Seraglio

Livro de Bolso

de Janet Wallach
Editor: 11 X 17, outubro de 2009 ‧
Transportando o leitor para o ameaçador mas majestoso universo da Turquia oitocentista, a famosa biógrafa e especialista no Médio Oriente, Janet Wallach, recria magistralmente a vida de Aimée du Buc, prima da Imperatriz Josefina Bonaparte. Aos 13 anos de idade, durante a viagem da sua escola em França para a sua casa em Martinica, Aimée du Buc é raptada por piratas argelinos. Loira e de olhos azuis, a jovem era um tesouro precioso e foi enviada como presente para o Seraglio - o harém do todo-poderoso Imperador Otomano - no palácio de Topkapi em Constantinopla. À medida que Aimée, rebaptizada Nakshidil ("Bordada no Coração") aprende os segredos eróticos que a fazem ganhar os corações dos reis e descobre as intrigas do reino, também luta para manter a sua antiga identidade, incluindo a fé cristã. Com o tempo, Nakshidil torna-se íntima de vários sultões: concubina de um, esposa preferida de outro e mãe adoptiva de um terceiro. Vítima de constantes e terríveis conspirações, a sua vida equilibra-se sempre na fronteira entre os prazeres sumptuosos e a mera sobrevivência. Até aos seus últimos anos de vida, quando assume o controle do harém e se transforma na mulher mais poderosa do Império Otomano.

Seraglio

Livro de Bolso

de Janet Wallach

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896371562
Editor: 11 X 17
Data de Lançamento: outubro de 2009
Idioma: Português
Dimensões: 109 x 168 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 320
Tipo de produto: Livro
Coleção: 11X17
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896371562

Quem conta um conto…

Ana

É um daqueles romances históricos que se mantêm mais ou menos dentro do que já se sabe e que se ficciona, naturalmente. O conteúdo segue um pouco o modelo hollywoodesco: tem de haver uma razoável pitada de sexo e erotismo, para aí 20%. Não há um especial estilo de escrita, portanto, não é por aí que vale a pena. Há muitas sugestões de ambientes, estilos e hábitos de vida, modelos políticos e estatutos socioeconómicos, num império muçulmano em decadência. Neste aspeto tem o seu colorido. Qualquer império em crescimento atinge, num certo momento, um ponto de não sustentabilidade, começa a abrir fissuras e acaba por implodir. Este não é o melhor livro para se perceber isso, mas anda lá perto; nos interstícios dessas fissuras ligadas ao poder entrópico do sexo, do prazer e dos afetos. A perspetiva dos eunucos é bem explorada; há uma tentativa para compreender os seus dilemas, o seu papel nos jogos do poder político, e sobre como será o vivenciar do desejo e do prazer sexual num corpo masculino genitalmente mutilado. Seria curioso estabelecer um paralelismo com os castrati, também da época histórica, e desta não se lembrou a autora, que outros ensaiou entre culturas muçulmana e cristã, particularmente, no que toca à educação (enculturação para a) da feminilidade. E lá veio à baila o manual “O Jardim Perfumado”, no momento em que um eunuco, encarregue da educação sexual da escrava ocidental, lhe diz que para conseguir dar prazer ao padixá teria que sentir prazer, de facto, o tal manual di-lo, mas também nunca assume o prazer clitoriano (embora admita certa posição em que a mulher sente muito mais prazer) e bastas vezes diz que, quando penetrada, a mulher deve estar seca, isto é, não lubrificada. Negócio difícil, não é mesmo? As pequenas artimanhas e os grandes sacrifícios com que meninas, jovens, adultas e idosas (ainda) têm de lidar para poderem sobreviver. Havendo méritos nesta obra, é um deles expor esta triste realidade, de todos os tempos.

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