distinguir o real do artificial. A ação gira em torno de Rick Deckard, um caçador de androides que tentam fazer-se passar por humanos. Deckard começa por ver os androides apenas como máquinas que têm de desaparecer da face da terra e faz o seu trabalho sem dificuldades, mas à medida que interage com eles encontra nestes seres emoções, desejos e uma complexidade demasiado humana. Há momentos pautados por humor negro e lucidez, e outros, mais caóticos e pesados, em que vemos a fragilidade e instabilidade emocional das personagens ganhar terreno. Toda a obra literária de Philip K. Dick é atravessada por questões sobre identidade, realidade e o que significa ser humano, e este livro não é exceção. COMPRO NA WOOK! »

Solaris

de Stanislaw Lem

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726083962
Editor: Antígona
Data de Lançamento: fevereiro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 134 x 205 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 272
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ficção Científica
EAN: 9789726083962

A condição humana à luz de dois sóis

António J. Figueira

"Solaris" destaca-se dos seus congéneres literários na medida em que coloca a descoberto as fragilidades da condição humana enquanto envolve o leitor num novo mundo com regras próprias. Neste sentido, não deixa de ser irónica a ideia que Lem propõe: foi preciso viajar anos-luz de distância para o Homem ter oportunidade de se conhecer. Paralelamente, esta obra evidencia como o ser Humano reage ao desconhecido e se redescobre, o que na minha opinião é magistralmente ilustrado pelo modo como a ciência que estuda o planeta Solaris - a solarística - evolui ao longo dos anos. Este cruzamento entre a filosofia e a ficção científica não podia ser outra coisa do que altamente recomendável.

Clássico

Ricardo

Um clássico da ficção científica que extravasa os limites do género. Não é só um livro de ficção científica, é um romance existencialista sobre a condição humana que devia ser lido por todos para compreender a nossa realidade. Recomendo

"We have no need of other worlds. We need mirrors."

Edgar Costa

O ser humano e a sua demanda de entender o universo... Mas o que será que irá encontrar? Ao contrário da maioria dos livros de ficção cientifica (que retratam a descoberta de novas civilizações), Stanislaw Lem leva o leitor a Solaris, um planeta bastante diferente da Terra que acima de tudo irá levar o leitor a explorar os limites do que é ser humano.

SOBRE O AUTOR

Stanislaw Lem

Stanislaw Lem (1921-2006) é um dos mais traduzidos e destacados autores polacos. Nos anos 40, estudou medicina e psicologia em Lviv e em Cracóvia. Foi forçado a obter documentos falsos – que o salvaram das câmaras de gás de Belzec – e, como mecânico, dedicou-se a sabotar carros alemães durante a invasão nazi. Publicou Solaris (1961), A Voz do Dono (1968) e livros com um humor inimitável, como Memórias Encontradas numa Banheira (1961) e Congresso Futurológico (1971). Em 1976, foi expulso da Associação Americana de Escritores de Ficção Científica, por ter criticado a qualidade da produção norte-americana no género. Legou-nos uma obra profundamente filosófica, norteada pela reflexão sobre as limitações humanas, o lado negro do progresso e o lugar do homem no Universo. Perdurará neste planeta como um mestre da sátira e da imaginação.

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