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Sobre o Suicídio

de Karl Marx
Editor: Padrões Culturais, novembro de 2009 ‧
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Escrito pelo jovem Marx aos 28 anos, este pequeno texto quase esquecido, é uma preciosa contribuição social e histórica acerca das relações sociais e familiares da moderna sociedade burguesa. É um dos raros textos de Marx, sem aparente intenção ideológica ou política, onde este mergulha na esfera da vida privada, das angústias provocadas pela existência interferida da propriedade e pelas relações das classes sociais. Aqui já antecipa de forma ligeira temas como o direito ao aborto, o feminismo e a opressão familiar na sociedade capitalista. Escrito a partir dos interessantes casos policiais de suicídio relatados por Peuchet, Marx tece as relações entre a vida privada e a estrutura social. Analisa o suicídio como expressão extrema de uma sociedade doente, de um sistema que necessita de uma transformação radical para resolver não só as questões do campo da política e da economia, mas também as opressões nas relações sociais e o mal-estar dos indivíduos.

«Madame de Staël, cujo maior mérito está em ter expressado lugares- -comuns num estilo brilhante, tentou demonstrar que o suicídio é um acto contrário à natureza e que não deve ser considerado como um acto de coragem. Acima de tudo, é uma insensatez considerar um acto que se comete com tanta frequência contrário à natureza. As sociedades não geram todas, portanto, os mesmos produtos. No que diz respeito à coragem, considera-se corajoso aquele que desafia a morte à luz do dia no campo de batalha, encontrando-se sob o domínio de todas as emoções, nada prova que a coragem falte àquele que tira a própria vida solitariamente no meio da escuridão. Não é com insultos aos mortos que se combate uma questão tão polémica Tudo o que se disse contra o suicídio gira em volta do mesmo círculo de ideias. São evocados contra ele os desígnios da Providência, mas a própria existê

Sobre o Suicídio

de Karl Marx

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898160683
Editor: Padrões Culturais
Data de Lançamento: novembro de 2009
Idioma: Português
Dimensões: 155 x 211 x 4 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 64
Tipo de produto: Livro
Coleção: Tempo Social
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia
EAN: 9789898160683

Uma outra face de Marx

Marta C.

É um livro peculiar da bibliografia de Marx. É curioso ler algo escrito pelo filósofo que parta de uma lógica superestrutural para infraestrutural, ou seja, que vá da observação de fenómenos sociais, retirando as conclusões económicas . É uma crítica à sociedade burguesa e à pressão social que esta coloca sobre os indivíduos, no caso desta obra, nas mulheres, levando ao suicídio.

uma leitura elucidativa

Ana Filipa Magalhães de Sousa

Através de exemplos de casos de suicídio, Karl Marx demonstra como a pressão social afectou os indivíduos que consumaram este acto.

SOBRE O AUTOR

Karl Marx

Filósofo alemão nascido em Trèves (Renânia) em 1818. Acerca dele se afirmou: «No século dezanove foi o pensador que teve, de longe, a influência mais direta, deliberada e poderosa sobre a Humanidade» (Isaiah Berlin). Sensível aos problemas sociais da época, foi influenciado pelas doutrinas do socialismo utópico de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen e pelas teorias da economia política de Adam Smith e David Ricardo, que tentou superar.
O pensamento de Marx define-se essencialmente em oposição ao idealismo hegeliano, embora dele retome a conceção dinâmica da realidade e os princípios da dialética, reinterpretando-os à luz de uma conceção materialista. A crítica fundamental que faz a Hegel é a de que este apenas se apercebeu do desenvolvimento espiritual abstrato, quando a ideia não é mais que «a matéria, trasladada e transformada na cabeça do homem», provocando, simultaneamente, uma inflexão no agir filosófico, afastando-o do domínio puramente teorético para o inserir na esfera da intervenção prática - «até ao presente, os filósofos só se têm preocupado com a interpretação do mundo segundo várias óticas. Todavia, o problema está em ser capaz de o transformar».

Recusando a transposição hegeliana do facto empírico para o plano metafísico, defende que não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas o seu ser social que determina a consciência. É a partir dessa premissa que Marx constitui o sistema do materialismo histórico, segundo o qual os processos económicos estão na base de toda a evolução da humanidade, considerando todas as restantes manifestações socioculturais como meras superestruturas ideológicas, estritamente determinadas pelas relações de produção vigentes.
A história das sociedades é encarada como um longo processo dialético em que as classes oprimidas, vítimas de relações de produção desiguais, se revoltam contra as classes dominantes, instaurando uma nova ordem económica. A luta de classes percorre, portanto, todo o devir da humanidade, desde a antiguidade (sociedade esclavagista em que se opõe ao homem livre o escravo), passando pela sociedade feudal (oposição entre suserano e servo), até à sociedade capitalista, na qual a revolução do proletariado, através da abolição da propriedade privada e da coletivização dos meios de produção, suprimirá todos os antagonismos, instaurando o comunismo e a sociedade sem classes.

Marx debruçou-se em particular sobre a formação e a essência do capitalismo considerando que este se fundamenta numa apropriação indevida da mais-valia gerada pelo trabalho numa lógica de acumulação e concentração de riqueza que deixa completamente de lado a função social do trabalho e reduz o proletariado a um estado de alienação em que o trabalho deixa de ser um fator de realização pessoal. A religião, que classifica como «ópio do povo», associa-se a esse processo de alienação, prometendo aos proletários uma satisfação extramundana em troca da sua submissão à ordem estabelecida.
Marx morreu em Berlim em 1883. O seu sistema, desenvolvido em grande parte em colaboração com Friedrich Engels (1820-1895) e imbuído de objetivos sociais reformistas e emancipadores, marcou decisivamente toda a filosofia política contemporânea.

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